Feira de Profissões Unifor

Jovens posam para foto atrás de banner com desenhos de profissionais aparecendo apenas o rosto

Além das quatro paredes da escola

Como para muitos jovens brasileiros, a vida escolar de Matheus Tomoto não foi fácil. Para ajudar a família, ele conciliava trabalho e estudo. Tinha que se dedicar duas, três vezes mais para vencer as deficiências da escola pública, a falta de estrutura e de bons livros. Mas o que faltava de condições materiais, ele compensava com assertividade e foco. Soube ir atrás das oportunidades e conseguiu uma graduação sanduíche — tendo aprendido inglês em três meses para passar no exame de proficiência da língua.

Dividiu os estudos de Engenharia Robótica entre o Brasil e os Estados Unidos, a mesma instituição que formou o astronauta Neil Armstrong, além de trabalhar no prestigiado Massachusetts Institute of Technology (MIT). Para Matheus, um dos principais diferenciais do ensino superior norte-americano é a ênfase dada à prática e ao trabalho em equipe.

Mais que boas notas, uma atuação social (como voluntariado, esportes e associações cívicas) e a história de vida do candidato para além das quatro paredes do colégio também contam muito para os recrutadores.

Matheus Tomoto é um dos palestrantes confirmados para a Feira das Profissões Unifor 2019. Além dele, o estudante de medicina Gabriel Mattucci (que desenvolveu um método de memorização com post-its para um dos vestibulares mais difíceis do Brasil) e o mais jovem advogado a fazer uma sustentação no Supremo Tribunal Federal (STF), Mateus Costa Ribeiro, falarão sobre suas experiências e dividirão com os públicos as dúvidas e as possibilidades que rondam o ensino superior.

Como foi a escolha da Engenharia Robótica como carreira, quais foram suas inspirações? 

Desde criança, meu grande sonho era ser cientista. Eu gostava de mexer com aparelhos eletrônicos, queria saber como as coisas funcionavam. Mas teve um momento da minha família em que passamos muitas dificuldades — quase passamos fome. Precisei trabalhar e foi quando, de fato, comecei a me envolver com essa área. Com 12 anos iniciei o trabalho em uma oficina mecânica e com 16 já estava integrado à indústria, vendo todos os processos robóticos, as máquinas e movimentações. Foi ali que minha paixão começou. 

Você participou de alguma feira das profissões ou avaliação vocacional na sua época de estudante?

Eu acredito que encontramos nossa paixão somente através da experimentação. Dando a nós mesmos a chance de conhecer o novo. Por isso eu recomendo visitar feira de profissões, conversar com pessoas que trabalham nas áreas do seu interesse e até ingressar em trabalhos voluntários pra vivenciar outras experiências.

Você cursou Engenharia no Brasil, fez uma graduação sanduíche na Purdue University e trabalhou por quase um ano no MIT, nos Estados Unidos. Na sua avaliação, quais são as principais diferenças no ensino universitário desses dois países?

Eu tive a oportunidade de fazer metade de graduação no Brasil e a outra metade numa universidade de ponta dos Estados Unidos. Eu estudei na universidade que formou o primeiro homem a pisar na lua, o Neil Armstrong. Lá percebi que a maior vantagem de estudar em universidades fora do Brasil é a oportunidade de networking, o acesso a pessoas envolvidas com nossa área. Essas universidades também são muito mais práticas e menos teóricas. Inspiram o espírito empreendedor e protagonista nos alunos, mostrando que eles podem traçar seu próprio caminho. Há uma cultura em que sua carreira é de sua inteira responsabilidade, impedindo a terceirização da culpa. Lá há um sistema meritocrático que instiga os alunos a se envolverem e desempenharem o melhor de si nas universidades, o que é muito bacana.

A passagem da vida escolar para a vida acadêmica nem sempre é fácil: outro ritmo de estudo, conteúdos novos, pesquisa. No seu caso, você ainda teve o desafio de ir estudar em outro país, com aulas em outro idioma, longe da família e dos amigos. Como foi essa adaptação? 

Para mim, foi uma aventura. Como sempre tive que trabalhar pra ajudar minha família pra comprar comida pra casa, eu deixei meus sonhos de lado pra ajudá-los por muito tempo. Então quando comecei meus estudos e depois minha carreira fora, eu me senti muito feliz. Ir para os EUA foi minha primeira grande oportunidade. Não tive tempo de ter medo, eu apenas aceitei e fui viver um sonho. E esse foi um dos melhores períodos da minha vida e da minha carreira. Sinceramente, eu vejo que foi o que me abriu muitas portas. Nos EUA, depois de 6 meses já conquistei uma oportunidade para o MIT, um ano depois, recebi a proposta pra NASA. E isso foi seguido de oportunidades como ONU, Harvard, Oxford.

Você fala que desde os 13 anos conciliava trabalho e estudo, porque precisava ajudar a sua família. Apesar de não ser a situação ideal, você acha que o trabalho aprimorou de alguma forma suas habilidades como estudante e pesquisador (foco, assertividade, senso de responsabilidade, solução de problemas)?

Acredito que os desafios que temos em nossas vidas nos fazem mais fortes. Mas isso depende de como reagimos perante eles. Podemos fazer acontecer e tomar atitudes, sendo resilientes para superar as dificuldades e melhorar. Ou podemos apenas desistir, ficar no sofá assistindo YouTube; estagnar. No meu caso, talvez esse tenha sido um dos pontos mais latentes, pois eu sempre quis ajudar minha família e sempre tive vontade de continuar. Foi muito difícil passar por esse período, eu não tive vida dos 12 aos 23 anos de idade; porém, quando precisei estudar, meu corpo já estava preparado pra isso. Quando precisei aprender inglês em três meses, meu corpo já estava acostumado a manter atenção e foco em uma tarefa por horas, dormir pouco, comer rápido etc. E além disso, sua história e suas experiências tem muita relevância em outros países, o que pode ter me auxiliado em algumas das oportunidades que conquistei nos Estados Unidos.

Nas suas palestras, você fala que, além de dedicação, é preciso ter método na hora de estudar, caso contrário é tempo perdido. O que não pode faltar em um método de estudo para que ele funcione na prática?

Acredito que as pessoas começam da maneira errada. Estudam porque são obrigadas ou por pressão dos pais, mas o importante é entender que o estudo é para nosso crescimento e desenvolvimento pessoal. Para isso, precisamos encontrar a motivação. O motivo para a ação de estudar. Quando isso fica claro, fica muito mais fácil para o aluno estudar, pois o estudo passa de obrigação para uma maneira de aprender e conquistar oportunidades. Precisamos também entender o porquê das nossas atitudes e escolhas. O porquê de queremos estudar, trabalhar etc. Entender a importância dos nossos objetivos é o que nos ajudará a continuar toda vez que pensarmos em desistir. A maioria das pessoas desiste porque não encontra uma motivação forte o suficiente, uma motivação real.

Como você define a vocação para uma carreira? Que elementos um jovem deve levar em conta para fazer a melhor escolha?

É importante considerar três pontos na hora de fazer sua escolha. Primeiro, precisamos fazer algo de que gostamos; afinal, vamos passar muitas horas trabalhando nessa área, então precisamos gostar do que iremos fazer. Segundo, precisamos ter talento para isso, identificar nossas habilidades e aptidões e desenvolvê-las. O terceiro ponto é considerar o mercado. Entender quais as oportunidades hoje e a projeção para o futuro. Esses pontos são os que considero importantes pra levar em conta na hora de fazer nossa escolha. Por último, acredito que precisamos nos dar a chance de experimentar. Precisamos de experiencias para encontrar o que gostamos, nossas paixões. Então minha dica seria essa, busque novas experiencias, se permita vivenciar o novo e entenda a importância de se conhecer, isso irá te ajudar muito nas suas escolhas. 

Uma das suas linhas de trabalho hoje é empoderar jovens brasileiros para conquistar oportunidades e promover mudanças sociais. Qual o papel da universidade nesse empoderamento?

No Brasil é muito importante ter uma certificação acadêmica e, na hora de escolher a universidade é muito importante entender qual a estrutura da universidade em que você irá aplicar. Se ela te ensinará a prática -além da teoria, se oferecerá laboratórios, suporte em áreas como empreendedorismo e se irá assistir o aluno no seu desenvolvimento intelectual e social. É preciso buscar universidades que realmente te preparem para o mercado de trabalho.

 

 

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