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Ter, 24 Setembro 2019 14:20

Doação de órgãos: a esperança de uma nova vida

Em um ato de amor e solidariedade, Alex devolveu a esperança a Antônia quando se voluntariou a doar um de seus rins para a esposa. Conheça a história do casal


Alex Quinto e Antônia Cortez. Foto: Ares Soares.
Alex Quinto e Antônia Cortez. Foto: Ares Soares.

“Enquanto a pessoa está dialisando, passam vários pensamentos na cabeça: às vezes não tem esperança, no outro dia já tem esperança. Eu sentia medo de não aparecer um rim para mim, medo de perder o marido por estar feia, toda inchada... No dia seguinte, já estava com esperança de novo”. Durante um ano e cinco meses, nos pensamentos da auxiliar administrativa Antônia Cortez, de 36 anos, a esperança e a desesperança caminharam lado a lado. 

Diagnosticada com uma doença renal grave, durante 17 meses, Antônia precisou fazer diálise peritoneal. “Todos os dias eu passava nove horas ligada a uma máquina que ficava no meu quarto”, lembra. A desconfiança de que algo não andava bem no seu organismo surgiu em 2007, quando teve uma dengue e os exames de sangue mostraram uma forte anemia. Na época, porém, como não tinha plano de saúde, não investigou nem tratou as causas. 

Só depois de ingressar no quadro de funcionários da Universidade de Fortaleza, em 2012, e passar a ter um plano de saúde, foi que Antônia fez um check up e descobriu a gravidade do problema nos rins. Mesmo com o tratamento médico intenso, veio a indicação de transplante e o início da angústia vivida por mais de 30 mil pacientes que aguardam na fila por um transplante de órgãos ou tecidos no Brasil.

Mas antes de entrar na fila, Antônia recorreu aos familiares. Os pais não podiam doar pela idade avançada. Dos três irmãos, apenas um poderia ser doador vivo, porém, ele não era compatível. Foi aí que o marido de Antônia ganhou o papel principal. Mesmo com poucas chances de ser compatível com a esposa por não ter parentesco, Alex Quinto, de 37 anos, se voluntariou a ser o doador vivo da esposa.

“Fizeram uma bateria de exames e tudo foi compatível. A gente tinha 95% de compatibilidade, algo que às vezes não dá nem em quem é parente. Ela, uma maranhense, e eu, um cearense, e a gente se encontrou. Acabou que a gente era compatível até nessa questão”, lembra Alex. “Foi um presente de Deus”, endossa a auxiliar administrativa.

Uma só carne

O transplante foi realizado em 2016, em uma cirurgia tranquila que, para Antônia, além ter colocado fim nas nove horas diárias ligada a uma máquina, resgatou sua qualidade de vida, a rotina de trabalho e a esperança por vezes perdida. “Por meio da doação de órgãos, a pessoa volta a viver, a sonhar, sorrir, a ter esperança. É uma demonstração de amor que você não tem explicação. Eu não tenho palavras para agradecer”, emociona-se.

Muito além de uma demonstração de amor, a doação de Alex foi um ato de compaixão e solidariedade. “Em nenhum momento eu pensei em desistir, eu sempre estive muito convicto em fazer a cirurgia e ser o doador. Era uma coisa que eu podia fazer para uma pessoa que eu amava e, independentemente disso, era uma coisa que eu podia fazer por alguém que estava precisando”, destaca Alex. 

Casados há 10 anos, a vida pós-transplante de Antônia e Alex é outra. Sem os tratamentos médicos intensos, hoje ela necessita apenas dos imunossupressores para evitar rejeição do organismo e alguns cuidados com a alimentação. Alex também vive uma vida completamente normal, com hábitos alimentares saudáveis e uma rotina de exercício quando dá. Com o diferencial de agora ter a certeza de que a esposa está bem. “Pessoalmente, a gente ficou mais ligado, mais parceiro. Agora, dentro dela tem um pedaço de mim. Como somos evangélicos, a gente crê muito no casamento que é uma só carne. E agora, literalmente é assim”, declara-se.