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Qui, 21 Maio 2020 17:55

A imprensa é artigo de primeira necessidade em tempos de Covid-19

Acompanhe os relatos dos jornalistas Taís Lopes, Luiz Esteves e João Pedro Ribeiro, egressos da Unifor que compõem o time da linha de frente dos noticiários sobre o coronavírus.


Formada pela Universidade de Fortaleza, Taís Lopes trabalha atualmente na emissora CNN Brasil, com sede em São Paulo. (Foto: divulgação)
Formada pela Universidade de Fortaleza, Taís Lopes trabalha atualmente na emissora CNN Brasil, com sede em São Paulo. (Foto: divulgação)

Assim como os profissionais de saúde e cientistas, os jornalistas também estão na linha de frente nos trabalhos de enfrentamento à Covid-19 no mundo inteiro. Exercem a missão de informar corretamente a população sobre os fatos e até mesmo de educar e conscientizar todos para a regra mais importante da pandemia: o isolamento social. 

Atualmente, com os dispositivos móveis e as redes sociais, a informação chega rapidamente na palma da mão das pessoas. Se por um lado isso é muito positivo, por outro, traz o risco de propagação das conhecidas fake news. E aí que entra o papel do jornalismo, que checa, comprova e esclarece os fatos para a população. 

A Universidade de Fortaleza, da Fundação Edson Queiroz, tem egressos atuando em emissoras de televisão em nível local e nacional, que tiveram de se adaptar rapidamente ao “novo normal” provocado pela pandemia. E mais do que levar informação de credibilidade para a população, transmitem mensagens de esperança de que tudo vai passar. 

Como cidadãos, Taís Lopes, Luiz Esteves e João Pedro Ribeiro, egressos do curso de Jornalismo da Universidade de Fortaleza, também se assustaram com os números alarmantes da pandemia no Brasil, também precisaram adaptar suas rotinas de vida, porém, seguem firmes e fortes na missão profissional de apurar os fatos e bem informar a população. Confira os relatos. 

Jornalismo: serviço essencial para informar e orientar a população

Taís Lopes é jornalista formada pela Universidade de Fortaleza. Atuou na TV Verdes Mares, afiliada à Rede Globo de Televisão no Ceará. Atualmente, é âncora dos programas “Agora CNN” e “Novo Dia”, da emissora CNN Brasil, com sede em São Paulo. Como jornalista de um informativo com notícias globais, acompanhou mais de perto a evolução da pandemia pelo mundo, sabendo da possibilidade de os altos números chegarem ao Brasil, como de fato chegaram. 

“Mesmo assim, nada é mais real e chocante do que conviver com os impactos da doença e ter o novo coronavírus como um vizinho indesejado. A Covid-19 passou de pesadelo para vida real e hoje, infelizmente, temos milhares de vítimas da doença. Os meus sentimentos a todas as famílias que perderam seus entes queridos. É muito difícil, como jornalista, dar notícias tão pesadas todos os dias, mas são notícias que precisam ser dadas para que a população entenda a importância de fazer a sua parte”, destaca.  

Taís reforça que o jornalismo, além de informar, tem prestado um serviço essencial à população: o de orientar. “Seja qual for o meio de comunicação, as pessoas conseguem, através da mídia, entender o avanço da doença no país e como outras nações estão lidando com a pandemia. Ao mesmo tempo que é arriscado - afinal não paramos de trabalhar - é recompensador saber que milhares de pessoas sabem o que está acontecendo no mundo por meio do nosso trabalho”, comenta. 

Mesmo morando em São Paulo, Taís não desliga das notícias da terra e está preocupada com a evolução da Covid no Ceará. “A gente nunca quer ver a 'terrinha' em tempos difíceis. Saber que o Ceará está no triste ranking da Covid-19 me entristece muito. Ao mesmo tempo, sei que o nosso povo é forte e vai superar essa crise. Minha mensagem é de força e esperança. São duas coisas que precisamos nesse momento difícil. Acredito que vamos sair dessa com um outro olhar sobre o mundo e que seja para melhor”, reflete a jornalista. 

Saúde a todos: é o que deseja o jornalista Luiz Esteves 

Como se diz no Ceará, o jornalista Luiz Esteves é como se fosse de dentro da nossa casa. Apresenta todos os dias o noticiário CE 1ª edição, da TV Verdes Mares, e com muito carisma cumpre a missão de informar os cearenses sobre os fatos locais. Mesmo de férias neste mês de maio, ele vem reforçando pelas redes sociais a importância de ficar em casa. “Estou ‘descobrindo a casa’, fazendo coisas que não fazia antes”, comenta o jornalista, que não está visitando nem a mãe em Maranguape, sua terra natal. 

Luiz também é egresso do curso de Jornalismo da Universidade de Fortaleza e bem no começo da pandemia esteve à frente da veiculação das primeiras notícias sobre o coronavírus no Ceará. “Comecei a ler tudo sobre a doença, afinal, estamos diante de um inimigo invisível e novo, inclusive para os médicos. A cada nova orientação das autoridades, a preocupação era a mensagem chegar ao telespectador sem ruídos, de forma clara e direta”, conta. 

O apresentador relembra a cobertura de outros fatos de calamidade sanitária, como a epidemia de zika vírus, com os casos de bebês que nasceram com microcefalia, além dos surtos de dengue e os alagamentos em Fortaleza. Mas nenhum dos episódios se compara à pandemia de coronavírus. “Nada tomou tanto tempo do noticiário por tantos dias. Triste”, lamenta o jornalista, que reforça a importância do diálogo estreito entre o jornalismo e a ciência/medicina em momentos como estes. 

A apuração demasiada dos fatos é um pré-requisito para o jornalismo que, durante a pandemia, assumiu um papel de protagonista no Brasil, ao levar informação relevante e prestação de serviço a centenas de milhares de pessoas das mais diversas classes sociais e níveis de escolaridade. “O que se vê na tv, por exemplo, é de uma utilidade pública sem precedentes, ao diariamente desmentir fakes news, as falas dissonantes das autoridades sanitárias e tirar dúvidas da população com especialistas”, complementa. 

O jornalismo é uma vocação, diz João Pedro Ribeiro 

O novo coronavírus provocou uma mudança repentina nas rotinas de trabalho dos jornalistas, assim como uma rápida especialização por buscas de informação. Logo após a confirmação de pandemia, o produtor João Pedro Ribeiro, da TV Globo de São Paulo, passou a integrar um time de trabalho para pesquisar todas as informações sobre a doença. “Reunimos tudo o que já tinha sido pesquisado por cientistas, o que já se sabia sobre o vírus, o número de mortos até ali e o número de países infectados”, conta. 

Mesmo com experiência adquirida na TV Verdes Mares, João Pedro vem sendo desafiado diariamente com a missão de produzir matérias, mesmo de casa, com as famílias que já perderam parentes por causa Covid-19. “É um momento delicado, em que as pessoas não estão, muitas vezes, dispostas a falar. São histórias dolorosas para familiares, amigos, vizinhos. Há casos em que a doença coloca em xeque a vida do paciente em um intervalo de horas. É preciso saber entender esse momento”, relata. 

A velocidade com que precisou se atualizar sobre a doença e se adaptar ao modelo home office é algo que só acrescenta na carreira do produtor, que é egresso do curso de Jornalismo da Universidade de Fortaleza. “Entender, destrinchar, traduzir a complexidade dessa doença é a nossa função. Olhar como os pacientes reagiram ao vírus, também. E é por meio das histórias que conseguimos homenagear aqueles que lutaram contra a doença, mas, infelizmente, nos deixaram”, complementa João Pedro. 

Como ele mesmo pontua, não tem sido fácil a rotina gerada pela pandemia, mas segue firme na sua missão. “O jornalismo é muito maior que a gente. É uma vocação. Ser jornalista requer cuidado, atenção, horas a menos de folga, é verdade. Mas, posso garantir que quando você nasce para isso, nada mais importa. E é em situações como essa que estamos vivendo, quando o jornalismo se mostra essencial para orientar a população contra um vírus ainda desconhecido em sua complexidade, que percebemos como tudo isso vale a pena”, diz emocionado.