Espaço Cultural Unifor Museu

Esculturas e pinturas do Espaço Cultural Unifor estão em destaque.

Exposições

A poética casa, repleta de imagens afetivas, aporta no espaço museológico. Eis o “leimotiv” que conduz o desenrolar da memória na exposição dedicada à vida de Yolanda Queiroz (1928-2016), matriarca de uma das famílias mais tradicionais e de destaque no ramo dos negócios no Ceará, construída a partir de sua união com o empresário Edson Queiroz (1925-1982). Parte importante do acervo pessoal fará parte da exposição “Yolanda Vidal Queiroz - Momentos”, que será aberta oficialmente dia 10 de outubro, às 19h, no Espaço Cultural Unifor, sob curadoria de Denise Mattar.

Trabalho, educação e arte. Sobre esse tripé de valores simbólicos, dona Yolanda construiu o seu mundo de sentidos. Dele, fazem parte pinturas de artistas brasileiros modernistas; objetos e peças representativas da religiosidade barroca, adquiridas em suas inúmeras viagens pelo mundo; uma vasta iconografia afetiva com fotos de época, álbuns de família, manuscritos íntimos, vestuário e mobiliário próprios, além de todo um acervo de documentos e registros que dão conta da trajetória empresarial ascendente da família Queiroz.

“Um grande destaque da coleção de D. Yolanda é a arte sacra, indo da escultura barroca erudita, na qual se destacam imagens de Sant’Anna, São Pedro e São José, ao barroco popular. Há pinturas barrocas brasileiras e pinturas da Escola Cuzquenha. Muito religiosa, D. Yolanda era ecumênica, assim sua coleção inclui divindades indianas, vietnamitas, tailandesas, e um conjunto excepcional de ícones russos”, detalha a curadora Denise Mattar, que pinçou da casa da matriarca todo o acervo agora em exposição. Mãe de seis filhos e principal conselheira do criador do Grupo e da Fundação Edson Queiroz, foi ela a corresponsável inclusive por encorajar o marido a investir na criação da Universidade de Fortaleza. 

Um arquivo pessoal que promete revelar nuances de uma personagem capaz de surpreender o senso comum: dona Yolanda como a empreendedora que, longe de ser apenas figura decorativa, assumiu as rédeas dos negócios do marido após seu falecimento, chegando a ganhar o prêmio Personalidade do Ano, em Nova Iorque; a mãe de pulso forte mas doce o bastante para manter unida a numerosa família que se reunia pelo menos uma vez por semana em sua casa; a avó Landa, que mantinha o hábito amoroso de escrever bilhetinhos para os netos; a moçoila que, quando noiva, rendeu-se aos encantos de um Edson romântico capaz de oferecer-lhe diariamente buquês de bugaris, até ouvir o esperado “sim”; a esposa amantíssima que se casou aos 16 anos e guardou enternecida e a sete chaves o véu e a grinalda originais de seu casamento; a dona de casa caprichosa que não economizava nos tons de azul-turquesa, sua cor predileta, e nem na variedade de ornamentos afixados nas paredes e dispostos por ela mesma como verdadeiras instalações.

Inestimável, o relicário de Yolanda Queiroz ganha os contornos de exposição de arte a partir de uma montagem que acabou por dividir a galeria em núcleos, partindo de uma cronologia familiar para chegar à coleção particular de uma também “dama das artes”. “A mostra terá algumas características em comum com as exposições recentemente apresentadas no Espaço Cultural da Unifor, como a Coleção Airton Queiroz e Da Terra Brasilis à Aldeia Global, sendo complementar a elas e trazendo, como diferencial, peças ligadas à religiosidade barroca. Dessa forma, cria-se uma trilogia de exposições dessas importantes coleções cearenses, que também se somam à mostra Pioneiros & Empreendedores, alusiva a Edson Queiroz, realizada em São Paulo”, anuncia a curadora.

Entre os recursos cenográficos da exposição, vídeos, fotografias, cartões postais, músicas e roupas conduzem o olhar de quem também vai conhecer a própria história do Ceará e do Brasil a partir da trajetória de vida de dona Yolanda. Amalgamados, passado e presente surgem ainda em imagens plotadas nas paredes ou digitalizadas e projetadas em monitores. Além da recriação de ambientes domésticos, tal e qual se vê na casa da homenageada, o barroco é assumidamente vedete. Não à toa. “A coleção de D. Yolanda reúne santos, pinturas, pratarias, e elementos ornamentais singulares”, adianta.

Cores e nomes. De encher os olhos, a coleção da matriarca privilegia majoritariamente o Modernismo brasileiro: Di Cavalcanti, Ismael Nery, Portinari, Milton Dacosta, Guignard, Anita Malfatti,  Inimá de Paula, Eliseu Visconti, Antonio Bandeira, Pancetti, Frans Post, Cícero Dias, Volpi, Djanira, Vicente do Rego Monteiro, entre outros, constituem a espinha dorsal da exposição com fins igualmente educativos e didáticos.

“Uma das obras mais antigas da coleção de D. Yolanda é um belíssimo Frans Post. O artista veio ao Brasil com Mauricio de Nassau, ainda no século XVII, e realizou os mais importantes registros do Brasil recém-descoberto. Há também um conjunto de algumas obras clássicas, entre elas, pinturas de Eliseu Visconti e esculturas de Emilio Fiaschi, em mármore e alabastro, e de Charles Collet, em bronze”, elenca a curadora.

Há ainda o retrato de D. Yolanda assinado por Albery, obra pela qual, segundo Denise, ela nutria especial afeto. Outro patrimônio afetivo vindo à tona é um retrato de família, realizado por Lazlo Burjan, em 1970, onde se veem D. Yolanda e as quatro filhas, ainda solteiras. Assim, recriado com imaginação, o espaço vivido de Yolanda Queiroz se apresenta ao público como um elogio à memória individual e coletiva, tornando equivalentes em importância a casa e o mundo.

Serviço

Exposição “Yolanda Vidal Queiroz - Momentos”
Abertura oficial:
10 de outubro, às 19h
Local: Espaço Cultural Unifor
Período de apresentação: 11 de outubro de 2019 a 1º de março de 2020
Horário de funcionamento: 9h às 19h (terça a sexta-feira) e de 10h às 18h (sábado e domingo)
Aberto ao público

Empregada esporadicamente ao longa história, a palavra foi utilizada em pinturas, tapeçarias, sendo incorporada às artes plásticas no início do século XX, a partir das vanguardas modernistas, futurismo, cubismo, surrealismo e dadaísmo.

A partir desse olhar, a curadora da 20ª Unifor Plástica, Denise Mattar, percebeu o uso da palavra como característica marcante nas obras dos artistas cearenses, sendo o elemento delimitou o tema desta exposição: “20ª Unifor Plástica: Simultaneidades – A Arte com a Palavra”.

“Percebi uma recorrência do uso da palavra na produção de artes visuais cearenses, da palavra filmada, escrita, gravada ou meramente como suporte da obra. Esse foi o fio condutor inicial para escolha das obras que iriam compor a exposição. Teremos vinte e cinco artistas, sendo que um deles, Francisco de Almeida, terá uma sala especial”, explica Denise.

Nesta edição comemorativa a mostra voltará às suas origens, apresentando apenas artistas cearenses ou radicados no estado, de diferentes faixas etárias e percursos, reafirmando a importância institucional da Unifor Plástica na construção da visualidade brasileira.

“Embora hoje exista uma intensa hibridação entre as diferentes estratégias artísticas, pintura, fotografia, vídeo, instalação, e um predomínio da conceituação sobre a forma, processo no qual a palavra adquiriu grande presença nas artes visuais, parece-me que a produção contemporânea cearense incorporou, com densidade particular, essa relação da arte com a palavra. Credito essa presença há algumas peculiaridades da cultura local, como a tradição do cordel, das histórias contadas, cantadas e bordadas, e da presença de um imaginário nordestino que permeia a fala, até do dia a dia, em expressões poéticas que se perderam em outros lugares”, destaca Denise Mattar.

A 20ª Unifor Plástica reúne o trabalho de 25 artistas, com uma mescla de obras inéditas e outras produzidas anteriormente. “Há artistas que haviam realizado trabalhos em pequeno formato e que agora serão apresentados em um formato maior, mas apenas porque esse já era um desejo dos artistas. Outros aumentaram séries que já existiam, também estimulados pela proposta. Houve uma grande colaboração dos artistas para mostrar seus trabalhos da melhor maneira”, confessa Denise.

Serviço

20ª Unifor Plástica: Simultaneidades – A Arte com a Palavra
Abertura oficial:
10 de outubro, às 19h
Local: Espaço Cultural Unifor
Período de apresentação: 11 de outubro de 2019 a 1º de março de 2020
Horário de funcionamento: 9h às 19h (terça a sexta-feira) e de 10h às 18h (sábado e domingo)
Aberto ao público

A Fundação Edson Queiroz apresenta oficialmente em 10 de outubro, a partir das 19h, no Espaço Cultural Unifor, a 2ª edição da mostra “Da Terra Brasilis à Aldeia Global”, com cerca de 200 obras de grandes artistas nacionais e internacionais, expostas em uma abordagem histórica e didática. A mostra apresenta obras do acervo da Fundação Edson Queiroz, incorporando algumas que se encontravam em exposição em importantes museus internacionais. “O acervo da Fundação Edson Queiroz excede em qualidade e quantidade a de muitos museus do eixo Rio-São Paulo”, destaca Denise Mattar, curadora da exposição.

Para facilitar o entendimento do público visitante, a exposição é dividida em módulos, cujas obras resgatam seis séculos de arte. A mostra abrange um espaço de tempo que passeia do século XVI ao século XXI e tem início como livro “America Tertia Pars”, que foi publicado na Europa em 1595.

“Da Terra Brasilis à Aldeia Global – 2ª Edição” é finalizada com obras contemporâneas, de artistas como Adriana Varejão e Beatriz Milhazes. Vale a pena obras de artistas como Victor Meirelles, Frans Post, Simplício de Sá Rodrigues, Raimundo Cela, Eliseu Visconti, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Adriana Varejão, Sérvulo Esmeraldo, Candido Portinari, entre outros.

Serviço

Da Terra Brasilis à Aldeia Global - 2ª Edição
Abertura oficial:
10 de outubro, às 19h
Local: Espaço Cultural Unifor
Período de apresentação: A partir de 11 de outubro de 2019
Horário de funcionamento: 9h às 19h (terça a sexta-feira) e de 10h às 18h (sábado e domingo)
Aberto ao público

Informações para contato

Espaço Cultural Unifor | De terças às sextas, de 9h às 19h; e sábados e domingos ,de 10h às 18h | Entrada gratuita | Estacionamento no local

  • E-mail de contato: espacocultural@unifor.br
  • Fone de contato: (85) 3477.3319
  • Endereço de contato: Av. Washington Soares, 1321. Edson Queiroz