angle-left “O ser humano não vive sem arte”, diz Marcelo Serrado em mais uma Live do Conhecimento da Unifor

Ter, 12 Maio 2020 16:44

“O ser humano não vive sem arte”, diz Marcelo Serrado em mais uma Live do Conhecimento da Unifor

O projeto “Lives do Conhecimento” recebeu, no dia 12 de maio, o ator Marcelo Serrado, para falar sobre “O papel do ator em contexto de isolamento social”, em debate mediado pela professora Hertenha Glauce.


(Foto: Cesar Alves/TV Globo/Divulgação)
(Foto: Cesar Alves/TV Globo/Divulgação)

“O mundo vai mudando. O mundo está evoluindo e a gente tem que evoluir com ele”. A reflexão é do ator Marcelo Serrado, que participou nesta terça-feira, 12 de maio, de mais uma edição do projeto “Lives do Conhecimento”, realizado pela Universidade de Fortaleza, da Fundação Edson Queiroz.

Mediado pela professora Hertenha Glauce, coordenadora do Grupo Mirante de Teatro Unifor, o bate-papo abordou a carreira do prestigiado ator no cinema, na TV e no teatro, tratou do papel do ator em contexto de isolamento social e da importância da Universidade como disseminadora da arte e cultura, contemplou o que vai ser do futuro e ainda trouxe valiosas dicas aos expectadores da live.

A conversa teve início com retrospecto da presença de Serrado nos palcos do Teatro Celina Queiroz, na Unifor, em 2004, com a peça “Esse alguém maravilhoso que eu amei”, dentro do projeto Grandes Espetáculos, e em 2011, com a comédia “Não existe mulher difícil”.

Sobre este último, concorda: “Esse era um título que hoje não poderia existir, porque é um título extremamente machista. Era um título em cima de um livro. Não estava essa questão do feminino forte nessa época. Tanto é que nem nos pegou. Porque realmente hoje em dia esse título não poderia ser”.

Segundo o ator, era uma peça muito divertida, foi um sucesso estrondoso, o maior de sua carreira no teatro. Mas complementa: “é bom falar disso porque hoje em dia não cabe mais um título desse. A própria peça caberia, mas com outra leitura. O mundo vai mudando. O mundo está evoluindo e a gente tem que evoluir com ele”.

Entrando no tema da live, a professora Hertenha Glauce questionou Serrado sobre o papel do ator em contexto de isolamento social. “Primeiro, vamos falar da dificuldade que a gente vive no Brasil, desde o momento que a gente tem um líder do país que não incentiva esse tipo de coisa, é muito complicado para a sociedade.” E complementou: “Desde o momento que você não tem um líder que incentiva o que a Organização Mundial da Saúde prega, que é as pessoas ficarem em casa, só trabalhar de uma maneira segura, é muito complicado para a sociedade como um todo”.

Marcelo falou então da sua própria experiência: “Nós artistas, tentamos de uma certa maneira. Por exemplo, eu faço muita live, eu ponho no meu Instagram trechos de peças que eu fiz, ou eu leio, por exemplo, muita coisa de Shakespeare".

O convidado abordou também a situação das pessoas que trabalham com arte. “Eu trabalho na Rede Globo, sou funcionário, então para mim é mais tranquilo. Eu, Lázaro Ramos, Selton Mello, vários artistas. Mas e as pessoas que não trabalham? Eu tô fazendo agora uma campanha grande pelo Brasil todo, de ajudar técnicos, e contrarregras, cenotécnicos, camareiros… que vivem disso. O meu contrarregra, por exemplo, que trabalha comigo há 10 anos, comprou um apartamento trabalhando comigo. Só de teatro. E iguais a ele têm vários”, diz.

“É uma indústria muito grande. Houve um movimento de endemonizar os artistas, o que é muito incoerente. A gente é matéria-prima, as pessoas estão em casa vendo séries, filmes, de quem? De nós, artistas.” (Marcelo Serrado)

Diretora do Grupo Mirante de Teatro Unifor, projeto que existe há 36 anos na Universidade de Fortaleza, Hertenha Glauce apresentou a Marcelo Serrado um pouco do que a instituição desenvolve de arte e cultura para seus públicos interno e externo, como o Coral Unifor, a Camerata, a Big Band, sem esquecer de equipamentos como o Espaço Cultural Unifor.

Hertenha também citou os projetos virtuais que estão sendo produzidos devido às medidas de isolamento social, como a “Quarentena Cultural”, disponível no Instagram, e a contação de histórias infantis do projeto Tarde com Arte, acessível no site da Unifor, ambos do Grupo Mirante de Teatro.

As iniciativas foram elogiadas pelo ator. “É um papel tão fundamental da Universidade. É nossa formação como cidadão, a gente sai de uma escola e vai para uma universidade. A gente foca no que a gente quer ser (eu quero ser médico, advogado), mas no meio da universidade você também descobre alguns talentos. Você descobre que ‘será isso mesmo que eu quero?’ Então é um momento de definição e de indefinição. Porque muita gente muda durante uma universidade. Então é fundamental. Primeiro porque o ser humano não vive sem arte”, destacou.

“O ser humano não vive sem arte” (Marcelo Serrado)

Entre as perguntas do público que estava acompanhando a Live, o professor Augusto Carioca, do curso de Nutrição da Unifor, pediu sugestões de livros para este período. Marcelo Serrado deu então suas dicas: “Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã”, uma obra do autor israelense Yuval Harari, professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, de Israel, e “Uma Mulher no Escuro”, do brasileiro Rafael Montes, uma unanimidade em livros de suspense da literatura nacional (“o Stephen King brasileiro”, como destacou Serrado).

O convidado ainda falou como ele acha que será o retorno do teatro pós-pandemia mundial, as comédias e temas leves que serão apresentados porque as “pessoas vão querer rir” e também falou do personagem Crô e da cultura cearense, marcada por grandes atores e personalidades do humor.

Assista a essa live completa logo abaixo.

 

 

Lives do Conhecimento 

O projeto “Lives do Conhecimento” realiza a difusão do conhecimento nas plataformas de comunicação da Universidade de Fortaleza, reforçando a sua missão de promover o ensino de qualidade, a pesquisa e a extensão, nas mais diversas áreas do conhecimento. Além disso, a Unifor estimula o diálogo com grandes nomes do pensamento contemporâneo, nacionais e internacionais, contribuindo para o intercâmbio de ideias não só em salas de aulas, mas também em ambientes virtuais, de modo a ampliar os horizontes de alunos, professores e do público em geral.