O letramento racial e os desafios na universidade

A construção do saber deve ser contínua, pois sabemos que muito do que se já foi vivido e tornou-se história no decorrer das décadas em sociedade precisou passar por adaptações. No tocante a prática do letramento racial não é diferente, pois se faz urgente e necessária a atualização sobre o tema, visto que ainda possuímos uma sociedade que reproduz estruturalmente a discriminação racial.

 Ao longo dos anos, a pauta sobre letramento racial foi tomando espaço na agenda científica e social. Apesar do termo ainda ser desconhecido por parte da população, ele vem ocupando o seu espaço e importância nas organizações públicas e privadas que se mobilizam com relação às suas práticas.

O conceito de letramento racial foi formulado pela antropóloga afro-americana France Winddance Twine e traduzido pela psicóloga e pesquisadora Lia Vainer Schusman, onde representa, principalmente, a reeducação do indivíduo em uma perspectiva antirracista, respondendo às tensões raciais, assim como tende a levar o indivíduo para ação e transformação de práticas antirracistas. 

Infelizmente, ainda existe a falta de familiaridade e compreensão em relação ao tema da raça em relação à população brasileira, o que é preocupante, dado que a população negra representa 56% do total de habitantes no Brasil. É cada vez mais claro que uma compreensão aprofundada das questões raciais é essencial para uma convivência harmoniosa e inclusiva na sociedade.

É essencial que a discussão sobre essa questão seja amplamente abordada em espaços públicos, universidades, escolas, empresas e nos demais locais de convívio. Cada indivíduo deve assumir a responsabilidade pelo seu próprio letramento racial, compreendendo as razões pelas quais certas expressões são inadequadas e por que há uma tendência de mudar de calçada ou segurar a bolsa com mais firmeza ao passar por uma pessoa negra, entre inúmeras outras situações semelhantes.

O letramento racial é fundamental porque capacita os cidadãos a reconhecerem e responderem individualmente ao problema estrutural que é o racismo. Para aprofundar o conhecimento sobre esse tema e participar de um diálogo construtivo e enriquecedor, o LibriCast, o podcast da Biblioteca Central da Unifor, produziu um episódio especial que contou com a participação da socióloga e mestre em Antropologia Social, Izabel Accioly, reconhecida ativista feminista interseccional e antirracista, que possui amplo conhecimento sobre o assunto.

Para ouvir o episódio #26 do LibriCast, Letramento racial e desafios nas Universidades, clique aqui.


Valeska Sousa - Bibliotecária do Setor de Empréstimos