angle-left Dia do Enfermeiro: profissionais no front contra a Covid-19

Seg, 11 Maio 2020 11:29

Dia do Enfermeiro: profissionais no front contra a Covid-19

Professoras de Enfermagem da Unifor contam sobre os desafios cotidianos na batalha contra o novo coronavírus em unidades de saúde.


Professora Karoline Oliveira, coordenadora do curso de Enfermagem da Universidade de Fortaleza (Foto: Divulgação)
Professora Karoline Oliveira, coordenadora do curso de Enfermagem da Universidade de Fortaleza (Foto: Divulgação)

No dia 12 de maio é comemorado o Dia Internacional da Enfermagem e do Enfermeiro. No Brasil, além destas datas, dos dias 12 a 20 de maio comemora-se ainda a semana da Enfermagem, com o objetivo de homenagear uma profissão milenar que salva vidas cotidianamente e promove o bem-estar e a saúde de toda a sociedade. 

Em meio ao estado de pandemia global pelo coronavírus (Covid-19), os profissionais da área de saúde têm desempenhado um papel de vital importância na batalha contra a doença nos hospitais e demais unidades de atendimento. Entre os mais diversos tipos de especialidades, os profissionais em Enfermagem são os que acompanham e cuidam muito de perto dos pacientes, desempenhando uma atuação diária essencial na atenção e humanização dos infectados.

Nesse front de combate, os docentes da graduação em Enfermagem da Universidade de Fortaleza, da Fundação Edson Queiroz, não só estão atuando pedagogicamente junto aos alunos de forma remota, mas também de forma direta. “Somos a linha de frente do atendimento aos pacientes com a Covid-19”, constata Karoline Oliveira, coordenadora do curso, “ocupamos todos os espaços da Rede de Atenção à Saúde, com maior quantitativo de profissionais”.

Karoline explica que o protagonismo do cuidar é o que diferencia o profissional de Enfermagem das outras áreas da saúde. “A prática do cuidado é desenvolvida de forma permanente, sem intervalo, durante as 24 horas do dia, ou seja, sempre vai ter um profissional à beira do leito para atender as necessidades do paciente e/ou cumprir com o plano de cuidados”, completa.

Além do cuidado direto ao paciente, a coordenadora ressalta a inserção dos profissionais enfermeiros na gestão dos serviços e sistemas de saúde, desenvolvendo ações gerenciais de diagnóstico, planejando, organizando, monitorando, gerindo, monitorando e avaliando as práticas assistenciais através de instrumentos e tecnologias de gestão. Karol também sinaliza as lutas que travam pelas condições dignas de trabalho:“O fornecimento de Equipamentos de Proteção Individual – EPIs – para o enfrentamento da pandemia foi garantido através de movimentos dos profissionais junto aos Conselhos Regionais e Federal de Enfermagem”, destaca a professora.

O curso de Enfermagem da Unifor tem atuado de diversas formas além das atividades virtualizadas com os alunos, conforme assinala a professora. Ela conta que a gestão da graduação tem se comprometido com a multiplicação das informações necessárias no combate à pandemia. Já os docentes, para além do pedagógico “estão atuando como verdadeiros protagonistas da linha de frente”, conclui Karoline.

Confira abaixo os depoimentos de docentes da Unifor que são profissionais da Enfermagem e contam um pouco sobre sua rotina e principais desafios neste momento de pandemia. 

"A minha rotina de trabalho mudou muito. Além de ser professora da Universidade há 16 anos, eu sempre atuei como enfermeira, que é minha formação base. Eu sou concursada do Governo do Estado, lotada no Hospital Geral de Fortaleza e trabalho na sala de recuperação do maior centro cirúrgico do estado, tanto em tamanho quanto em volume de cirurgias. Então, o meu setor foi escolhido para ser a UTI Covid do HGF e isso teve um impacto direto em todas nós que trabalhamos lá. Foi facultado quem gostaria de ficar e quem seria remanejado para outro setor e eu escolhi ficar no meu setor de origem. Tanto pela colaboração com o serviço quanto pela minha expertise, porque também sou professora da Pós-Graduação em Terapia Intensiva em Enfermagem desde a primeira turma. Dessa forma, não tinha como não estar envolvida nesse processo. Primeiro teve essa adaptação no serviço e também teve uma adaptação pessoal porque houve um temor muito grande, nós ficamos temerosos, sim, toda a equipe ficou. Só que sentimos muito o apoio do serviço, nós somos treinadas, foram e são oferecidos os EPIs adequados, nós temos toda a paramentação que a gente precisa para atuar com esses pacientes. Isso dá um respaldo maior e uma segurança muito grande para atuarmos."

Adna Ribeiro Braquehais, enfermeira do Hospital Geral de Fortaleza e docente do curso de Enfermagem Unifor

"O que mudou na minha rotina de trabalho na assistência que realizo aos pacientes em Terapia Intensiva foi a adaptação do local e treinamento da equipe na paramentação e desparamentação para diminuir o riscos de contaminação dos profissionais. Quanto à assistência prestada aos pacientes, já trabalho com pacientes críticos com doença infecciosas há 17 anos, atendendo pessoas com Tuberculose Pulmonar Multirresistente, Raiva Humana, Meningites Bacterianas, Influenza H1N1. Já trabalho no Hospital São José há 28 anos e sempre fui muito criteriosa em relação a utilização de precauções e equipamentos de proteção individual. Tendo isso em mente, realizo meu trabalho. Não deixo de ficar um pouco apreensiva da possibilidade de trazer alguma contaminação para as pessoas que convivem comigo, principalmente meus filhos. Antes da pandemia, eu conciliava minhas atividades de estágio, plantões e vida familiar. Hoje, vou para os plantões, faço isolamento social, planejo e realizo aulas remotas com os  alunos e converso com meus familiares por WhatsApp."

Ana Cláudia Lima, enfermeira do Hospital São José e docente do curso de Enfermagem Unifor.