angle-left Mulheres na Ciência: Mariana López conta a sua trajetória na área social e pesquisa científica

Sex, 13 Março 2020 19:11

Mulheres na Ciência: Mariana López conta a sua trajetória na área social e pesquisa científica

Com uma história de lutas e desafios na área social, Mariana acredita que para fazer ciência é necessário aliar os conhecimentos teóricos a experiências práticas.


Mariana López é docente do Centro de Ciências Jurídicas da Universidade de Fortaleza
Mariana López é docente do Centro de Ciências Jurídicas da Universidade de Fortaleza

Durante o mês de março, a Universidade de Fortaleza vem divulgando a história de mulheres cientistas que estão presentes no campus compartilhando conhecimento. A iniciativa ocorre em alusão ao Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março. A entrevistada desta semana é a Assistente Social e professora do curso de Direito, Mariana López

Pesquisadora do Núcleo de Estudos do Direito do Trabalho e Seguridade Social, cadastrado no Diretório de Pesquisa do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPQ, a docente ministra as disciplinas de Sociologia Geral e do Direito, Ciência Política, Antropologia Jurídica e Monografia I do Centro de Ciências Jurídicas. E tem uma trajetória profissional engajada nas questões sociais. 

Mulher, Cientista e Professora, Mariana conta a sua trajetória de lutas e desafios. Confira a entrevista: 

UNIFOR: Mariana, conta um pouco da sua vida profissional e qual a sua área de pesquisa? 
PROFA. MARINA LÓPEZ: Sou pernambucana e Assistente Social. Há cinco anos sou docente do curso de Direito da Universidade de Fortaleza. Minha trajetória profissional é na área social, da graduação até o mestrado, doutorado e projetos afins, e eu passo os meus conhecimentos dessa área para os alunos, porque o meio jurídico está diretamente ligado ao campo social. No meu percurso acadêmico sempre dei muita importância em unir a teoria e a prática, pois eu não consigo visualizar a pesquisa sem conhecer a realidade.

UNIFOR: Qual o maior desafio da ciência dentro da Universidade? 
PROFA. MARINA LÓPEZ: Várias vezes falo que na universidade precisamos “sair dos mundos”, não faz sentido uma universidade voltada para dentro. Então, o grande desafio é sairmos daqui. Essa é a diferença em pensar o Direito no ensino, pesquisa e extensão. Dentro dessa perspectiva, faço parte da rede de pesquisa empírica do Direito que tem várias publicações, congressos e eventos. E, recentemente, fizemos o lançamento do livro População em Situação de Rua e Catadores de Resíduo: Invisibilidade e Cidadania nas Ruas de Fortaleza, dentro do Programa Cidadania Ativa – evento que teve participação dos alunos da graduação, o que o torna ainda mais importante. Pelo título dá para perceber que essa obra não foi feita só com pesquisa bibliográfica. Fomos às ruas e nos deparamos com a realidade concreta da cidade. A prática nos faz visualizar muito mais a teoria. Então, esse é o grande desafio: reinventar e refazer a ciência dentro da Universidade. 

UNIFOR: Como é para você ser mulher e trabalhar em um campo predominantemente masculino, que é a ciência? 
PROFA. MARINA LÓPEZ: Como tenho uma trajetória na área social, não tive grandes problemas em ser mulher, porque essa área no Brasil é realmente dominada pelo sexo feminino. É diferente da pesquisa na área da saúde ou da tecnologia, que é predominantemente masculina. Mas acredito que existam outros desafios a serem superados na ciência, além da questão do gênero. É o achismo e a negação de dados que nos está posto. E eu realmente faço e acredito na pesquisa baseada em dados. E a negação da ciência é um fator que também me preocupa muito na minha área de atuação, que é o social.

UNIFOR: O que a ciência significa na sua vida? 
PROFA. MARINA LÓPEZ: Ser cientista para mim é trazer as vivências práticas para dentro da teoria e como professora levar isso para dentro de sala de aula. É sair do nosso lugar, porque quando saímos do lugar da gente, conhecemos mais o nosso lugar. Eu morei em vários locais do Brasil, conheci o país de Norte a Sul. E isso faz diferença na sala de aula para ensinarmos as questões sociais, porque eu conheci a realidade da pobreza, do direito e do não direito. Também morei um ano em Toronto, no Canadá. E quando eu estava lá olhei para o Brasil de uma forma que eu não tinha visto e lido em livro algum, isso é um grande diferencial. Da mesma forma, quando eu morei em Icapuí, litoral do Ceará, aprendi sobre Políticas Públicas como nunca tinha aprendido. Todos esses locais me proporcionaram uma visão diferenciada. E eu sempre estudei muito. Leio muito, mas eu não consigo pesquisar se só estiver dentro de uma sala, no conforto e no ar condicionado, sem conhecer a realidade mundo fora dos muros da Unifor, sem conhecer a rua.