angle-left Profissionais e estudantes de Medicina participam de projeto que ajuda pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social

Qua, 10 Junho 2020 19:09

Profissionais e estudantes de Medicina participam de projeto que ajuda pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social

Durante a pandemia, voluntários da Rede de Médicas e Médicos Populares - Ceará, levam serviços de saúde às ruas de Fortaleza


Voluntários realizam assistência em saúde e levam acolhimento de demandas emocionais e sociais dos pacientes (Foto: Divulgação)
Voluntários realizam assistência em saúde e levam acolhimento de demandas emocionais e sociais dos pacientes (Foto: Divulgação)

Acesso à saúde de qualidade, alimentação e higiene para todos, independente da sua condição social. É com esse ideal de solidariedade os estudantes, egressos e professores participam como voluntários das ações com a população em situação de rua através da captação de novos voluntários pela Rede de Médicas e Médicos Populares - Ceará. 

“A iniciativa não se restringe apenas ao atendimento em saúde, que é de extrema importância e que tem sido negado a essa população historicamente, por diversas questões. É uma tentativa de garantir necessidades básicas aos que são excluídos. Essas ações já existiam antes da pandemia, organizados pela Rede Rua, composta pelos coletivos: arRuaça, Casa da Sopa, Pastoral do Povo da Rua, APTU e outros. As ações foram reforçadas devido a maior vulnerabilidade e necessidade de assistência à saúde do contexto atual”, explica a professora Livia Rocha, do curso de Medicina da Unifor.

Por meio da arrecadação de doações, a iniciativa fornece higiene pessoal, com banhos e lavagem de mãos, além de alimentos, roupas e abrigo temporário. Durante a pandemia de Covid-19, máscaras e álcool em gel também são distribuídos a fim de prevenir a contaminação pelo novo coronavírus.  

Segundo a professora Livia, “a equidade é um princípio fundamental no SUS e tem sido desrespeitado sistematicamente, principalmente quando se fala de minorias e populações vulneráveis. Ações como essa levam os voluntários de saúde a conhecerem a pessoa na sua realidade, e de fato, se apropriar disso. O objetivo não é apenas prestar assistência de uma forma filantrópica, é também reconhecer essas pessoas como dignas de direitos de conscientizá-las do seu papel. Elas não têm um papel passivo, pelo contrário, o objetivo é também estimulá-las a lutarem e se articularem para que eles sejam garantidos”, destaca a médica. 

As ações de banho, marmita e outros cuidados são organizadas pela Rede Rua e seus coletivos, e os atendimentos em saúde são inseridos nas ações através da rede de médicos e seus voluntários, que somam aproximadamente um total de 30 pessoas.  Juntos, eles organizam uma escala semanal em comunidades para assistência em saúde composta por médicos, enfermeiros, além de psicólogos e assistentes sociais, que levam também o acolhimento de demandas emocionais e sociais.

Os atendimentos são livre demanda e englobados sem restrição, como afirma a médica voluntária Marina Pinho, formada pela Unifor. “Recebemos pacientes que têm desde queixas agudas e emocionais até quadros crônicos como diabetes, hipertensão, até mesmo gestantes para o pré-natal ou planejamento familiar de mulheres que não querem engravidar”.

Olhar humanizado

Para Marina Pinho, a pandemia trouxe ainda mais vontade em contribuir com as ações voluntárias das quais ela já participava desde a graduação. Atualmente, ela realiza atendimentos médicos e também leva apoio emocional aos pacientes por meio da assistência humanizada. 

“Eu acredito que qualquer tipo de ação que você realize em prol do benefício de outra pessoa, sem ganhos secundários, sejam monetários ou até mesmo de auto divulgação, tornam a iniciativa humanizada. Principalmente, quando a gente fala de pessoas que são negligenciadas num contexto social amplo, seja em questão de saúde, moradia ou emprego. Os colegas da área da saúde também têm essa percepção, como lidamos diretamente com as pessoas, pequenas coisas já podem humanizar o processo”, afirma Marina.  

De acordo Livia Rocha, “as escolas médicas, no seu contexto geral, tinham a filosofia de criar um distanciamento entre o médico e o paciente. Não podemos esquecer que, nós, profissionais da saúde, temos nossas emoções e nossas limitações e isso influencia sim na assistência que prestamos, assim como o nosso paciente tem as dimensões da humanidade dele. É preciso olhar tudo isso de forma empática, precisamos naturalizar as relações humanas e a relação médico-paciente, nada mais é do que uma relação humana em toda sua magnitude e complexidade", aponta a professora.

Diariamente, estudantes de Medicina da Unifor exercitam o sensível olhar de aproximação das necessidades e anseios dos pacientes, para além do viés técnico, construindo assim, uma formação pautada nos valores de empatia e dedicação em compreender a realidade vivenciada por quem precisa de ajuda.

Desde o primeiro semestre, os estudantes de Medicina são inseridos na realidade da população com toda a sua complexidade, em especial, na estratégia de ações integradas em saúde, onde os alunos têm a oportunidade de vivenciar o dia a dia nas unidades de saúde e nas comunidades, tornando assim, a formação muito mais completa e voltada para o papel social do médico e das universidades”, enfatiza Livia Rocha.

Projeto Solidariedade Rede Rua

Doações (qualquer valor)

Rafaela Barros de Sousa
Banco do Brasil
Operação 001
Ag 3472-X
CC 61920-5
CPF 04606464356 

Voluntariado em saúde

Maria Nice (Rede Nacional de Médicas e Médicos Populares)
Contato: 88 97320387

Voluntariado em logística

Emilie Kluwen (Coletivo arRUAça)
Contato: 85 986708680

Mais informações - Instagram

@medpopulares_ce 
@institutocompartilha 
@coletivoarruaça 
@grupoespiritacasadasopa