angle-left Universidade de Fortaleza é referência na inclusão social de professores

Seg, 6 Janeiro 2020 16:14

Universidade de Fortaleza é referência na inclusão social de professores

Segundo dados do MEC, instituição está entre as 21 universidades brasileiras que apresentam maior taxa de profissionais ativos que possuem alguma deficiência


Professora e pesquisadora da Universidade de Fortaleza, Virginia Moreira. Foto: Ares Soares.
Professora e pesquisadora da Universidade de Fortaleza, Virginia Moreira. Foto: Ares Soares.

Números coletados pela revista Quero, mostram que no Brasil, 21 universidades com mais de 500 professores no corpo docente possuem ao menos 1% de profissionais com esse perfil atuando em sala de aula. Os números, são baseados nos dados do Centro de Educação Superior de 2018, disponibilizados pelo Ministério da Educação (MEC).

A Universidade de Fortaleza faz parte da lista que reúne as 21 universidades com maior taxa de inclusão de professores com deficiência, apresentando 13 profissionais atuando ativamente em sala de aula.

Ainda segundo dados do MEC, o Brasil apresenta apenas 1.731 professores com algum tipo de deficiência, número que representa 0,44% do total de professores no Ensino Superior brasileiro. Os dados evidenciam a necessidade social que deve ser destinada a esta problemática, tornando necessário conhecer o olhar de quem vive essa experiência diariamente.

Sala de aula é lugar para todos!

Willer Cysne é professor da Universidade de Fortaleza há 10 anos e instrutor de libras há 22. Ele iniciou a carreira como instrutor na ASCE-Associação de Surdos do Ceará, e depois atuou no ICES-Instituto Cearense de Educação dos Surdos, CAS e FENEIS.

“Na profissão como instrutor, pude adquirir uma boa experiência de ensino, porém, na Universidade, enriqueci minha metodologia de ensino através das oficinas e orientações pedagógicas que a instituição oferece”, relata Cysne.

Formado em Pedagogia, História e Letras-Libras, Willer ministra a disciplina de Libras, que é aberta a todos os cursos. “A Universidade me estimula a aprender, crescer pessoalmente e profissionalmente com as oficinas, cursos, palestras, seminários e orientações. Tenho contato com professores de diversas áreas. Temos momentos de trocas de conhecimentos que tornam essa experiência muito mais gratificante”, enfatiza o professor.

Quando questionado sobre como os espaços universitários podem aprimorar a comunicação em libras, Willer destaca a obrigatoriedade do ensino da Libras. “No âmbito acadêmico no Brasil, é preciso a obrigatoriedade deste ensino, nos cursos da medicina, enfermagem, na área da saúde em geral, pois, a lei torna obrigatória a disciplina de Libras apenas no curso da fonoaudiologia e educação física. É importante que exista uma lei que exija a formação em libras para esses profissionais, para que se tenha uma boa comunicação no momento de atendimento”, completa o professor.

Professora e pesquisadora na área da psicologia clínica e transtornos mentais, com pós-doutorado em Antropologia Médica pela Harvard Medical School, Virginia Moreira atua há 20 anos, como professora titular do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade de Fortaleza.

Além disso, ela também trabalha como psicoterapeuta em seu consultório em Fortaleza. “As pesquisas que desenvolvo na Universidade de Fortaleza com os meus alunos de doutorado, mestrado e graduação, me mantêm sempre muito atualizada teoricamente. Por outro lado, a experiência clínica de consultório me possibilita um ensino da prática clínica cotidiana”, explana Moreira.

Durante sua trajetória, em 2017 a professora sofreu um acidente que agravou algumas dificuldades de locomoção, já existentes por conta de uma paralisia infantil. Desde então, necessitou de alguns cuidados especiais no campus.

Sobre a inclusão na Universidade, Virgínia destaca que não vê problemas em possuir, mais recentemente, alguma limitação física leve em seu trabalho cotidiano. “Acredito que a Universidade de Fortaleza é receptiva à minha situação atual. Em minha experiência, nosso ambiente é de respeito e acolhimento das dificuldades, na medida do possível”, completa a pesquisadora.