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Qua, 1 Julho 2020 17:28

Confira dicas culturais para ler, ver e ouvir no mês de julho

Professores dão sugestões de filmes, podcasts e livros para aproveitar uma programação diferenciada no conforto de casa


As plataformas de streaming oferecem vasto catálogo de filmes, séries e documentários (Foto: Unplash)
As plataformas de streaming oferecem vasto catálogo de filmes, séries e documentários (Foto: Unplash)

O período de confinamento social causado pela Covid-19 trouxe algumas mudanças na vida de quem costumava incluir a ida ao cinema, festas e barzinhos em sua programação. 

As plataformas de streaming e as iniciativas gratuitas via redes sociais “operam em alta”, possibilitando o acesso à cultura, além de serem ótimas opções para quem gosta de estar atualizado com o mundo do entretenimento.

A seguir, veja dicas de professores da Universidade de Fortaleza, instituição da Fundação Edson Queiroz, para aproveitar o mês de julho com uma programação diversificada: 

A hora e a vez dos podcasts  

Da sintonia analógica para o virtual: os podcasts são filhos legítimos do rádio e contam com o recurso de possibilitar que o conteúdo esteja disponível on demand, podendo ser acessado diversas vezes. 

A professora Kátia Patrocínio, que leciona a disciplina de Radiojornalismo no curso de Jornalismo da Unifor, sugere três programas: 

#Escriba Cafe

“É bem antigo, um dos primeiros podcasts que a gente tem na nossa história. Ele é de 2004 e trata sobre histórias do mundo, do universo e das pessoas. Diferente dos outros podcasts, tem apenas a narração de histórias que são contadas, mas eu adoro porque traz uma trilha sonora espetacular e também efeitos que levam a gente para o momento retratado.”

#Vozes: Histórias e Reflexões

“Outro muito legal, mais voltado para o Jornalismo. É um podcast bem interessante que aborda temas bem atuais geralmente discutidos em dois episódios. O primeiro episódio tem a participação de pessoas que falam sobre o assunto, pessoas comuns que muitas vezes até passaram por aquela situação, já o outro tem especialistas para discutir o assunto. Possui uma linguagem simples e bastante informativa.”

#Kilombas

“Estou começando a ouvir agora e estou curtindo bastante a maneira como está sendo trabalhado e também da temática. Fala sobre temas raciais e é feito por duas jovens estudantes de Jornalismo da Unifor. O Kilombas surgiu a partir de um curso que as meninas fizeram no Sindicato dos Jornalistas e estão dando continuidade. A questão racial me interessa muito e gosto da forma que elas tratam porque é algo mais local, bem do Ceará.”

Cinema em casa  

Produções audiovisuais no sofá de casa para exercitar o pensar crítico e refletir sobre temas da atualidade. Não à toa a Netflix ganhou mais de 15 milhões de assinantes com a pandemia do novo coronavírus, mais que o dobro do projetado para o primeiro trimestre de 2020. 

O professor do curso de Psicologia da Unifor, Márcio Acselrad, coordenador do Cineclube Unifor, iniciativa que oferece programação de filmes de gêneros variados de forma gratuita, debatidos por especialistas convidados, dá algumas sugestões cinematográficas: 

‘Trumping Democracy’, direção: Thomas Huchon, 2017

“Fala da situação da democracia norte-americana. O título não tem propriamente uma tradução em português, mas faz um trocadilho, transforma o nome do Trump em um verbo. Poderíamos, talvez, brincar “trampando a democracia” ou “estrupiando a democracia”. Ele mostra como o Trump se aliou à forças escusas, principalmente nas redes sociais, para conseguir manipular as eleições.”

‘Democracia em Vertigem’, direção: Petra Costa, 2019 

“É um documentário que concorreu ao Oscar do ano passado e fala da situação da democracia brasileira, o nome já diz tudo!”

‘Ramy', direção: Ramy Youssef, 2019

“Para variar um pouco, também queria indicar essa série muito interessante. Foi produzida e dirigida pelo próprio Ramy. O personagem principal é o autor, o roteirista e o diretor, um cara extremamente talentoso. A série fala das agruras de um descendente de egípcios na Nova Jersey contemporânea. Tem duas temporadas, é muito interessante.” 

Livros não envelhecem

Muito antes dos smartphones, os livros já ofereciam programação cultural em qualquer lugar, a qualquer hora, uma verdadeira mídia atemporal. De romances clássicos à poesia concreta, o acervo da literatura mundial agrada a todos os gostos. 

O escritor Batista de Lima, professor da disciplina de Linguagem Jurídica e Produção Textual da Universidade de Fortaleza e membro da Academia Cearense de Letras, dá algumas sugestões de leitura: 

‘Ulisses’, autor: James Joyce 

“É um livro que retrata um dia em 1904, dia 16 de junho. Esse dia foi chamado de ‘Bloomsday’, por conta de que o personagem principal chama-se Leopold Bloom. É um clássico na literatura moderna universal. O livro também foi rejeitado por muitas editoras na época porque tem vários gêneros literários como romance, crônica, memória e surrealismo. Inclusive, faz uma comparação com ‘Odisséia’, de Homero.”

‘Invenção de Orfeu’, autor: Jorge de Lima 

“É considerado a maior epopéia da literatura brasileira. É um livro de um poema só, mas é um poema que tem todos os gêneros literários, passando do classicismo ao romantismo. Ele utiliza de uma metaforização moderna. É um desafio ler. Eu gostei bastante. O Jorge de Lima era alagoano, excelente escritor e médico.” 

‘Pequena História do Ceará’, autor: Raimundo Girão 

“Esse livro tem a história do Ceará desde quando chegaram aqui os primeiros colonizadores como Martim Soares Moreno, Matias Beck, Padre Francisco Pinto e Padre Figueira, até os anos 50. Eu acredito que para a gente conhecer a história do Brasil e a história universal, nós temos que conhecer primeiro a história do Ceará.”