angle-left Aluna de Psicologia da Unifor ganha prêmio com pesquisa que ameniza os sintomas do Alzheimer

Qui, 16 Agosto 2018 10:59

Aluna de Psicologia da Unifor ganha prêmio com pesquisa que ameniza os sintomas do Alzheimer

Sarah Sousa, estudante de Psicologia da Unifor, desenvolveu uma pesquisa que ameniza os sintomas do Alzheimer em idosos por meio da música.


Sarah Sousa foi contemplada pela com o Prêmio Jovem Pesquisador. Seu trabalho tem a proposta de unir música e terapia (Foto: Ares Soares)
Sarah Sousa foi contemplada pela com o Prêmio Jovem Pesquisador. Seu trabalho tem a proposta de unir música e terapia (Foto: Ares Soares)

"É preciso amar as pessoas como se não houvesse amanhã. Porque se você parar pra pensar, na verdade não há”. A música “Pais e Filhos” da banda Legião Urbana desperta em Sarah Sousa de 23 anos uma sensação única. A estudante do último semestre do curso de Psicologia da Universidade de Fortaleza (Unifor) pretende, por meio do seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), despertar essa mesma sensação em idosos que há muito já se esqueceram.

Em 2017, o número de idosos com Alzheimer chegou a 30,2 milhões no país. É o que diz a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua - Características dos Moradores e Domicílios divulgada pelo IBGE em abril deste ano. Foi esse número alarmante que motivou a estudante a iniciar a sua pesquisa. Apesar do Alzheimer não ter cura, Sarah encontrou uma forma alternativa de tratar a doença e amenizar seus sintomas. “Eu quis basear a minha pesquisa nos efeitos da música em idosos com Alzheimer. Quais os efeitos que a música poderia acarretar neles? Traz benefícios ou malefícios? Uma questão não só comportamental mas cerebral, voltada a neurociência”, explica.

Com uma proposta de unir a música à terapia, a jovem, que sempre teve uma ligação musical muito forte, iniciou seu projeto utilizando a música como ferramenta. Durante a primeira fase do trabalho, o objetivo era promover uma interação entre ela e os 15 idosos do lar de longa permanência que visitou. Foi por meio de perguntas que a estudante tentou se aproximar de suas vidas pessoais, mas por conta da doença eles mal conseguiam se lembrar de detalhes. Contudo, ao reproduzir suas músicas preferidas antes da segunda entrevista, a estudante percebeu um resultado diferente do usual. “Com a mesma pergunta e a simples intervenção de colocar as músicas favoritas deles as lembranças vieram muito mais fortes”, revela. Ela espera aumentar o número de idosos no futuro para dar ainda mais credibilidade na sua pesquisa.

Reconhecimento

A pesquisa foi premiada no Congresso Internacional Congress on Brain, Behavior and Emotions, na categoria Jovem Pesquisador. “Eu fiquei bem surpresa, muito feliz e orgulhosa por ter ganhado esse prêmio justamente por ver que sim, a música pode proporcionar coisas incríveis, não só a jovens e adultos mas principalmente a idosos. São coisas simples que não custam nada e que trazem benefícios gigantescos”, comenta.

Além do projeto de TCC de Sarah, outros três trabalhos do grupo de pesquisa da professora Andrea Quesada foram premiados no congresso. Para ela as pesquisas são inovadoras e apesar das dificuldades é possível fazer pesquisa no Brasil. “Para mim fazer pesquisa é aprendizagem, a melhor forma de aprender mas também de contribuir para a sociedade. É o meu ponto principal, contribuir para a formação desses alunos”, revela. O reconhecimento não deixa enganar, a professora diz que apesar de não terem tanto tempo quanto gostariam para fazer pesquisa, os resultados são positivos. “Contribui para a formação, para abrir portas. O mais significativo para mim não é eles terem ganho o prêmio, mas sim a aprendizagem que eles tiveram e a oportunidade de apresentar esse trabalho, podendo trocar ideias com pessoas do mundo inteiro”, acrescenta.

Confira a lista dos trabalhos que foram premiados no Prêmio Jovem Pesquisador - Congress On Brain, Behavior and Emotions 2018:

“Decaimento de linguagem acompanhado de dilatação ventricular e fatores maternos em criança com síndrome congênita do zika vírus: relato de um estudo de caso”

Igor Weyber da Silva Ramos
Renata Carneiro de Lima
Larissa Monte Filgueiras
Isabelle Maria Barroso do Nascimento
Sandy Brena Cardozo de Almeida
Orientadora: Andrea Amaro Quesada

Parceria com a Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília (Rosana Tristão) e Caviver (Islane Verçosa, Erlane Ribeiro, André Pessoa).

“Aumento nas habilidades de raciocínio categórico e abstrato, redução de estresse e de sintomas emocionais após a intervenção aba: relato de um estudo de caso”

Renata Carneiro de Lima
Isabelle Maria Barroso do Nascimento
Sandy Brena Cardozo de Almeida
Larissa Monte Filgueiras
Mariana Farias
Antônio Vitor Reis Gonçalves Mello
Ismael Peixoto
Igor Weyber da Silva Ramos
Felipe Lustosa

Orientadora: Andrea Amaro Quesada

Parceria com o Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília (Jacob Laros).

“Existe relação entre a variabilidade da frequência cardíaca a as ondas cerebrais?”

Paulo Cézar do Nascimento Filho
Francisco Fleury Uchoa Santos Júnior
Yara Mesquita
Florence Tupinambá
Emanuelle de Almeida
Larissa Batista
Jefferson Fortes
Paloma Castro

(Todos da Lé Santé) em parceria com a Unifor (Andrea Quesada e Sandy Brena Cardozo de Almeida).