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Qua, 6 Maio 2020 12:03

Farmacêuticos unidos no combate ao novo coronavírus

Confira relatos de profissionais da área de Farmácia que atuam na linha de frente do combate à pandemia


Professor Paulo Germano de Carvalho, do curso de Farmácia da Unifor, ressalta o cuidado com a segurança em sua rotina de trabalho (Foto: Divulgação)
Professor Paulo Germano de Carvalho, do curso de Farmácia da Unifor, ressalta o cuidado com a segurança em sua rotina de trabalho (Foto: Divulgação)

O papel do farmacêutico na promoção do bem-estar e qualidade de vida da sociedade é de suma importância. Um profissional com visão ampla e complexa centrada nos fármacos, atua junto ao contexto social e psicológico do paciente para que o tratamento proposto tenha o resultado esperado.

Diante da pandemia causada pelo novo coronavírus (Covid-19), o trabalho do farmacêutico está voltado principalmente para fornecer o acesso a medicamentos, produtos de saúde, análises clínicas, toxicológicas e pesquisas. Em seu cotidiano, esses profissionais enfrentam desafios diários, com dedicação incansável para combater a disseminação do vírus. Confira a seguir relatos de profissionais da área:    

“Em um curto espaço de tempo o novo coronavírus (nCOV) foi considerado um grande problema de saúde pública devido ao seu potencial de transmissão entre espécies diferentes e rápida adaptação devido ao tamanho do seu genona (RNA fita simples) e maior capacidade de sofrer mutações. O aumento exponencial do número de casos de pacientes infectados na China e a disseminação global levaram a Organização Mundial da Saúde a decretar pandemia do nCOV. Em seguida, a OMS convocou todos os países para ativar e intensificar mecanismos emergenciais de resposta, buscar casos suspeitos, isolar, testar e tratar todo episódio de COVID-19, além de identificar as pessoas que tiveram contato com ele. Diante do exposto, o Farmacêutico cumpre na pandemia pelo novo coronavírus o seu papel profissional e social em várias linhas de frente, quer seja nas análises clínicas, na pesquisa, na produção e manipulação de medicamentos e saneantes (álcool gel, álcool a 70%, etc), como também na dispensação e distribuição de medicamentos nas farmácias hospitalares.”  

Daisy Maria, farmacêutica no setor de Tisiologia do Lacen e professora do curso de Farmácia da Unifor. 


“Muito do que se ouvia e se discutia sobre a segurança no Serviço de Saúde foi posto em prova. Trabalhávamos com cuidado na manipulação do sangue total e víamos com menor risco a contaminação através de outros materiais biológicos. Hoje, em meio a presença do vírus devemos considerar outros fluidos, como lavado brônquico, aspirado traqueal, escarro, saliva, fezes, entre outros. Assim também evoluíram os testes, sendo possível determinar a presença da doença ou a evidência de uma exposição anterior. De fato, o profissional se destaca na capacidade de enfrentamento à nova realidade, seja no uso de métodos para detecção de doenças, seja na produção de matérias de consumo e no desenvolvimento de tecnologia e inovação, e sem esquecer, a vigilância às prescrições médicas, haja vista o risco de reações adversas as inúmeras combinações de medicamentos ofertados aos pacientes. Vejo quantas mudanças estão ocorrendo nas relações de trabalho e acredito que atingirá também outros profissionais e estudantes a serem acolhidos nesses ‘novos ambientes’ do cuidado. Cuidado do paciente e também do profissional de saúde, pois é preciso mais segurança, mais critério na execução de tarefas que se repetem em meio a acentuada demanda. Importante é saber respeitar o inimigo, compreender sobre ele, depois saber neutralizado, sem perder a ótica do pensamento crítico, reflexivo e atitudinal. Somos também grandes observadores, e por isso, cientistas.”

Paulo Germano de Carvalho, farmacêutico do Hospital São José e professor do curso de Farmácia da Unifor. 


“No atual panorama de pandemia do novo coronavírus, a rotina de trabalho se intensificou bastante mediante a precisão de garantir o suprimento no momento oportuno e em quantidade suficiente dos medicamentos e materiais necessários. Tivemos que realizar, de forma emergencial, um plano de contingência para adquirir esses insumos e estabelecer critérios de utilização racional. No início foi bastante difícil pois, apesar de termos feito uma programação para aquisição dos materiais com antecedência, os fornecedores não dispunham de estoques suficientes para suprir as necessidades dos todos os hospitais. O que nos restava, neste primeiro momento, era racionalizar o uso dos EPIs que tínhamos em estoque e nos deparamos com a dificuldade do entendimento de várias categorias profissionais em relação ao tipo de EPI necessário para cada procedimento. O mais crítico foi a requisição, pelos profissionais, de máscaras N95 e aventais impermeáveis para realização de procedimentos que não geravam aerossóis. Neste momento oferecíamos a máscara cirúrgica e avental descartável hidro-repelente, igualmente eficazes para os procedimentos que seriam realizados. Temos que estar sempre atualizados em relação às notas técnicas do Ministério da Saúde e da Secretaria de Saúde do Estado do Ceará em relação ao uso de EPIs, repassar sempre as atualizações para a equipe da farmácia hospitalar e demais profissionais da saúde.”

Geysa Aguiar Romeu, farmacêutica hospitalar da Prefeitura Municipal de Fortaleza, farmacêutica do Centro de Informações e Assistência Toxicológica do Ceará (CIATOX-IJF) e professora do curso de Farmácia da Unifor.