Universidade de Fortaleza faz 47 anos dedicados à educação, pesquisa e extensão

seg, 23 março 2020 10:27

Universidade de Fortaleza faz 47 anos dedicados à educação, pesquisa e extensão

Nunca se falou tanto em ciência. Para o bem ou para o mal. Para exaltar seus feitos ou subestimar seus alertas. Por trás de tantos feitos no fazer científico está a pesquisa, um processo viabilizado por investimento, criatividade e trabalho árduo. A vocação para a pesquisa está no DNA da Universidade de Fortaleza, que aos 47 anos se consolida por projetos que privilegiam o saber engajado no humano.


Universidade de Fortaleza é consolidada como a melhor instituição de ensino privada das regiões Norte e Nordeste (Foto: Ares Soares)
Universidade de Fortaleza é consolidada como a melhor instituição de ensino privada das regiões Norte e Nordeste (Foto: Ares Soares)

Quando se trata do legado de uma universidade, algumas palavras surgem de pronto em nossas mentes: ensino, excelência, qualidade. São valores fortes, imperativos, que dão conforto e segurança a quem os ouve. Há, no entanto, momentos em que o intempestivo coloca a força dessas palavras à prova. Quem imaginaria a humanidade, no auge do seu desenvolvimento econômico e tecnológico, numa de suas maiores crises por causa de um vírus? A descoberta e identificação dos primeiros vírus datam do século XIX, o que em termos históricos é extremamente recente. Em poucas décadas, porém, essa descoberta trouxe desdobramentos que mudaram radicalmente a compreensão e combate a uma série de doenças antes incuráveis. 

O ponto de mutação que permitiu este salto no desenvolvimento humano é uma palavra que está no cerne da Universidade de Fortaleza em seus 47 anos de atuação: pesquisa. Rarefeita, imprecisa, sem garantia ou previsão de resultados, a pesquisa, contudo, é o caminho incontornável para produção de conhecimento e efetiva transformação social. A vocação para investigar, imaginar outras realidades, solucionar problemas que tornem a vida mais fácil e segura animou, desde o princípio, a criação da Unifor. Isso porque a criação também ensina. E o aprender se dá quando o lastro do saber é base para o novo.

Longe de re-produzir, dentro do modelo de transmissão de conteúdo em sala de aula e laboratório para uma ou outra experimentação, a Unifor se diferencia pela produção de conhecimento engajado com o seu entorno, desde populações vulneráveis a indústrias de ponta. E pelos caminhos inusitados da pesquisa, torna-se também protagonista, com espaços dedicados a incubar de empresas, desenvolver novos usos para tecnologias e produzir medicamentos a um preço acessível. A seguir, mostramos algumas das pesquisas desenvolvidas em nosso campus — mas, aqui entre nós, também pode ser chamado de laboratório vivo.

Autocuidado em tempo real

A rotina de um paciente renal crônico não é fácil. Além de consumir vários medicamentos e se submeter a longas sessões de hemodiálise, é preciso controlar uma série de fatores corporais, como pressão arterial, pulso e temperatura. Para gerenciar um cotidiano tão complexo e dar qualidade de vida ao paciente, pesquisadores do curso de Medicina criaram um aplicativo de automonitoramento da Doença Renal Crônica (DRC), que dá orientações adequadas a cada caso e informa ao paciente o horário dos medicamentos. Os pesquisadores também criaram uma palmilha para controle de peso e uma fitband, que mede os principais sinais vitais e permite um controle mais acurado, evitando agravamentos da condição renal. Assim, o paciente torna-se mais engajado com o tratamento e percebe impactos positivos na qualidade de vida.

O eHealth voltado para saúde da voz

A despeito das inovações educacionais disponíveis para os professores, a voz ainda é seu principal meio de transmitir conhecimento e promover o diálogo em sala de aula. Essa realidade vivenciada tão de perto na Unifor foi o ponto de partida para a criação de duas tecnologias eHealth (eletronic health, ou saúde eletrônica) para dar suporte a estratégias de promoção da saúde vocal. O primeiro é o aplicativo VoiceGuard. Fruto de um projeto multidisciplinar com pesquisadores e alunos de Fonoaudiologia, Ciência da Computação, Publicidade e Propaganda, Engenharia da Computação e Cinema e Audiovisual, o VoiceGuard avalia a voz do usuário, dá dicas de como melhorar a fala e mede os ruídos no ambiente para analisar se a fala compete com o barulho. O aplicativo também controla a quantidade de água ingerida, o que ajuda a lubrificar as cordas vocais. Já o curso em ensino a distância (EaD) Saúde Vocal em Foco permite ampliar as possibilidades de formação em saúde vocal e dar suporte ao aplicativo VoiceGuard. Assim, profissionais que utilizam a voz podem evitar hábitos danosos e usos inadequados, o que reflete na quantidade de faltas e na prevenção de problemas nas cordas vocais. 

Tecnologia a serviço das cidades

Por trás do controle do tráfego urbano de Fortaleza ou de eletrodomésticos que consumam menos energia na sua casa, estão estudos fomentados no Laboratório de Pesquisa e Inovação em Cidades (Lapin). Unindo áreas como Computação Gráfica, Design Industrial, Biotecnologia, Internet das Coisas, Otimização, Inteligência Artificial e Engenharia Mecânica, o Lapin atua no desenvolvimento de projetos para otimizar os serviços urbanos, que impactam na vida do fortalezense. A partir da colaboração com empresas e instituições, entre as quais a Prefeitura Municipal de Fortaleza, Enel, IVIA, Mob Telecom, Esmaltec e Cruz Vermelha, há o alinhamento entre as pesquisas desenvolvidas e as demandas da cidade e dos cidadãos, estreitando os laços entre universidade e sociedade.

Novas soluções para velhos problemas

Quando cuidados em saúde são subestimados, realidades tidas como superadas voltam a afligir a sociedade. Foi o que aconteceu com a sífilis, cuja incidência voltou a crescer de forma expressiva no Brasil. Preocupada com este cenário, a Universidade de Fortaleza está fazendo pesquisas para mensurar a eficácia da “cefixima” no tratamento da doença em mulheres não grávidas. Os estudos são realizados em parceria com a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Ministério da Saúde, além da Universidade Federal de Pelotas, Universidade Federal do Espírito Santo e Universidade Federal do Ceará. A “cefixima” é uma droga aprovada nos Estados Unidos e utilizada no tratamento da gonorreia, outra infecção sexualmente transmissível. Caso seja comprovada a eficácia desta droga para a sífilis, o próximo passo é testar sua eficácia em mulheres grávidas. O objetivo, a longo prazo, é a prevenção da sífilis da mãe para o bebê, denominada sífilis congênita. 

Customização de dados contra obesidade infantil

A obesidade atinge 224 milhões de crianças em idade escolar no mundo. Mesmo em países como o Brasil, onde há o desafio de combater a desnutrição infantil, a obesidade tem crescido, gerando desdobramentos na saúde dessas pessoas ao alcançarem a idade adulta. Levado em conta as especificidades desse problema de acordo com países, classe social e interação familiar, pesquisadores da Universidade de Fortaleza e de outros três países (Portugal, Espanha e Grécia), além de empresas parceiras, estão desenvolvendo o OCARIoT, um projeto internacional de pesquisa e desenvolvimento de uma solução inteligente de enfrentamento da obesidade infantil, utilizando o potencial da rede de internet das coisas (internet of things, IoT). A ideia é fornecer uma solução de coaching personalizado, orientando crianças, familiares e educadores a adotarem hábitos alimentares e estilo de vida saudáveis, incluindo atividade física. A rede IoT permitirá a coleta e monitoramento de padrões de atividade diária das crianças, contemplando a evolução da saúde, parâmetros fisiológicos e comportamentais, além de dados ambientais. Toda essa informação será classificada e analisada sob ótica de profissionais da saúde, permitindo fornecer um plano personalizado de ação para a prevenção e o enfrentamento da obesidade.

 

Minorar a dor orofacial

A dor orofacial afeta as regiões da cabeça, face, pescoço ou boca, onde há prevalência de tecidos moles e mineralizados. Se uma dor moderada ou forte em outra parte do corpo causa certo nível de dificuldade e desconforto, mas sem comprometer a maior parte das atividades, a dor orofacial aguda e crônica pode levar a estados de prostração do paciente. Chega a atingir 86% da população ocidental, causando sofrimento físico e psíquico no paciente, bem como dificuldade nas relações interpessoais. Atento às repercussões desse quadro, um grupo de pesquisa vinculado aos Programas de Pós-Graduação em Saúde Coletiva e Ciências Médicas da Unifor trabalha na produção de nove potenciais novos medicamentos para o tratamento da dor orofacial. Desse total, um já possui pedido de patente da formulação e quatro estão em fase de testes da formulação e pedido de patente. Quatro outros medicamentos encontram-se atualmente em fase de início de desenvolvimento da formulação.

Divertida mente em reabilitação

Crianças com paralisia cerebral agora têm na realidade virtual um novo aliado na reabilitação motora e cognitiva. O jogo Rehab Fun (ou Reabilitação Divertida), idealizado por pesquisadores do Programa de Pós-Graduação em Informática Aplicada da Unifor, traz cinco fases de desafios para o usuário, aliando tecnologia e ludicidade. A ferramenta ressalta a diferenciação de cores e formatos de objetos, números, letras e animais, tudo feito com o movimento das mãos. O sensor é capaz de captar movimentos dos 10 dedos das mãos, permitindo que o usuário realize as tarefas para as quais é submetido. O objetivo é melhorar a qualidade de vida dos pacientes e pais, bem como acelerar o processo de reabilitação por meio de atividades em ambiente virtual e divertido. 

 

Leite de cabra turbinado

A caprinocultura é uma atividade típica do Ceará, tradicionalmente inserida em nossa cultura alimentar pelo consumo de carne e leite. Essa boa aceitação levou cientistas do curso de Medicina Veterinária a trabalhar na produção de um leite caprino humanizado com elevado potencial protetor contra diarreia e desnutrição, principais causas da mortalidade infantil em nosso país. O objetivo da pesquisa é adicionar ao leite animal duas proteínas do leite materno, lisozima e lactoferrina humana, que funcionam como imunoprotetores naturais para os bebês que não podem ser adequadamente amamentados pela mãe. A pesquisa encontra-se atualmente em fase de validação do efeito protetor e de segurança do produto.

Também há estudos direcionados à produção de biofármacos a partir do leite de caprinos geneticamente modificados. Neste caso, o leite constitui apenas um veículo para a produção das drogas que são, subsequentemente, purificadas. Os biofármacos em desenvolvimento pela Unifor são a L-asparaginase, para o tratamento da leucemia, o anticorpo monoclonal anti-VEGF, usado no combate ao câncer de pulmão, colorretal, rins e ovários, e o anticorpo monoclonal anti-CD20, empregado no combate a linfomas e doenças autoimunes. O Brasil gasta, anualmente, cerca de R$ 600 milhões com a aquisição destas três drogas de empresas estrangeiras. O projeto é realizado em cooperação com o Instituto Butantan e Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz-CE), além da empresa chilena CBB (Centro de Biotecnología y Biofármacos) e da startup brasileira Fortgen Technologies. 

 

Berçário de tech

São 2 mil metros quadrados dedicados à inovação tecnológica e criação de iniciativas a partir de processos compartilhados. O Parque Tecnológico da Unifor (TEC Unifor) atua como indutor de um ciclo virtuoso. Os alunos que ingressam na graduação e na pós-graduação podem atuar em projetos com as empresas parceiras, construindo pontes com o mercado de trabalho, ou partir para iniciativas empreendedoras através da incubadora. As empresas instaladas no parque tecnológico se beneficiam da capacidade científica e técnica da Unifor numa produção colaborativa, atingindo outro patamar no desenvolvimento de produtos e a abertura a novos mercados. E a instituição, por seu turno, empodera professores e pesquisadores para a construção de conhecimento alinhado com a realidade.  

Leia mais!

Conhecimento sem fronteiras