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Qua, 21 Novembro 2018 15:23

Estudantes de Comunicação da Unifor realizam visita a Redenção

Aula de campo foi realizada em alusão ao Dia da Consciência Negra, celebrado em 20 de novembro


Alunos e professores em frente ao monumento “Monumento Negra Nua”. Foto: Raquel Galiza.
Alunos e professores em frente ao monumento “Monumento Negra Nua”. Foto: Raquel Galiza.

Redenção, município distante apenas 55 quilômetros de Fortaleza, recebe esse nome por ter sido a primeira cidade brasileira a libertar os negros escravizados, quatro anos antes da assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel. Sob esse importante cenário histórico do país, estudantes de comunicação da Universidade de Fortaleza (Unifor) participaram de uma aula de campo com o intuito de celebrar o Dia da Consciência Negra, comemorado em 20 de novembro em todo o Brasil. A data homenageia Zumbi, um dos maiores heróis negros nacionais e o mais lembrado entre os líderes do quilombo dos Palmares.  

Essa foi a primeira atividade conjunta realizada pelas disciplinas Comunicação e Etnicidade, ministrada pela professora Janayde de Castro; Fotografia, ministrada pelo professor Jari Vieira; Radiojornalismo, ministrada pela professora Kátia Patrocínio, Filosofia da Comunicação, ministrada pelo professor Antônio Celiomar Lima e Antropologia da Comunicação, ministrada pela professora Kalu Chaves. As disciplinas fazem parte da grade curricular dos cursos de Publicidade e Propaganda e Jornalismo da Unifor. 

Para a professora Kalu Chaves a visita de campo é útil também para suprir demandas existentes na sala de aula. “É uma oportunidade da Universidade sair dos muros e preencher lacunas que surgem em sala. Ao mesmo tempo em que estar aqui hoje nos prepara para a vida profissional e cidadã, conhecer esse lugar que é parte da nossa história contribui para tudo isso”, ressalta. 

A professora Kátia Patrocínio ressalta a importância de experiências como essa para os alunos. “Esse lugar nos proporciona sentimentos que jamais a sala de aula poderia nos dar, que é ver como de fato viveu o povo escravizado, e ver que o passado não está assim tão distante, está bem perto”, afirma. 

A visita também proporcionou um momento de prática para os alunos de Fotografia e de Radiojornalismo, que fizeram entrevistas no percurso para a realização de um rádio documentário sobre o Dia da Consciência Negra. 

Percursos

O “Monumento Negra Nua”, inaugurado em dezembro de 1968, foi idealizado por Edmilson Barros de Oliveira e projetado pelo arquiteto Eduardo Pamplona. Localizado na entrada de Redenção, foi a primeira parada do grupo, a obra em ladrilhos, que retrata uma mulher negra com os braços para o alto como quem agradece algo aos céus, reforça o símbolo de libertação da cidade e seu pioneirismo na abolição da escravatura no Brasil. 

Para a aluna do 6º semestre de Publicidade e Propaganda da Unifor, Rebeca Dodt, a imagem representa resistência. “Ver a imagem me fez entrar na atmosfera do local e entender tudo aquilo, ver a imagem que logo à frente tem uma corrente saindo pela parede, traz toda uma carga simbólica e traz uma conexão com o lugar”, relata. 

A próxima parada dos estudantes foi o “Museu Senzala Negro Liberto”, localizado no Sítio Livramento, construído em 1873 pela família Muniz Rodrigues. Em 25 de março de 1883, os donos do engenho concederam a alforria de todos os negros escravizados que ali viviam, cinco anos antes da decretação da Lei Áurea. 

A casa-grande abriga o museu, criado em 2003, que conta com documentos, fotos e objetos daquela época. É possível ver também algemas, gargalheiras e outros instrumentos de tortura e “contenção” usados pelos senhores de engenho nos negros escravizados. A construção arquitetônica é composta por uma casa-grande, senzala, um cemitério improvisado pelos negros escravizados, canavial, a moageira e uma lojinha, Mercado de Sinhá, onde são vendidos os produtos feitos no local.  

Após visitar a casa-grande o tour seguiu para a senzala, o momento mais emocionante da aula de campo. No local os estudantes são convidados a percorrer um espaço mal iluminado, úmido e apertado, onde um dia os negros escravizados viveram. O local guarda ainda algumas imagens e objetos que eram usados para os castigos. É impossível não se emocionar com o percurso que se encaminha para um cemitério improvisado na saída na propriedade. 

A visita se encerra na lojinha do Museu, onde é possível degustar da cachaça “Douradinha”, envelhecida em tonéis de bálsamo por 30 anos. No terreno em que está a construção arquitetônica é possível ver o Engenho Grandes, que abriga máquinas de moagem de cana-de-açúcar. 

Sobre Redenção

O município está distante apenas 55 quilômetros de Fortaleza, e é sempre lembrado por ser o primeiro do Brasil a libertar os negros africanos que foram escravizados. O fato histórico aconteceu no dia 25 de março de 1884, quatro anos antes da assinatura da Lei Áurea pela princesa Isabel. A data entrou no calendário oficial do Governo do Estado em 2011, e relembra o fim da escravidão no Ceará. 

A cidade recebeu em 2009 a Universidade da Integração Internacional da Lusofonia Afro-Brasileira (Unilab), reconhecimento ao pioneirismo do fim da escravidão. O município também abriga vários outros pontos turísticos que remetem ao fato histórico, como o Museu do Negro Liberto.