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Qua, 9 Outubro 2019 13:58

Empresa Júnior auxilia ingresso no mercado de trabalho

Empresas compostas por estudantes da universidade são destaques para quem deseja ter experiência profissional no ramo de atuação


Guilherme Ibiapina e Laíssa Cruz, membros da empresa Construtiva. Foto: Pedro Menezes
Guilherme Ibiapina e Laíssa Cruz, membros da empresa Construtiva. Foto: Pedro Menezes

O processo de iniciação no mercado de trabalho sempre é complicado para os alunos que estão na universidade, principalmente para os jovens recém-chegados no ambiente acadêmico. Grande parte dos contratantes requerem currículo e experiência profissional que, para muitos desses jovens, é um dos fatores que impossibilitam o seu ingresso mais cedo nas empresas.

Além disso, a teoria vista nas salas de aula, muitas vezes, não é suficiente para a prática no ambiente profissional, em virtude do formato mais avançado que o mercado impõe para os universitários.

Dessa forma, as empresas juniores tem como finalidade incentivar os alunos no ramo empresarial e no próprio futuro, com a produção de projetos e trabalhos para clientes reais e que já estão algum tempo ativo no mercado, fazendo com que esses universitários tenham uma experiência mais concreta com o trabalho profissional na sua área de atuação.

Na Universidade de Fortaleza existem inúmeras empresas juniores, em diferentes cursos e centros, como no Centro de Ciências Tecnológicas (CCT) e Centro de Ciências da Saúde (CCS), sobretudo nos cursos de Farmácia, Psicologia e Nutrição, além de vários cursos com projetos e desejo de começarem a investir nessas empresas.

A Construtiva, empresa júnior da Universidade de Fortaleza, que reúne estudantes de Engenharia Civil e Arquitetura, é um dos vários negócios que começaram na universidade e fazem um trabalho bem engajado nessa forma de atuação.

Os estagiários Guilherme Ibiapina, aluno do quarto semestre de Engenharia Civil, e Laíssa Cruz, que cursa o segundo semestre de Arquitetura e Urbanismo são dessa empresa e viram nela a oportunidade de começar bem cedo o trabalho no ramo onde querem seguir quando se formarem. Segundo eles, a Construtiva é um laboratório muito importante para a formação acadêmica e prática para o caminho de cada um em suas profissões.

“Muitas cadeiras da engenharia e da arquitetura você aprende na prática e na Construtiva nós somos desafiados a aprender, então tem que ler e estudar, tornando os alunos muito interessados no assunto. Isso faz com que as empresas profissionais se interessem pelo trabalho dos estudantes que participam de empresas juniores e ajuda muito no nosso caminho profissional”, conta Guilherme.

De acordo com ele, a maioria dos universitários aproveitam a empresa como estágio prático do curso e esse caminho conta muito na hora de ser contratado, pois parte das grandes corporações reconhecem, no processo seletivo, o trabalho engajado das empresas juniores dentro das universidades.

O Movimento Empresa Júnior, segundo os jovens, não é somente um local para iniciar a carreira profissional, mas uma forma de observar e mudar o país tanto politicamente, como economicamente.

Laíssa observa que pode contribuir muito com o Brasil a partir da sua ação na construtiva. “Eu acredito que a empresa júnior pode ser um exemplo para o país, porque eu tinha uma vontade muito grande de morar fora quando me formasse, por ver poucas oportunidades aqui, mas depois que eu comecei a observar o movimento das empresas juniores, não tenho tanto desejo de ir para fora porque eu sei que posso fazer a diferença para tornar o país um lugar muito melhor. O MEJ me engaja e desperta o desejo de querer mudar o Brasil”, relata.

No âmbito econômico, as empresas juniores também têm um grande papel na construção de um profissional mais capacitado, dando chances da realização de cursos, congressos e palestras, além do capital que elas acumulam com a venda de seus projetos para clientes reais, com um preço bem abaixo do mercado.

“Os projetos são vendidos com preço 30% abaixo do mercado, o que ajuda clientes que não tem condições de pagarem um empresa profissional, então tem empresa júnior que arrecada quase um milhão de reais com os projetos e isso é revertido em educação e capacitação para os estagiários, já que o trabalho no MEJ é voluntário e é proibido por lei o pessoal ganhar dinheiro com as empresas. Dessa forma, tudo que é ganho é para investir na nossa capacitação, ressalta Guilherme.

No Movimento Empresa Júnior existem vários encontros e congressos que acontecem em diferentes de cidades do Brasil,  para a apresentação e relacionamento dos jovens que participam desses grupos, a nível estadual e nacional, onde eles têm a oportunidade de apresentar os seus trabalhos e conhecer outros projetos, ao passo que se relacionam com empresas profissionais e de destaque nacional, fazendo, assim, com que o contato e o relacionamento desses jovens com o mercado seja amplo e enriquecedor.

“Esses encontros são ótimos para os participantes das empresas conhecerem outras realidades e obter um conhecimento maior na área, principalmente no sentido de conseguir networking, a partir do momento que nós conhecemos representantes de várias empresas profissionais e temos a oportunidade de mostrar nosso trabalho para eles”, destaca Laíssa, aluna da Arquitetura.

Movimento Empresa Júnior 

Nascido na década de 60, em Paris, França, o movimento empresa júnior começou com o objetivo de usar na prática os conhecimentos conquistados na teoria da sala de aula, mas pouco usado no caminho acadêmico.

Assim, foi fundada uma associação de estudantes que colocaria em prática os conhecimentos obtidos em sala com clientes no mercado. Após isso, o desejo começou a ser passado para outras áreas de conhecimento nas universidades francesas, sendo criada a primeira federação de empresa júnior, que reuniu cerca de 20 empresas.

No Brasil, atualmente, o Movimento Empresa Júnior conta mais de 700 empresas e mais de 22 mil empresários em todas as regiões do país, tendo a Brasil Júnior - Confederação Brasileira de Empresas Juniores para apoiar os trabalhos desses grupos.

Organização 

As empresas juniores são divididas em diretorias, como presidência, vice-presidência e outros departamentos, as quais são responsáveis pelo desenrolar dos projetos, além da divulgação dos trabalhos, relacionamento com os clientes e execução dos processos seletivos.

Cada estudante tem tempo mínimo de um ano para ficar na empresa e obter o certificado, com isso os estagiários podem ter a oportunidade de passar por várias diretorias e ampliar o conhecimento de gerenciamento de empresa, além de poder chegar à presidência e vice-presidência e representar o seu grupo, dando palestras e organizando eventos nos encontros e congressos de juniores.

Seleção 

Estudantes de qualquer semestre podem se inscrever para concorrer à vaga das empresas juniores na Universidade de Fortaleza, sem restrição de conhecimento e experiência. 

Cada organização tem o seu recrutamento, no qual algumas etapas podem se assemelhar. Em outras empresas, o treinee - fase de treinamento dos novos membros - é parte do processo e se torna eliminatório.

Na Construtiva, o processo seletivo é aberto todo semestre e composto por quatro fases, sendo uma online e três presenciais, eliminatórias, ao final o candidato recebe o resultado e, se for aprovado, entra, obrigatoriamente, como trainee.

O processo não é nivelado a partir do conhecimento do aluno, mas é feito de acordo com os aspectos psicológicos do candidato, o que ele almeja e a busca de conhecimento que ele deseja ter no tempo que ficar na empresa.

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