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Espaço Cultural Unifor

A Universidade de Fortaleza promove a XIX Unifor Plástica, com o tema “Uma constelação para Sérvulo Esmeraldo”. A exemplo da última edição, esta também será curatorial, portanto, será composta por obras selecionadas pelo curador Ivo Mesquita.

Nesta edição, a exposição reúne artistas cearenses ou residentes no Ceará e outros artistas do Nordeste. Também estarão presentes na exposição obras de Sérvulo Esmeraldo.

Participam da XIX Unifor Plástica os seguintes artistas: Sérvulo Esmeraldo, Eduardo Frota, José Guedes, José Albano, Carlos Macedo, Tiago Santana, Eduardo Eloy, Rafael Vilarouca, Ícaro Lira, Cadeh Juaçaba, Márcio Távora, Jared Domício, Luiza Veras, Waléria Américo, Marco Ribeiro, Sabyne Cavalcanti e Rodrigo Frota..

Ivo Mesquita, curador da Unifor Plástica, fala da escolha do artista Sérvulo Esmeraldo para ser tema desta exposição. “Para um profissional de fora da região, é notável a presença da obra e da figura de Sérvulo no meio artístico cearense. Pensei que esta seria uma potente homenagem a ele: ter sua obra em vivo contato com as produções de artistas, seus contemporâneos”, explica Ivo.

“Sérvulo foi um artista de muitas artes: escultura, desenho, gravura, pintura, design e gráfica, com trabalhos que vão de um rigor absoluto na concepção da forma ao espírito mais livre e lúdico com os limites que esta impõe ao seu programa plástico, ao seu projeto estético, sempre em expansão e afirmativo da dimensão humana e transformadora da experiência criativa e artística”, afirma Mesquita.

O curador fala ainda sobre a seleção das obras para esta mostra. “A exposição aborda sua obra, vinculada à tradição construtivo/concreta brasileira, com um grupo de trabalhos escolhidos para, por um lado, oferecer uma perspectiva dos meios empregados na construção do objeto, assim como as diversas etapas e questões que puseram em marcha a sua produção. Por outro lado, o conjunto de obras propicia encontros, provoca fricções, aponta diferenças ou similitudes, promovendo relações pontuais com as produções de 18 artistas cearenses convidados, de diferentes gerações, trabalhando com suportes e estratégias que envolvem fotografia, desenho, escultura, pintura, vídeo e instalação. Com esse partido curatorial, a mostra busca construir um panorama da produção artística cearense em torno da figura central de Sérvulo Esmeraldo” relata Ivo Mesquita.

O artista plástico Marco Ribeiro, um dos artistas a expor na XIX Unifor Plástica, fala sobre sua relação com a arte e a importância da mostra. “Essa é a primeira vez que eu participo da Unifor Plástica. Eu sou designer, trabalhei por 18 anos em agência de propaganda como diretor de arte e comecei a carreira artística em Fortaleza. Sempre me interessei por desenho, meu avô era gráfico, então eu passava minhas férias na gráfica dele montando blocos, formando palavras. Em 2015 eu decidi me afastar da Publicidade e fui para as artes plásticas, mergulhando de cabeça”, relata Marco.

“Em 2016 o Sérvulo Esmeraldo esteve na minha casa para conhecer meu trabalho, e de lá pra cá muita coisa melhorou na minha vida. Ele me orientou e foi uma aproximação muito importante para mim, quase definitiva para o que eu queria”, confessa.

Sabyne Cavalcanti, outra artista que participa da Unifor Plástica, fala que ficou surpresa com a seleção do seu trabalho para a exposição e aborda a importância do evento. "Essa é a primeira vez que fui selecionada para essa mostra. Duas obras minhas serão exibidas: Ruínas da Prainha e a Ilha um Vídeo. Quanto à XIX Unifor Plástica, acho magnífica a contribuição que a instituição tem dado ao longo dos anos à arte. A mostra é essencial na formação artística, conecta com a arte contemporânea e beneficia o conhecimento e o entretenimento. A cada dia vem criando uma relação afetiva com a cidade e o mundo” ressalta Sabyne.

 

Sobre a Unifor Plástica

A mostra surgiu em 1973, por iniciativa da Fundação Edson Queiroz, mesmo ano de fundação da Universidade de Fortaleza. Ao longo deste período, essa tradicional exposição – antes um salão, agora uma mostra bienal de arte contemporânea – tem promovido sucessivas gerações de artistas cearenses e nacionais, constituindo uma importante referência para a formação e a difusão da visualidade contemporânea brasileira. Desde sua primeira edição, quando Sérvulo Esmeraldo participou, passaram por ela José Albano, Eduardo Eloy, José Tarcísio, Carlos Macedo, Eduardo Frota, José Guedes, Waleria Américo, Jared Domício e Rodrigo Frota. Desta edição participam pela primeira vez Thiago Santana, Marcio Távora, Ícaro Lira, Luiza Veras, Sabyne Cavalcanti, Marco Ribeiro, Rafael Vilarouca e Cadeh Juaçaba, abrindo um novo capítulo na história desta organização.

Sobre Sérvulo Esmeraldo

Sérvulo Esmeraldo, nascido no Crato em 1929 e falecido em Fortaleza em fevereiro deste ano,, foi um artista brasileiro de escultura, gravura, ilustração e pintura, conhecido por seu rigor geométrico-construtivo e suas incursões no campo da arte cinética. Iniciou a carreira artística na adolescência, com xilogravuras. No ano de 1951, se mudou para São Paulo, onde estudou Arquitetura. A partir de então, dedicou-se à xilogravura, realizando sua primeira exposição individual no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Na mesma época de sua primeira exposição individual no MAM, ganhou bolsa de estudos do governo francês, residindo no país até 1979. Em Paris, frequentou o ateliê de litogravura da École Nationale des Beaux-Arts e estudou com Johnny Friedlaender.

Na década de 1960, iniciou suas criações no campo da arte cinética, trabalhando como materiais como com ímãs, eletroímãs e por gravidade. Em 1974 participou da exposição L'idée et La Matière, na Galeria Denise René, em Paris. Retornou definitivamente a Fortaleza no ano de 1980. Em 1983, recebeu o Prêmio Melhor escultor do ano da Associação Paulista de Críticos de Arte. Em 2011, a Pinacoteca do Estado de São Paulo fez uma retrospectiva da obra do artista com publicação de livro coordenado por Aracy Amaral.

Resumo

XIX Unifor Plástica: “Uma constelação para Sérvulo Esmeraldo”.  De 17 de outubro de 2017 a 28 de janeiro de 2018.

Exposição Antônio Bandeira: um abstracionista amigo da vida

O pintor, desenhista e gravador cearense Antonio Bandeira trilhou um caminho único na arte brasileira. Averso ao academicismo, abandonou a arte figurativa de seus anos iniciais e tornou-se pioneiro do abstracionismo do país. A partir de 10 de agosto, o Espaço Cultural Unifor, localizado no campus da Universidade de Fortaleza, apresenta um pouco da trajetória deste artista ímpar na exposição Antonio Bandeira: um abstracionista amigo da vida. Com a realização da Fundação Edson Queiroz e organização da Base7 Projetos Culturais, a mostra tem curadoria de Regina Teixeira de Barros e Giancarlo Hannud.

A exposição reúne um conjunto de 91 obras que abarca diferentes momentos de sua produção artística, das primeiras pinturas figurativas, de caráter social, às grandes telas com densas tramas, tão comuns em seus últimos anos.

"Os delicados guaches e aquarelas, nos quais a sutileza e a poesia imperam, pontuam a trajetória do artista e se contrapõem, na década de 1960, aos trabalhos mais experimentais, realizados com materiais não tradicionais como miçangas, fitas adesivas e tinta automotiva", aponta Regina. “Bandeira permaneceu sempre à margem de escolas e estilos, jamais emprestando seu nome às declarações de fé estética tão em voga naquele momento”, completa Giancarlo, que também coordenou todo o levantamento de obras do artista e a pesquisa para o catálogo raisonné parcial.

“Seguindo sua missão de apoiar e difundir a produção de artistas cearenses, a Fundação Edson Queiroz realiza uma exposição inédita de Antonio Bandeira, que reúne alguns de seus trabalhos mais importantes. Um marco da mostra será o lançamento do catálogo raisonné de Bandeira, patrocinado pela Fundação Edson Queiroz, a ser lançado no Espaço Cultural Unifor. Ao apresentar exposições e ao mesmo tempo apoiar publicações da relevância de um catálogo raisonné, a exemplo do que realizou com Leonilson no primeiro semestre deste ano, a Universidade de Fortaleza, mantida pela Fundação Edson Queiroz, cumpre seu papel de aliar arte e educação como forma de promover o conhecimento, alcançando não só sua comunidade acadêmica, mas toda a sociedade”, afirma o vice-reitor de extensão da Unifor, prof. Randal Pompeu.

Definido por seus pares como um artista sério, lacônico e metódico, Bandeira deixou como legado uma produção surpreendente pela qualidade e sensibilidade de suas obras. Parte das obras apresentadas nesta exposição é pouco conhecida do público e até mesmo pelo circuito da arte, pois muitas foram localizadas graças às pesquisas para o catálogo raisonné parcial do artista.

O artista é expoente de uma vertente abstrata que privilegia a gestualidade e a expressão da experiência poética. Em seus trabalhos, traços, cores, tramas, manchas e respingos, todos aparentemente abstratos, na verdade estampam o mundo interior que o artista abrigava dentro de si. Por meio deles, Bandeira sugere a seu espectador uma infinidade de lembranças e emoções. Não por acaso, os títulos de suas obras evocam paisagens urbanas e cenas do cotidiano, abrindo caminho para interpretação lírica dessas composições.

Nas palavras do próprio artista, seus traços retratam “paisagens, marinhas, árvores, portos marítimos, cidades, enfim, apontamentos de viagem. Parto do realismo e, depois, vou aparando a ramaria até chegar ao ponto que minha sensibilidade exige. (...) A natureza foi e será, sempre, o meu celeiro”, dizia. Esse compromisso alegre com a vida pautou sua aproximação e assimilação da linguagem internacional da arte abstrata.

 

Perfil de Antonio Bandeira

Antonio Bandeira nasceu em Fortaleza, em 1922. Iniciou-se na pintura com a professora Mundica, bastante conhecida na cidade de Fortaleza, cujo método de ensino era a cópia. Em 1941, participou da criação do Centro Cultural de Belas Artes, entidade que nos anos seguintes deu origem à Sociedade Cearense de Artes Plásticas.

Em 1945, mudou-se para o Rio de Janeiro, cidade que recebeu sua primeira exposição individual. Contemplado pelo governo francês com bolsa de estudos, mudou-se para Paris em 1946, onde frequentou a École Nationale Supérieure des Beaux-Arts e a Académie de la Grande Chaumière.

Em Paris, o jovem artista entrou em contato com o abstracionismo lírico. A partir dessa aproximação, a gestualidade, já reconhecida nas suas primeiras figurações expressionistas, ganhou destaque ainda maior quando ele passou a se dedicar à abstração.

Bandeira participou das duas primeiras edições da Bienal de São Paulo, em 1951, ano que retornou ao Brasil, e em 1953. A segunda edição lhe rendeu um Prêmio Fiat, motivo que o levou novamente à Europa em 1954. Lá, permaneceu até 1959, passando pela Itália e Inglaterra.

Ao retornar ao Brasil, dedicou-se a uma atividade artística intensa, participando de importantes exposições, no Brasil e no exterior. Bandeira voltou a Paris em 1965, onde permaneceu até sua morte, dois anos depois.

 

Catálogo raisonné

Com patrocínio da Fundação Edson Queiroz, mantenedora da Universidade de Fortaleza (Unifor) e do Espaço Cultural Unifor, e coordenação da Base7 Projetos Culturais, a catalogação será editada e publicada como Catálogo Raisonné Parcial, em dois volumes com cerca de 500 páginas.

Valioso material de pesquisa e estudo colocado à disposição do público, o catálogo constitui uma ferramenta de acesso à abrangência e profundidade da obra do artista, de toda sua trajetória. O projeto contribuirá ainda para a disseminação e permanência do legado Bandeira a gerações futuras, funcionando como documento relevante para consultas de críticos de arte, historiadores, pesquisadores, estudantes público de arte e interessados em geral.

Com a publicação, Bandeira se junta ao seleto grupo de artistas brasileiros que já tiveram suas obras catalogadas em raisonné: Alfredo Volpi, Candido Portinari, Iberê Camargo, Tarsila do Amaral e, mais recentemente, Leonilson. Atualmente, a obra de Bispo do Rosário também tem sido revisitada e catalogada.

 

Resumo:

Antonio Bandeira: um abstracionista amigo da vida.  De 11 de agosto a 10 de dezembro de 2017.