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Ter, 12 Maio 2020 19:10

Virtualização das aulas: o desafio dos professores em tempos de pandemia

A implantação de um Sistema Pedagógico Virtual instigou uma rápida adaptação do corpo docente ao método emergencial de ensino. Confira os principais desafios


Professora Andrea Chagas, coordenadora do Núcleo de Tecnologias Educacionais – NTE da Universidade de Fortaleza (Foto: Divulgação)
Professora Andrea Chagas, coordenadora do Núcleo de Tecnologias Educacionais – NTE da Universidade de Fortaleza (Foto: Divulgação)

A virtualização das aulas na Universidade de Fortaleza, da Fundação Edson Queiroz, foi adotada desde o início do isolamento social e tem sido um processo de adaptação e aprendizagem não apenas para os alunos, mas também aos professores. E no intuito de auxiliar os docentes na aplicação desse Sistema Pedagógico Virtual, o Núcleo de Tecnologias Educacionais – NTE – promoveu diversos conteúdos e ações para facilitar nessa habituação.

O NTE possui uma equipe especializada elaborando materiais e tutoriais que auxiliam professores no uso de tecnologias digitais, além de ser responsável pela modalidade de Educação à Distância (EaD) da Universidade. O Núcleo também já vem desenvolvendo suportes metodológicos para as disciplinas presenciais há cerca de 4 anos. É o que conta a professora Andrea Chagas, coordenadora de EaD e do NTE Unifor.

“A gente já vem trabalhando sob essa perspectiva, numa inovação pedagógica, que nos diferencia enquanto instituição. E nesse novo formato de produção, nós orientamos e auxiliamos professores no uso de ferramentas tecnológicas”, explica Andrea, que pontua a atuação do NTE como de fundamental importância junto ao corpo docente.

"O NTE tem uma corresponsabilidade nessas aulas remotas, pois a partir do momento que explicamos as ferramentas para os professores, eles se sentem mais confortáveis em usá-las e, com isso, os alunos têm sido beneficiados assistindo a suas aulas de maneira mais tranquila e confortável."  – Andrea Chagas, coordenadora do EaD/NTE

Ela ainda observa a visibilidade que o Núcleo recebeu dentro desse contexto no propósito de fornecer orientações necessárias para o uso de tecnologias educacionais, em especial o ambiente virtual da Universidade. “Nesse momento de isolamento social, estamos dando todo o suporte necessário, tanto na produção dos tutoriais, dos materiais, como no atendimento por telefone, e-mail, WhatsApp. Além disso, elaboramos um material que chama ‘Como virtualizar a sua aula’, que contém dicas, tutoriais, orientações e direcionamentos para as aulas remotas”, explica.

Resultados e previsões

Questionada sobre a reação dos professores sobre a virtualização, Andrea diz que o desconhecido pode ser o maior obstáculo para a adaptação. “Quando isso se torna mais conhecido e ele [o professor] se sente mais confortável com a ferramenta, ele sai feliz e satisfeito com ele mesmo, até. Por ele ter conseguido quebrar uma barreira e ter conseguido fazer alguma coisa diferente e que vai gerar o aprendizado do aluno”, discorre a professora. “E aquela dificuldade? Bom, ela se torna mais uma barreira que ele conseguiu transpor e isso é gratificante!”

Ela também observa que o momento agora é de revolução da educação. “É preciso entender que a tecnologia é meio, ela não é fim do processo. No atual momento que vivemos, diria que ela é essencial e tem feito a diferença na Educação Superior. Desse modo, essa ‘mudança emergencial’ afetou a maneira de ver o Ensino Superior, e acredito que afetará ainda mais, exigindo das instituições uma necessidade latente de se reorganizar, de se reposicionar no mercado, principalmente diante do processo de ensino-aprendizagem”, conclui Andrea.

Tecnologia: aliada do cotidiano 

Desde 2005 Jânio Pereira leciona na Unifor como professor do Centro de Ciências Jurídicas e lembra que tudo ainda era muito analógico quando começou. Ele, que se considera “meio anacrônico”, revela que a primeira semana foi um choque por nunca ter tido acesso às ferramentas digitais e se sentia distante dessa realidade.

O professor afirma, no entanto, que a tecnologia é fundamental para o cotidiano. Não para substituir a aula presencial, mas para complementá-la. “As ferramentas online dão transparência e deixam o aluno seguro. É fantástico!”, diz Jânio, animado, ao explicar que a tecnologia é essencial agora, mas que depois será indispensável aos professores. “Estou incorporando essas ferramentas, definitivamente, nas minhas aulas presenciais”, constata ele. 

“Essa metodologia serve para pensar mais e refletir mais porque não tem como fazer as provas da mesma forma de antes. A minha era sem consulta, mas agora temos que fazer algo para fazer algo mais reflexivo.”, disserta o professor. Jânio vê a virtualização como um ganho tanto para alunos quanto para professores ao estimular a apresentação dos conhecimento de forma mais crítica. “A gente estava precisando aprender para poder ensinar, como diz a Unifor”, conclui.

O professor Jânio Pereira conta que recebeu ajuda significativa do NTE para suas dúvidas. “Quando comecei a utilizar essas ferramentas na minha primeira aula virtual, senti uma liberdade acadêmica. Respirei aliviado porque foi uma libertação do ponto de vista acadêmico e pedagógico”, confessa.

Aprendizado de qualidade

Darcy Mayra, professora do Centro de Ciências da Saúde, confessa que, de início, a adaptação foi estranha e trabalhosa ao tentar manipular ferramentas desconhecidas e, ainda assim, manter a melhor qualidade possível das aulas para não prejudicar os alunos. Porém, depois das primeiras semanas, ela se sente mais confortável descobrindo as potencialidades das ferramentas virtuais e reafirmando o papel indispensável do professor dentro do processo de ensino e aprendizagem.

“Uma coisa que gera angústia e preocupação diária, nesse método, é o medo da internet falhar. Sem ela, não temos aula – pelo menos aula síncrona, que é o momento que nos conectamos mais com os alunos”, explica Darcy que, apesar dos obstáculos, sempre tenta ter um “plano B” para manter a aula e não prejudicar os alunos.  

A professora também ressalta que as TIC – Tecnologias da Informação e Comunicação – estarão presentes muito mais intensamente no processo educativo. “Acho que muitos alunos irão nos pressionar para ter estratégias semelhantes às que estamos desenvolvendo, pois dá flexibilidade para eles reverem apresentações, discussões, horários, além da comodidade para alguns, pelo fato de não precisarem se deslocar até a universidade”, conclui.

A professora Darcy Mayra conta que a conversa entre professores foi importante. “Todos se uniram muito nessa fase de adaptação, cada um com sua experiência. Mas, com o passar dos primeiros dias, tivemos suporte do NTE e da Assessoria Pedagógica, fornecendo tutoriais e mini-cursos para aprendermos novos recursos.”

Interação e dinamicidade

Há dois anos também lecionando disciplinas EaD, Alberto Gradvohl, professor do Centro de Ciências da Comunicação e Gestão, conta que a experiência que teve com o ensino à distância facilitou seu processo de adaptação com as aulas virtualizadas. “A única dificuldade que eu vejo é a dificuldade natural de quem se matriculou no presencial”, ele explica ao comparar as diferenças entre os perfis dos alunos das duas modalidades de ensino.

Gradvohl pontua que a mudança de ambiente afeta a interação do estudante com o próprio processo de aprendizagem e dinamicidade com as aulas. “O aluno faz tudo que você pede, inclusive em equipe, mas o horário fica mais livre. Ele procura se adequar a uma nova realidade e é natural porque em casa, por mais que você queira, por mais que você se autodiscipline, existem divergências em determinados momentos que oportunamente atrapalham o horário”, disserta ele.

O professor acredita que as alterações na estrutura de ensino já vinham ocorrendo, mas que, em função da situação atual de pandemia, foi necessário haver adaptações imediatas e emergenciais. “Essa questão híbrida, do ensino a distância somado às questões laboratoriais, e o desenvolvimento de produtos ou práticas que possam ser efetivamente implementados, isso, pode ter certeza, é a demanda atual que já vinha sendo latente”, afirma Alberto. 

A atuação do NTE tem facilitado a vida do professor Alberto Gradvohl, não só pelos tutoriais, mas também pelas interações cotidianas com a equipe, segundo ele. “Essa experiência de EaD já demonstra que a Unifor tem um NTE todo pronto e organizado, diferente de outros locais, e hoje nós podemos dizer que temos apoio tecnológico”, explica.