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Qui, 18 Junho 2020 17:20

Entrevista Nota 10: Para além do emprego

Professora Karol Mota, gestora da Central de Carreiras Unifor, fala sobre as oportunidades e desafios ao iniciar uma vida profissional


Karol Mota é gestora da Central de Carreiras da Universidade de Fortaleza (Foto: Ares Soares)
Karol Mota é gestora da Central de Carreiras da Universidade de Fortaleza (Foto: Ares Soares)

Envolvimento precoce. Repertório múltiplo. Senso de oportunidade. Atitude e ampla visão de mundo. Eis algumas competências da ordem do sensível que, segundo a professora da Universidade de Fortaleza e gestora da Central de Carreiras, Karol Mota, fazem do profissional em formação alguém diferenciado no mercado de trabalho, seja em que área possa atuar. Em entrevista, ela chama atenção para os desafios e brechas que se abrem durante e pós-pandemia para quem está prestes a iniciar uma vida profissional, chamando atenção para as oportunidades contidas dentro da própria universidade e, em particular, na Central de Carreiras. Para Karol, se a crise está posta e o cenário é instável e complexo, será preciso, mais do que nunca, olhar nos olhos do próprio tempo e insistir na abertura de novos caminhos de conhecimentos e experiências que sejam capazes de impulsionar o homem a trabalhar para dar ainda mais significado a sua vida.

Unifor: Diante da pandemia global que estamos vivendo o que vem lhe chamando mais atenção nesse cenário complexo e de instabilidade quanto ao comportamento do mercado de trabalho no Brasil? É ainda maior agora a importância do ensino superior para a manutenção dos empregos e na busca por novas oportunidades?

Karol Mota: Sem a menor dúvida, ter ensino superior faz e fará ainda muita diferença. Isso acontece porque a educação superior é grande semeadora de senso crítico e leitura reflexiva, elementos primordiais para uma atuação profissional diferenciada. Períodos de crise requerem exatamente essa atuação diferenciada. Só um profissional qualificado poderá promover mudanças efetivas e atuar assertivamente na reconstrução que precisa acontecer no momento pós-covid também. Portanto, embora saibamos que haverá redução na oferta de postos de trabalho, o impacto será menor para os profissionais que possuem educação superior e, sobretudo, para aqueles que buscam viver sua formação com muito envolvimento, trabalhando além das questões técnicas compatíveis à sua área de atuação, mas também buscando meios de desenvolvimento de suas competências socioemocionais.

Unifor: O impacto da Covid-19 na economia brasileira já nos antecipa uma redução do número de vagas ofertadas pelas empresas, o aumento do desemprego, a redução da renda e da jornada de trabalho, além da suspensão de contratos de trabalho. Já é possível vislumbrar uma tendência de crescimento da informalidade e dos negócios online ou não? Como a universidade vem se preparando para essa possível mudança de cenário?

Karol Mota: Sim, a redução de vagas é um cenário que se anuncia. No entanto, pesquisa recente publicada pela Semesp confirma o que temos percebido de que o desemprego e a perda de renda serão mais fortes entre trabalhadores com menor escolaridade. Eu entendo que a informalidade também crescerá entre esse público. Por outro lado, ao refletir sobre negócios online, percebo uma oportunidade para profissionais empreendedores de si, seja nas empresas em que atuam ou criando seus próprios negócios. Nesse sentido, a Universidade está além do próprio tempo, porque a Covid-19 trouxe um cenário incerto, mas também antecipou muitas mudanças que já estavam previstas. Explico: a Universidade de Fortaleza já vem trabalhando muito em prol do desenvolvimento de habilidades diversas que extrapolam a essência dos cursos. Há estímulo e oferta de cursos e atividades para que nossos alunos ampliem sua visão de mundo, trabalhem suas competências socioemocionais, estabeleçam uma rede de contatos relevantes etc. Ou seja, a universidade já se antecipou! E essa antecipação, acredito fortemente, fará diferença quando da atuação do aluno que soube fazer bom aproveitamento dessas ofertas. 

Unifor: Há uma estreita relação entre a educação e a empregabilidade: quanto maior o nível de escolaridade, menor a chance do trabalhador ser afetado em períodos de crise no mercado de trabalho. Como a educação pode oferecer vantagens competitivas para minimizar os efeitos da crise?

Karol Mota: A educação move tudo, não é? Mas, é importante ressaltar: o fato de ter passado por um curso superior por si só não se apresenta como a grande vantagem competitiva nesse momento. Haverá valor e vantagem se o profissional souber o que fazer com essa formação e elencar também outras competências. E quando eu falo em competência, eu estou falando de atitude, de movimento, eu estou falando de tomar as rédeas da própria trajetória para definir seus caminhos. Vamos pensar em alunos de graduação. Esses alunos podem assistir às suas aulas, ter bom desempenho, concluir seu curso e ponto. Legal? É legal! Faz diferença? Faz, sim! É suficiente? Não! Não é hoje e não será no futuro! E aí eu volto a dizer que a Unifor dá condições para que os alunos expandam seus horizontes e vão além das competências profissionais específicas de sua área de atuação. São inúmeros espaços aqui que poderiam ser elencados como atividades de desenvolvimento, mas vou focar em possibilidades ofertadas pela Central de Carreiras. Comecemos por cursos, oficinas, rodas de conversa e oferta de conteúdos relacionados ao mercado de trabalho, como elaboração de currículo, postura e posicionamento em processos seletivos, planejamento de carreira, dentre outras. A Central de Carreiras possibilita o contato do aluno com empresas e profissionais, de forma a possibilitar que o aluno crie um canal de relacionamento que vai fazer toda a diferença no seu futuro. Além disso, uma oportunidade que o acadêmico não pode deixar de experimentar é o estágio não obrigatório, aquele que você faz independente de uma disciplina. Essa vivência é de uma riqueza que não dá para negligenciar. Um estudo do SEMESP em parceria com a Symplicity sobre empregabilidade, lançado em março deste ano, apresentou que 74% dos profissionais que estagiaram durante sua graduação conseguiram ocupar postos de trabalho em suas áreas de formação ao se formarem. Isso quer dizer que o fato de você ter vivenciado situações em ambientes de práticas profissionais, ainda enquanto acadêmico -  em condições de experimentação e de ousadia com responsabilidade, tendo o acompanhamento de um supervisor - eleva a sua condição de conseguir oportunidades de trabalho no seu próprio campo de atuação. O que desejo ressaltar é que o sucesso de cada um em sua profissional não está somente relacionado à conquista de um diploma, mas a forma como cada um pauta sua carreira. 

Unifor: Pode dar um exemplo?

Karol Mota: Eu vou usar minha vida como exemplo. Sou Bacharel e mestre em Turismo. Quando entrei na graduação, ainda não tinha muita clareza de qual caminho eu seguiria. Logo, logo vi despertar um sonho de ser professora. Para tornar real o sonho, participei de eventos, fui conversar com profissionais, estagiei em áreas diferentes do turismo até identificar aquela que era mais atraente pra mim, criei minha rede de relacionamento, fui monitora, enfim, fui desenhando minhas possibilidades, enquanto tive oportunidades para isso. Ao me tornar professora, como sempre quis, foram surgindo outros desafios e eu tive que me ajustar e aprender, aprender, aprender, aprender... Coisa que continuo fazendo. As minhas escolhas, com as oportunidades que tive, foram ajudando a montar a profissional que sou hoje – e elas não foram aleatórias. A educação abre as portas?Abre, mas abre portões para aqueles que mergulham fundo nessa formação acadêmica.

Unifor: O aluno da Unifor conta com a Plataforma Unifor Carreiras para obtenção de estágios e oportunidades no mercado de trabalho. Como essa ferramenta poderá ser ainda mais aperfeiçoada pós-pandemia? Por favor, me informe o número de empresas atualmente conveniadas e alunos envolvidos, para uma atualização de dados.

Karol Mota: Sim, e a Plataforma Unifor Carreiras é abrigada numa tecnologia que é considerada a maior do mundo. Como você disse, é mesmo isso, uma “ferramenta”, uma ferramenta que pode catalisar a carreira dos nossos alunos e egressos, por meio de formação e desenvolvimento, oferta de vagas, relacionamento com empresas. Em formação e desenvolvimento, o aluno fica sabendo dos cursos, oficinas, treinamentos ofertados pela Central de Carreiras e pode fazer sua inscrição. Tem acesso à conteúdo qualificado sobre temas relacionados ao mundo do trabalho. Tem acesso a todas as empresas parceiras da Unifor e pode ir acompanhando os perfis demandados por ela para avaliar melhor que tipo de investimentos de carreira deve fazer. Tem suporte para criação do seu currículo, criação de portfólio e por aí vai...Temos muitas vagas de estágio e emprego, e os alunos e egressos podem visualizar estas vagas na plataforma também. Em muitos casos, eles podem fazer sua candidatura à vaga pela própria plataforma, o que facilita bastante o acompanhamento da gente e a busca por novas vagas. Na verdade, além de ser útil para alunos, egressos e empresas, a plataforma ajuda a gente a compreender o mercado e suas demandas e contribuir para entregar a melhor formação. Ou seja, é uma rede de cooperação para todos os lados. Por isso, queremos tanto que nossos alunos percebam a força que essa ferramenta tem. Hoje temos mais de quatro mil empresas registradas conosco. Imagina o quanto isso pode trazer de retorno para quem é aluno da Unifor. Além de poder acompanhar o movimento dessas empresas pela plataforma, também mediamos rodas de conversa para que nossos alunos estejam em contato e construam seu networking. É um diferencial enorme! Mas, volto a dizer, não resolve tudo. Tem que ter esforço individual, envolvimento!