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Seg, 23 Março 2020 11:09

Conhecimento sem fronteiras

Campus da Universidade de Fortaleza oferece infraestrutura de excelência para todas as áreas de conhecimento há 47 anos (Foto: Ares Soares)
Campus da Universidade de Fortaleza oferece infraestrutura de excelência para todas as áreas de conhecimento há 47 anos (Foto: Ares Soares)

Um campus sem muros, que vê o seu entorno e dá a ver seus prédios, equipamentos, serviços, áreas de cultura e lazer. A porosidade entre a Unifor e a cidade de Fortaleza, hoje espraiada ao redor e além do campus, é o indício mais visível do desejo de transformação econômica, social, política que culminou com a fundação desta universidade. “A Universidade de Fortaleza sempre foi um reflexo do seu tempo, mas ao mesmo tempo atuou como um indutor de desenvolvimento, e portanto de novos tempos. Se pensarmos bem, foi revolucionário, há 47 anos, pensar uma universidade dentro da realidade de um estado pobre, com grandes contradições. Essa é a beleza de uma instituição de ensino”, avalia o professor Henrique Sá, vice-reitor de Graduação da Unifor.

Num contexto de interação global, contudo, essa permeabilidade se dá também entre a Unifor e contextos nacionais e mundiais. Tanto para colher benesses quanto para capilarizar cenários de instabilidade. “Nos últimos anos, temos assistido e somos afetados por crises econômicas, demanda por exercer multitarefas, funcionalidades que passaram a caber em tecnologias móveis, toda uma lógica de mudança de paradigmas culturais a que precisamos nos adaptar”. Tal contexto é particularmente sentido nos cursos de graduação, ante iniciativas concorrentes e modalidades de ensino implantadas em ritmo acelerado. 

Novos patamares

O diferencial, para Henrique Sá, é não adotar uma atitude passiva diante desses cenários. Antes, trazer para a sociedade uma nova perspectiva de ensino superior. “Não podemos só reproduzir o que já foi feito, formar os mesmos profissionais para as mesmas carreiras e para as mesmas áreas. A configuração das matrizes curriculares, as formas de seleção de novos alunos e de avaliar o desempenho acadêmico devem acompanhar, pouco a pouco, essa tendência de flexibilização nas maneiras de atuar no mundo. Excelência não é apenas atingir a nota máxima, bater o último grau da escala, e sim implodir a escala para estabelecer novos patamares”, ressalta. 

Um exemplo disso foi a implantação, em vários cursos, do modelo curricular seriado. No lugar de escolher quantas e quais disciplinas cursar num determinado semestre, dentro de variáveis como tempo, recursos e conciliação com estágio ou trabalho, o aluno pode optar por dois fluxos de formação. No primeiro, chamado de fluxo regular, o aluno paga uma mensalidade fixa por módulos programados para cada semestre, que seguem uma sequência organizada por competências e habilidades. Já no fluxo estendido, o aluno cursa menos disciplinas por semestre, pagando mensalidade igualmente fixa, porém mais baixa, com um maior tempo de integralização curricular.

Também estão sendo estudadas formas de empoderar o aluno no traçado do seu percurso acadêmico, aumentando a possibilidade de realização de disciplinas em outras graduações ou mesmo em outros centros de ciências da instituição. Outra prioridade é tornar mais forte a atuação extramuros. “Queremos que 10% da carga horária do estudando contemple atividades de extensão e atuem numa vivência efetiva do trabalho em equipe e da interdisciplinaridade”. 

Aprendizado vivo

Um exemplo disso é o trabalho colocado em prático no último ano pelo Centro de Ciências da Comunicação e Gestão (CCG), que abriga atualmente 10 cursos. Mas o que tem a ver Design de Moda com Administração? Ou Ciências Econômicas com Marketing? Para a diretora do CCG, professora Danielle Coimbra, tudo. Um designer de moda pode se valer de conhecimentos em administração para alavancar o próprio negócio. E um economista, munido de conhecimentos de marketing de conteúdo, pode se tornar referência em plataformas digitais na área de finanças.

“Nosso trabalho parte do princípio de que a conexão entre todas as áreas, a partir da partilha de competências, será a palavra de ordem. No mundo do trabalho do século XXI, o modelo de caixa, de áreas que não conversam entre si, é insustentável. Estamos desenvolvendo projetos convergentes tanto para áreas afins, como Jornalismo e Publicidade e Propaganda, quanto para áreas que, em princípio, podem parecer desconexas, mas que a partir de um contato inicia um mundo de possibilidades”, pontua Danielle Coimbra.

A mudança se justifica por um horizonte em que o emprego, da forma como conhecemos, deixará de existir. “A tendência é que o engajamento no mundo do trabalho se dê através de projetos. Espera-se que esses novos profissionais não apenas cheguem aos projetos com uma bagagem múltipla, como também sejam capazes de aprender novas habilidades e sejam mais adaptáveis. Quanto mais ferramentas de adaptabilidade dermos para o aluno, além da possibilidade de colocar o aprendizado em prática com suporte dos professores e dos equipamentos, maior será a capacidade de ele atuar nesse novo mercado de trabalho”.

O desenvolvimento de competências múltiplas não se resume à sala de aula. Equipamentos como o Núcleo Integrado de Comunicação (NIC) — que há 20 anos executa projetos de comunicação para a Unifor, organizações não-governamentais (ONGs) e instituições sem fins lucrativos — e o Escritório de Gestão, Empreendedorismo e Sustentabilidade (Eges) — voltado para o fomento do empreendedorismo para a sociedade — foram reestruturados com foco na convergência digital e na articulação de saberes. “O NIC tem sido um espaço de experimentação muito relevante, mas até espacialmente estava ainda muito preso ao modelo de caixa, de áreas separadas. Mudamos tudo isso de forma a tornar esse trabalho mais colaborativo. E está em processo de aprovação o Eges Consult, onde queremos que os alunos façam uma imersão mais incisiva na realidade do mercado, prestando serviços de consultoria e gestão de negócios para a sociedade, como já faz o FGV Consult”. 

 

Todos e cada um

Universidades são feitas por pessoas, no sentido coletivo e nas particularidades que fazem um determinado ser único. Nos últimos dois anos, a diversidade está no centro do pensamento e das ações da Universidade de Fortaleza. Mas inclusão de gêneros, etnias, gerações, necessidades especiais tem sido implantadas, bem ou mal, nas mais diversas instituições, seja como princípio norteador ou simplesmente para passar uma boa imagem a públicos e clientes. Em outros termos, todo mundo faz ou diz fazer. O que torna o paradigma da diversidade na Unifor especial?

“Só é possível pensar diferente quando estamos entre pessoas diversas, convivendo com elas, aprendendo com elas, sendo desafiados pelo que elas trazem. Muitas instituições estão tão apegadas a regras e processos que não percebem o afastamento. Precisamos compartilhar vivências e dificuldades de um mesmo ponto de partida. Isso envolve novos paradigmas de consumo, ideias de fronteira, por exemplo. O coronavírus está aí como prova de que não podemos pensar as nações da mesma forma, um vírus desconhece esse limite. Pensar diferente é a alavanca para a mudança no século XXI e nossa única forma de sobreviver como espécie”, explica o professor Henrique. 

Às vezes são pequenas ações, como a divulgação do processo seletivo a partir de uma linguagem acolhedora, no lugar de reforçar processos de exclusão. Ou a inovação implantada em fevereiro este ano: o serviço gratuito de ônibus para alunos que estudam no período noturno, partindo de quatro dos principais terminais de Fortaleza, além da cidade de Eusébio. Ação que perpassa acessibilidade e segurança, mas que também engloba a isonomia. Estudantes que vivem em regiões periféricas, conciliam estudo com trabalho ou oriundos de outra cidade passam a contar com as mesmas condições de quem mora próximo à Universidade ou possuem outras alternativas de transporte. Sem falar no quanto desafoga certas linhas de transporte público da Capital, cujas rotas passam pela Unifor.

O sensível e o tecnológico

A capilaridade dos diversos projetos da Unifor encontra na tecnologia um suporte para dinamizar processos e uma forma de desenvolver a aprendizagem, com foco na qualidade de vida de professores, alunos, funcionários e público em geral. Dentre as principais iniciativas da Diretoria de Tecnologia da Informação, segundo o professor Eurico Vasconcelos, está a implantação do serviço de nuvem privada no datacenter da instituição. Além de oferecer um maior nível de segurança e privacidade, garantindo que as operações e dados confidenciais não possam ser acessados por terceiros, a nuvem corporativa permite melhor customização e controle adicional dos recursos computacionais.

Por meio do Núcleo de Educação a Distância (NEaD), 27 disciplinas são ministradas pela modalidade de ensino a distância, beneficiando alunos que, porventura, não podem estar presencialmente na Unifor, como em casos de mulheres em licença-maternidade, por exemplo. O NEaD oferece ainda suporte online para disciplinas presenciais e atendimento ao corpo docente no tocante à criação de novas estratégias pedagógicas.

Já na área de interação, a Unifor passou a contar com um novo sistema de relacionamento com o cliente e com o Unifor Mobile, aplicativo disponível para alunos e professores da instituição. Por meio de smartphones e outros dispositivos móveis, é possível realizar matrícula, conferir o seu desempenho acadêmico em tempo real e renovar o empréstimo de livros na biblioteca — ações que antes demandavam o deslocamento físico para a realização de processos repetitivos e burocráticos. Já os professores e coordenadores conseguem fazer um melhor controle de suas turmas, registrar a presença em sala de forma digital e enviar materiais como resumos, vídeos e atividades extras. No atual contexto de suspensão das aulas por conta da pandemia de coronavírus no Ceará, esta ferramenta tem sido utilizada de maneira salutar para garantir que os alunos não tenham os conteúdos das disciplinas descontinuados.

Novos legados

Em 47 anos, a Unifor estabeleceu um legado com repercussões na região onde está instalada. Mas para que outros aniversários sejam celebrados, é preciso olhar para o futuro, definir cenários, não se conformar com o que já foi feito. Num cenário marcado por instabilidades de diversas ordens, o planejamento é fundamental para estabelecer o direcionamento estratégico de uma instituição, no parecer do professor Marcelo Nogueira Magalhães, que chefia a Diretoria de Planejamento da Unifor.

Os indicadores são parte importante desse trabalho. A fim de saber para onde vai, uma instituição de ensino precisa saber onde está. Por isso, são feitas ações de levantamento, análise e acompanhamento de dados como o desempenho no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), índices de evasão e matrícula de alunos, entre outros. “Também disponibilizamos aos principais gestores da Universidade painéis de indicadores dinâmicos por meio da tecnologia Power Bi, possibilitando o acompanhamento em tempo real de indicadores críticos e o suporte ao processo de tomada de decisões”, explica o professor Marcelo.

Uma equipe foi criada para a análise e melhoria de processos de todas as áreas da Universidade, além do estabelecimento do escritório 3Ps – Planejamento, Processos e Projetos. “O 3Ps possui foco na integração das ações e iniciativas das diversas áreas ao plano estratégico da Unifor, bem como estabelecer a estrutura necessária para acompanhamento e melhoria dos principais indicadores estratégicos”. 

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