Em Cartaz

 

“São dois mundos tão distantes que ousaram se encontrar!”. Essa frase, no epílogo da peça, revela o tema que teve centralidade nesta montagem de Pequena Sereia: a interculturalidade. Distintos modos de compreender a vida, de vivenciar o encontro com o outro ou de manter os preconceitos que distanciam, são unidos por uma paixão entre uma sereia e um pescador.

A proposta da interculturalidade também está presente na dramaturgia, que mescla um clássico conto do século XIX, de Hans Christian Andersen, e uma lenda cearense – A Pedra da Moça –, ouvida no município de Icapuí, litoral leste do estado.

A peça apresenta o conflito de uma sereia jovem e sonhadora – muito diferente das míticas sereias, mulheres com caudas de peixe que encantam e levam homens para o fundo do mar – que idealiza viver um amor com um ser humano e, assim, ganhar uma alma imortal.

A despeito dos conselhos da avó e da irmã mais velha para que abandone esse intento, a sereia decide encontrar o seu amor e, para tanto, pede a ajuda da Feiticeira do Mar, uma água-viva, que lhe cobra um alto preço por seus préstimos. Rumores do seu aparecimento perturbam a tranquilidade de uma pacata aldeia à beira-mar, exigindo do apaixonado pescador José muito engenho para que seus companheiros não descubram o paradeiro da jovem.

Durante a peça, uma tartaruga – considerada um animal de vida longa, símbolo de sabedoria, habitante do mar e da terra – assume o papel de contadora de histórias e traz reflexões, apresenta pontos de vista, estimula a curiosidade da plateia: “vocês, por acaso, já ouviram falar de romance entre pescador e sereia que tenha dado certo?”.

Músicas, movimentos circenses, técnicas de representação, cenários, figurinos e adereços que presentificam os universos do fundo do mar e da terra são utilizados para falar poeticamente de afetos, de desejos, do olhar do outro, das intolerâncias e do medo do desconhecido que há em nós.

Ao fim da peça, a esperança num mundo em que seja menos difícil amar: “no espelho do mar ou na areia da praia, o romance tem sua cor. O mundo observa, ao longe, ensaia florescer tão belo amor!”

Serviço

Pequena Sereia
Datas: 11 e 12 de janeiro de 2020 (sábado e domingo)
Horário: às 17h 
Local: Teatro Celina Queiroz
Ingressos: R$ 30,00 (inteira) e R$ 15,00 (Meia)
Mais informações: 3477-3033 ou 3477-3290 

 

 

Como é comum no universo das óperas, primeiro conhecemos uma ária que se tornou popular – as árias são composições musicais para cantores/as solistas que são parte da obra – para somente depois sabermos a história que é contada naquela peça. Com A Flauta Mágica, de modo geral, não é diferente. Muitos de nós conhecemos a ária da Rainha da Noite, com seus sons agudos incríveis, tão utilizada em filmes e comerciais de tevê e executada por musicistas no mundo inteiro. Mas você conhece o enredo de A Flauta Mágica? 

Trata-se de uma história de travessia. O príncipe Tamino fará uma viagem – com as benções de seu pai, rei de Houres – a um templo distante, em busca de conhecimento e coragem. Acontece que, no início da jornada, o príncipe é abordado por Astrafiamante, a Rainha da Noite, que o instiga a salvar sua filha, princesa Pamina. De acordo com a Rainha, Pamina foi sequestrada por Sarastro, sacerdote do Templo da Sabedoria, para onde Tamino se destinava. E agora? Embora o curso da viagem fosse o mesmo, qual seria o propósito do jovem príncipe?

Tocado pelo sofrimento da Rainha e pela beleza da princesa – a ele apresentada numa pintura magistral –, Tamino decide libertar a moça da prisão imposta pelo falso sábio. Para a expedição, Astrafiamante concede ao príncipe a companhia de Papagueno, um passarinheiro tagarela, e lhe dá dois presentes que podem ser úteis diante de situações perigosas: uns sinos encantados e uma flauta mágica com poderes extraordinários.

O percurso até o templo e a estada naquele lugar são repletos de aventuras e desafios: caçar seu próprio alimento, enfrentar tempestades torrenciais, sentir o calor de um incêndio na floresta, vacilar em relação a seguir ou regressar, serem presos e levados a um calabouço, enfrentar um homem mau, cumprir provas arriscadas.

A obra A Flauta Mágica, com libreto de Emanuel Schikaneder e músicas de Wolfgang Amadeus Mozart, foi concluída em 1791, justo na passagem da Idade Moderna para a Idade Contemporânea, na eclosão da Revolução Francesa. Assim, os ideais revolucionários de liberdade – individual, religiosa e política –, igualdade e fraternidade atravessam essa história de ousadia, de determinação e de afeto.

Nesta montagem do Grupo Mirante de Teatro Unifor, dedicada sobretudo a crianças e adolescentes, a peça ganha o tom do enigma, do mistério, tão ao gosto dessas faixas etárias. Projeções, imagens simbólicas, desenhos geométricos, tons de cinza, seres míticos e personagens de reinos distantes são apresentados pela adaptação dramatúrgica de Fernando Leão e a direção geral de Hertenha Glauce.

Um encontro fecundo de profissionais ligados aos Grupos de Arte da Unifor – Grupo de Teatro, Coral, Cia. de Dança e Camerata – para recriar A Flauta Mágica, aquela que foi a mais popular e a última das óperas que Mozart, além de compositor, atuou como o regente da orquestra, meses antes de seu falecimento. 

Olhos e ouvidos atentos! Venham! Atravessemos reinos, bosques e templos. Juntos! O caminho é que move à viagem!

Serviço

Espetáculo “A Flauta Mágica”
Datas: 18, 19 e 26 de janeiro de 2020
Horário: 17h 
Local: Teatro Celina Queiroz
Ingressos: R$ 30,00 (Inteira) e R$ 15,00 (Meia-entrada)
Venda de ingressos na Loja do Campus Unifor  ou Vendas Online

Ficha Técnica

Texto: Emanuel Schikaneder
Músicas: Wolfgang Amadeus Mozart
Adaptação Textual: Fernando Leão
Direção Artística e Produção: Hertenha Glauce
Orientação Vocal: Carlos Prata
Orientação Coreográfica: Márcio Carvalho
Orientação Flauta: Cleylton Gomes
Figurinos e Adereços: Yuri Yamamoto
Confecção de Máscaras: Deyvson Freitas
Execução de Figurinos: Cássia Soulier, Elô Silva e João Rodrigues
Cenografia: Hertenha Glauce e Elva Bessa
Maquiagem: Emaynária Martins
Iluminação: Luís Biano
Projeções: Emanuel Soares
Desenhos: Lara Lobo
Fotos: Diretoria de Comunicação e Marketing Unifor (Ares Soares)
Operação de Áudio: Jessé Leão
Operação de Luz: João Mourão
Operação de Projeções: Ildo Mota
Auxiliar Dd Palco: Daniel Franco
Coordenação Técnica/Teatro: Waldenizya Marques
Realização: Vice-Reitoria de Extensão da Universidade de Fortaleza

Elenco:

  • Tamino: Bruno Teixeira
  • Pamina: Emaynária Martins
  • Rainha da Noite: Daniella De Lavôr
  • Rei de Houres e Sarastro: Ivan Lourinho
  • Papagueno: Jotacílio Martins
  • Monostatos: Eurico Mayer
  • Ser Encantado, Criança e Papaguena: Annalies Borges
  • Ser Encantado e Criança: Bruno Ponte