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Ter, 8 Janeiro 2019 10:09

Aluno do Mestrado em Informática Aplicada da Unifor publica artigo em revista internacional

Caio Ponte analisou dados na rede de transporte de duas grandes cidades: Fortaleza e Dublin. O artigo foi veiculado na revista European Physical Journal Data Science. (Foto: Ares Soares)
Caio Ponte analisou dados na rede de transporte de duas grandes cidades: Fortaleza e Dublin. O artigo foi veiculado na revista European Physical Journal Data Science. (Foto: Ares Soares)

O aluno Caio Ponte, mestrando em Informática Aplicada, juntamente com uma equipe de pesquisadores do Laboratório de Engenharia do Conhecimento (LEC) da Unifor e colaboradores da UFC e IFCE, publicaram o artigo “Heterogeneidade de trajetórias no Transporte Público”, em inglês “Traveling heterogeneity in public transportation”.

Recentemente o estudo foi publicado na revista European Physical Journal Data Science (EPJ DataScience). A pesquisa analisou a qualidade do transporte público, e em uma perspectiva futura, buscou saber se a distribuição não homogênea do tempo no espaço, causa uma sensação ruim para o passageiro, uma sensação de que ele está demorando mais do que ele esperava. Difícil de entender? Nem tanto.

Resultados

Imagine que você precisa se deslocar do ponto A ao ponto B de ônibus, mas no meio do caminho, fica preso em um engarrafamento, situação comum para a maioria dos moradores da grande Fortaleza. No artigo, foi constatado que algumas pessoas passam 80% do tempo que levariam para chegar ao ponto B, parados numa pequena porção de espaço, 20%. Ou seja, passamos 80% do tempo que deveria ser gasto para chegar ao nosso destino, em apenas 20% do espaço (parado no trânsito).

Esse princípio, 80/20, ou Lei de Pareto, foi criada pelo economista italiano Vilfredo Pareto, e diz que 80% das consequências advêm de 20% das causas. Para simplificar, vamos dar um exemplo: é como se 80% da riqueza mundial estivesse nas mãos de 20% das pessoas ou 80% da poluição fosse causada por 20% dos países. Esse princípio foi aplicado à pesquisa e medido por um instrumento chamado GINI (mede o grau de concentração de renda em determinado grupo, apontando a diferença entre os rendimentos dos mais pobres e dos mais ricos).

Apesar do GINI ser utilizado para medir concentração de renda, Caio Ponte e Hygor Piaget notaram que também poderia ser utilizado para fazer a medição de tempo e espaço no trânsito. “Supondo que eu quero percorrer 3 quilômetros, será que eu não passo a maior parte do tempo em uma pequena fração desse espaço? O ideal seria que eu percorra o espaço de forma mais fluida, mas na maioria das vezes o trânsito é concentrado em pequenas regiões e isso causa um impacto muito grande”, conta Hygor, pesquisador do IFCE.

Esses impactos têm como consequência a diminuição da eficiência da malha de transporte da cidade, e no artigo, é especulado que isso provavelmente causaria mais poluição. Fora os transtornos nas pistas e provável poluição do ambiente, o tempo que passamos no ônibus pode interferir na nossa saúde, diminuindo a eficiência e qualidade no trabalho.

Caio fala que os testes foram feitos com dados do sistema público de transporte das cidades de Fortaleza e Dublin (Irlanda) e comenta a importância do planejamento urbano. “A importância disso é que podemos identificar quais rotas são ruins para ajudar a melhorar a rede de transporte da cidade. Dessa forma, a principal entidade beneficiada é a sociedade, já que ela realiza comutação todos dos dias (ir da casa pro trabalho/escola/faculdade e vice-versa). Esse estudo serve como um insumo para engenheiros de trânsito poderem tomar melhores decisões de onde intervir na cidade”, destaca ele.

Caio e Hygor explicam que a parte mais interessante da pesquisa, foi a criação de um indicador de qualidade do sistema público de transporte, e para cada linha de ônibus, um indicador (número) diferente. “Assim, esse indicador consegue prever atrasos dos ônibus e mostra que ele cresce em horários de pico, onde a mobilidade é a pior possível. O objetivo era ver isso e como resumir essa informação super complexa que é o sistema público de transporte de fortaleza”, afirmam.