angle-left Cine Ceará: Prêmio Unifor de Audiovisual agracia melhor curta-metragem

Ter, 14 Agosto 2018 16:59

Cine Ceará: Prêmio Unifor de Audiovisual agracia melhor curta-metragem

Evento aconteceu de 4 a 10 de agosto no Cineteatro São Luiz e homenageou o curso de Cinema e Audiovisual da Unifor pelos seus dez anos.


Curso de Cinema e Audiovisual da Unifor foi homenageado pelo seu pioneirismo no ano em que comemora 10 anos. (Foto: Ares Soares)
Curso de Cinema e Audiovisual da Unifor foi homenageado pelo seu pioneirismo no ano em que comemora 10 anos. (Foto: Ares Soares)

A Universidade de Fortaleza concedeu, pelo terceiro ano consecutivo, o Prêmio Unifor de Audiovisual de melhor curta-metragem na Mostra do Olhar do Ceará 2018, durante a 28ª edição do Cine Ceará. O evento aconteceu entre os dias 4 a 10 de agosto no Cineteatro São Luiz e contou com a presença de grandes personalidades da área, como o comediante Renato Aragão (Didi) e o ator Antônio Pitanga. Para o vencedor de melhor curta-metragem é oferecido um prêmio no valor de R$5.000,00, além do mérito de ser reconhecido pelo seu trabalho.

O curta-metragem vencedor do Prêmio Unifor de Audiovisual 2018 foi “Cartuchos de Super Nintendo, em Anéis de Saturno”, com direção de Leon Reis. O curta conta a história de um homem negro que, durante um momento de solidão e desespero, assopra um cartucho de Super Nintendo em uma encruzilhada. Para o diretor, a experiência foi rica pois permitiu que ele e sua equipe pudessem se capacitar, além de “estruturar novos projetos e aumentar minha própria confiança sobre meu trabalho”, acrescenta.

A professora e coordenadora do curso de Cinema e Audiovisual da Unifor, Bete Jaguaribe afirma que o Prêmio Unifor é uma iniciativa que tem propósito de contribuir com os processos de invenção e formação audiovisual. “A premiação de curtas dá visibilidade ao momento inicial da trajetória do realizador. É um momento importantíssimo, que nos interessa enquanto Universidade, porque é revelador de processos de criação”, explica.

Leon conta que em seus anos escolares a vivência em uma escola de classe média o que fez questionar sobre o seu lugar no mundo. “A proposta do curta foi aliar essas duas memórias, ancestralidade minha e vida numa escola rica de Fortaleza, e colocá-las em choque. Criei daí toda uma ideia de uma Fortaleza onde os moradores de periferia só são passíveis de atravessar uma fronteira vigiada para o Centro de Fortaleza se eles trabalharem lá, ou se seus filhos estudarem em escolas ricas. Uma procura também por esse desejo constante de ascensão social e como falar dele”, explica.

O diretor revela que toda a produção foi gravada em cinco dias, mas que o processo de pré-produção durou mais de dois meses. Para ele, a ideia do filme reflete uma situação extrema, onde um personagem é colocado diante de preconceitos raciais. “Pensei num homem negro assoprando um cartucho de Super Nintendo em uma encruzilhada do Vila Velha como uma procura por uma cura diante dos processos de racismo sofrido nessas escola”, finaliza.

Homenagem ao curso de Cinema e Audiovisual da Unifor

Por ocorrência do seu aniversário de 10 anos, o curso de Cinema e Audiovisual da Unifor foi homenageado durante a 28ª edição do Cine Ceará, na última sexta-feira (10). A coordenadora do curso de Cinema e Audiovisual da Unifor, Bete Jaguaribe comentou sobre a dificuldade de se tornar referência no mercado, mas que não é uma tarefa impossível.

“Não é fácil estabelecer um lugar de referência, no ambiente de trabalho tradicional que ainda caracteriza o mercado econômico brasileiro. A profissão de cineasta ainda é muito jovem e impõe uma série de desafios”, comenta. “Hoje, somos referência na região, resultado de uma equipe de professores mestres e doutores, profundamente envolvidos com os compromissos históricos do cinema nacional”, acrescenta.

Para ela, esse reconhecimento parte principalmente dos alunos que, junto a seus professores, consolidam o mercado de Cinema e Audiovisual no Ceará. “Nosso principal capital são nossos alunos, jovens de uma geração que responde com dignidade às interpelações do mundo contemporâneo”, reconhece. A coordenadora destaca a importância do espaço universitário para mesclar questões sociais as produções dos alunos. “Atualmente, o audiovisual tem centralidade na experiência social. Mais do que nunca, precisamos pensar sobre ética e estética, ter atenção com as imagens que construímos e consumimos. A Universidade é um lugar precioso para o pensamento e a reflexão”, destaca.