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Seg, 16 Julho 2018 16:59

Pesquisadores da Unifor publicam artigo científico na Royal Society Open Science

O estudo consiste na proposição de um novo modelo matemático para a definição de cidades.


Professor Erneson A. Oliveira, autor da pesquisa sobre um novo modelo matemático capaz de definir assentamentos urbanos (Foto: Ares Soares)
Professor Erneson A. Oliveira, autor da pesquisa sobre um novo modelo matemático capaz de definir assentamentos urbanos (Foto: Ares Soares)

O professor Erneson A. Oliveira, bacharel, mestre e doutor em Física pela UFC, em colaboração com o professor dr. Vasco Furtado, do Programa de Pós-Graduação de Informática Aplicada da Unifor, José S. Andrade Jr. (UFC) e Hernán A. Makse do City College of New York (CCNY), publicou na revista científica Royal Society Open Science um artigo sobre um novo modelo matemático capaz de definir assentamentos urbanos, além de seus limites administrativos, em escala global.

O objetivo da pesquisa foi elaborar uma abordagem capaz de descrever cidades de forma científica, a partir de dados reais geo-referenciados de população para todo o mundo.

Atualmente, é difícil definir o que é uma cidade do ponto de vista da proximidade espacial e do nível de substituição das pessoas. Por exemplo, onde termina Fortaleza e começa Maracanaú? Onde termina Fortaleza e começa Eusébio? Uma vez que as pessoas podem morar em uma localidade e trabalhar em outra, esse limite administrativo existe na prática?

A dificuldade de delimitar essa fronteira se tornou um problema importante devido à alocação de recursos públicos. Quando se destina recursos a uma cidade, é necessário saber o quanto aquela cidade gasta, por exemplo, em água, na infraestrutura das ruas, no combate ao crime, na redução da emissão de dióxido de carbono.

É social e economicamente importante saber desses dados de indicadores urbanos, porém, dependendo da abordagem que é utilizada para definir uma cidade, esses indicadores podem ser estatisticamente diferentes.

“A gente utilizou o dado real de quantas pessoas tem em cada 1 km2 do mundo todo”, explica Erneson, que possui filiação ao PPGIA/DPDI, e ao Mestrado Profissional em Ciências da Cidade (MPCC).

A partir daí, foram desenvolvidas regras matemáticas que identificam as maiores concentrações de habitantes de forma nítida: “Com a nova ferramenta, a gente consegue, a partir de uma análise, definir cidades de uma maneira universal, independente do país ou do continente, isto é, em escala global”, explica Erneson em relação às vantagens do novo modelo.

Um dado interessante da pesquisa é que essa nova ferramenta indicou o que seria a maior cidade do mundo, que, na verdade, é um imenso aglomerado formado por pequenos povoados e 3 grandes assentamentos: Alexandria, Cairo e Luxor, com aproximadamente 65 milhões de habitantes, diferentemente dos relatórios publicados pela ONU, que indicam Tóquio como a maior cidade do mundo.

A nova fórmula para analisar cidades é inovadora, de acordo com o professor Erneson: “A gente espera que seja bem aceita na comunidade científica e que sirva para direcionar melhor a política pública, aqui de Fortaleza, do Brasil, ou até, de outra cidade do mundo”, ele finaliza.