Biblioteca Digital de Teses e Dissertações

Título: A questão do desenvolvimento na época do antropoceno no semiárido brasileiro
Autor: Farias, Lia Moreira
Programa: Mestrado Em Administração De Empresas
Data da defesa: 28/02/2020

Orientador:
Marquesan, Fabio Freitas Schilling

Banca examinadora:
Marquesan, Fabio Freitas Schilling
Figueiredo, Marina Dantas De
Fantinel, Letícia Dias

Assunto:
Migração
Desenvolvimento Econômico - Brasil - Nordeste

Resumo: Este compilado de dois artigos tem como objetivo geral investigar como a busca pelo desenvolvimento influenciou a degradação socioambiental do semiárido nordestino brasileiro. A ideia de desenvolvimento que foi instaurada a partir de 1950 no Brasil pautou diversas formas de organização, consumo e relacionamento com a sociedade em geral e o meio ambiente. Para a ideologia hegemônica dominante, aspectos como progresso técnico e industrialização são alguns dos componentes que condicionam a possibilidade de desenvolvimento. Décadas depois da popularização desse termo, o planeta se encontra em um momento de alerta por causa da intensa degradação dos recursos naturais. O Antropoceno é um dos nomes mais difundidos para traduzir o momento geológico atual. Entre os motivos que levaram a este estado de coisas, a busca pelo progresso técnico a qualquer custo e o extrativismo são algumas das mais abordadas. Este processo pôde ser observado entre os anos de 1959 e 1969 no Nordeste, em seu processo de industrialização, fomentado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste e pelo Grupo de Trabalho pelo Desenvolvimento do Nordeste. Esses órgãos promoveram ações de industrialização e combate às secas visando o desenvolvimento regional. No entanto, o Nordeste, até os dias atuais, ainda apresenta altos níveis de subdesenvolvimento. Por esse motivo, o desenvolvimento, como é conhecido, é criticado por vertentes dos estudos organizacionais que o consideram uma forma moderna de dominação e colonização. Por causa da crise ambiental e da econômica que afetam severamente as regiões mais pobres, as migrações por causa de fatores climáticos e socioeconômicos são esperadas em todo mundo. O Nordeste, em contrapartida, chegou a apresentar uma diminuição desses índices, redução que aconteceu simultaneamente à mudança de racionalidade que permeia a região, substituindo as práticas de combate à seca pela agroecológica ¿convivência com o semiárido¿. Por meio de duas pesquisas documentais, este estudo crítico promove uma análise das políticas do passado desenvolvimentista e as contrasta com as políticas colaborativas que, de certa forma, modificaram a situação até o presente. No primeiro estudo percebeu-se que a percepção do atraso econômico, que compreendia a maior parte da humanidade no período após a Segunda Guerra, foi essencial para mesclar as ideias de desenvolvimento e modernização inclusive no Nordeste do Brasil. A partir da análise dos documentos, o relatório do Grupo de Estudos do Desenvolvimento do Nordeste e os Planos Diretores da Sudene, foram encontrados elementos de colonização como a absorção do excedente populacional de áreas rurais. Além disto, foi destacado como práticas de caráter assistencialista tiveram efeitos sociais e ambientais. Entre as consequências abordadas pelo primeiro estudo está o êxodo rural, tema explorado no segundo artigo da coletânea. Neste artigo, após a análise dos dados, chegou-se à conclusão que iniciativas como a mobilização social visando o acesso a recursos hídricos e alimentares e à geração de renda são peças chave para que a migração do campo para a cidade seja reduzida, ainda que em um contexto de degradação ambiental e mudança climática. Palavras-chave: Desenvolvimento. Antropoceno. Semiárido. Migrações.

Abstract: This compilation of two articles has the general objective of investigating how the search for development influenced the socioenvironmental degradation of the Brazilian Northeast semiarid. The idea of development that was established since 1950 in Brazil guided several forms of organization, consumption, and relationship with society in general and the environment. For the dominant hegemonic ideology, aspects such as technical progress and industrialization are some of the components that condition the possibility of development. Decades after the popularization of this term, the planet is in a moment of alert because of the intense degradation of natural resources. The Anthropocene is one of the most widespread names to translate the current geological moment. Among the reasons that led to this situation, the search for technical progress at any cost and extractivism are some of the most addressed. This process could be observed between the years 1959 and 1969 in the Northeast, in its industrialization process, promoted by the Superintendence of Development of the Northeast and by the Working Group for the Development of the Northeast. These bodies promoted industrialization and drought-fighting actions aimed at regional development. However, the Northeast, up to the present day, still presents high levels of underdevelopment. For this reason, development, as it is known, is criticized for aspects of organizational studies that consider it a modern form of domination and colonization. Because of the environmental and economic crisis that severely affect the poorest regions, migrations due to climatic and socioeconomic factors are expected worldwide. The Northeast, on the other hand, came to show a decrease in these indexes, a reduction that happened simultaneously to the change in rationality that permeates the region, replacing drought-fighting practices with agroecological ¿living with the semiarid¿. Through two documentary researches, this critical study promotes an analysis of the policies of the developmentalist past and contrasts them with the collaborative policies that, in a way, modified the situation up to the present. In the first study, it was realized that the perception of economic backwardness, which comprised most of humanity in the period after World War II, was essential to mix the ideas of development and modernization even in Northeast Brazil. From the analysis of the documents, the report of the Development Study Group of the Northeast and the Master Plans of Sudene, elements of colonization were found, such as the absorption of the population surplus in rural areas. In addition, it was highlighted how welfare practices had social and environmental effects. Among the consequences addressed by the first study is the rural exodus, a theme explored in the second article of the collection. In this article, after analyzing the data, it was concluded that initiatives such as social mobilization aimed at access to water and food resources and income generation are key to reducing migration from the countryside to the city, even though in a context of environmental degradation and climate change. Key-words: Development. Anthropocene. Semiarid. Migrations.

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