angle-left Quando artes visuais e literatura se unem: espaços da Unifor exploram união de linguagens

Sex, 29 Maio 2020 18:02

Quando artes visuais e literatura se unem: espaços da Unifor exploram união de linguagens

Espaço Cultural e Biblioteca de Acervos Especiais da Universidade de Fortaleza permitem um olhar aproximado sobre a convergência artística.


Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela UFC, Pedro Boaventura é especialista em Iluminação e Design de Interiores pela Universidade Castelo Branco e mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (Foto: Ares Soares)
Graduado em Arquitetura e Urbanismo pela UFC, Pedro Boaventura é especialista em Iluminação e Design de Interiores pela Universidade Castelo Branco e mestre em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Presbiteriana Mackenzie (Foto: Ares Soares)

Embora possuam potencialidades próprias, que permitem sua existência separada, a imagem e a palavra co-existem no pensamento humano: o visual evoca sentimentos que são traduzidos em palavras, e estas, por sua vez, constroem cenários em nossas mentes. “Somos seres visuais, pois interpretamos o mundo principalmente por meio desse sentido, e quando um autor escreve, cria-se em nossa mente imagens, alegorias, cores e formas que completam o significado do que estamos lendo”, comenta Pedro Boaventura, que é docente do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Fortaleza, instituição da Fundação Edson Queiroz (FEQ).

De acordo com ele, essa relação complementar se manifesta no campo das artes de forma primordial, por intermédio da literatura e das artes plásticas. “É uma ligação arcaica que remonta às primeiras epopeias escritas na Mesopotâmia e Egito, com destaque para a farta produção plástica dos gregos a partir das sagas Odisséia e Ilíada”, explica o arquiteto, que nutre paixão pelo meio artístico.  

Como uma entidade educacional que reconhece a arte e a cultura como manifestos da expressão e da história humana, dois dos espaços da instituição são capazes de demonstrar a convergência entre o texto e a imagem: o Espaço Cultural Unifor e a Biblioteca Acervos Especiais. São locais que se comparam a baús de tesouro: o primeiro abriga a coleção de obras de arte da FEQ, enquanto o segundo resguarda livros raros e publicações especiais que resistem, com muito cuidado, ao tempo. 

Para Boaventura, “a Universidade de Fortaleza se destaca nacionalmente por ser a casa de duas riquíssimas coleções, uma de artes plásticas e outra de literatura, que ilustram muito bem a ligação entre esses dois campos. A Biblioteca Acervos Especiais possui uma impressionante amostragem de livros raros nos quais as qualidades de impressão e ilustração, de perfeição e perícia artística, se somam à conteúdos de grande importância técnica e social.”

Ao falar sobre o Espaço Cultural, o estudioso salienta sua pluralidade histórica. “O acervo da Fundação Edson Queiroz é uma valiosa amostragem de cinco séculos de arte brasileira onde se pode contemplar desde nossas mais antigas representações, datadas do século XVII, até obras contemporâneas recentes. A diversidade de técnicas, enfoques e artistas desta coleção e sua relação próxima com realidade do Brasil potencializam a capacidade da arte de esclarecer e  provocar epifanias sobre a vida e o mundo, para as quais outras formas de comunicação nem sempre são eficazes”.

Espaços que comungam 

Segundo a bibliotecária Ana Wanessa Bastos, a Biblioteca Acervos Especiais possui parte de seu acervo raro voltado à arte: são catálogos de grandes artistas do Modernismo brasileiro que integram o Espaço Cultural Unifor e que compõem a Coleção da Fundação Edson Queiroz. Dentre eles, Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Ismael Nery e Cândido Portinari; nomes que também podem ser encontrados em exemplares assinados, primeiras edições e álbuns com ilustrações originais. 

Um exemplo desses itens especiais encontrados na Biblioteca é um exemplar da obra “Menino de Engenho”, de José Lins do Rego, da coleção Sociedade dos Cem Bibliófilos do Brasil, com Ilustrações originais de Cândido Portinari. "O clássico romance regionalista traz profundas observações que um menino faz sobre um engenho. Cândido Portinari realiza um trabalho extraordinário em água forte e água tinta sobre papel, onde suas gravuras são capazes de narrar a história tanto quanto as palavras", compartilha Ana Wanessa. 

O livro-arte 

“Mais recentemente uma outra relação entre arte e literatura apareceu quando os artistas não se limitaram à maneira tradicional de ilustrar o texto mediante imagens colocadas entre as páginas, mas tornaram o próprio livro um objeto de arte, introduzindo mudanças gráficas, de forma, de encadernação e outros surpreendentes recursos”, conta Pedro Boaventura. “São híbridos fascinantes, parte objeto artístico, parte literatura, nos quais os limites, frequentemente, são imprecisos”. 

O livro enquanto objeto artístico sempre foi um grande desafio para o mercado editorial, sendo majoritariamente reproduzido em tiragens muito limitadas. É o caso de “Fantoches da Meia-Noite”, obra com quatorze desenhos de Di Cavalcanti e publicada por Monteiro Lobato em 1921. Estimada em cinquenta exemplares, é uma edição com formato considerado inovador para a época, pois mescla criações exclusivas de um renomado artistas plástico - Di Cavalcanti possui várias de suas obras na Coleção da FEQ - com literatura. Esta e outras publicações do gênero podem ser encontrada na Biblioteca de Acervos Especiais.

Visita virtual

Se deseja conhecer mais sobre os acervos de arte e literatura da Universidade durante a quarentena, o Espaço Cultural Unifor está disponível para ser visitado virtualmente. Uma coleção de imagens em 360º permite que os internautas “passeiem” online por entre suas dependências, incluindo todos os seus andares e imagens de mostras realizadas anteriormente, como a “Antonio Bandeira - Um Abstracionista Amigo da Vida” e a XIX Unifor Plástica. O catálogo completo da Biblioteca de Acervos Especiais pode ser visitado aqui.