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Ter, 17 Novembro 2020 17:06

Com participação da Unifor, estudo sobre tratamento de pacientes com Covid é publicado em revista internacional

Ana Paula Abdon, do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva, colaborou em pesquisa que compara medicamentos usados em pacientes de várias regiões do Brasil


Estudo científico constatou que o uso de hidroxicloroquina (HCQ), prednisona ou ambos causaram redução da hospitalização em 50-60% de pacientes com Covid (Foto: Getty Images)
Estudo científico constatou que o uso de hidroxicloroquina (HCQ), prednisona ou ambos causaram redução da hospitalização em 50-60% de pacientes com Covid (Foto: Getty Images)

Durante a pandemia causada pelo novo coronavírus diferentes pesquisas foram iniciadas por todo o País com o objetivo de encontrar soluções e novas respostas sobre a covid-19, que trouxe diversos questionamentos para a medicina e para a ciência por se tratar de uma nova doença. 

Dessa forma, um grupo de médicos e pesquisadores nacionais e internacionais, incluindo a pesquisadora Ana Paula Abdon, do Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade de Fortaleza, instituição da Fundação Edson Queiroz, em parceria como uma empresa de saúde suplementar, realizaram juntos o estudo epidemiológico e clínico intitulado Risk of hospitalization for covid-19 outpatients treated with various drug regimens in Brazil: comparative analysis”, que comparou os regimes de medicamentos usados em pacientes com Covid-19 tratados diferentes regiões do Brasil. 

Segundo Ana Paula Abdon, em meados de abril, o Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva da Universidade de Fortaleza fechou uma parceria com uma empresa de saúde suplementar para juntos estudarem os aspectos epidemiológicos, clínicos e tratamentos.

Ana Paula também explica parte do processo da pesquisa: “depois da aprovação ética, demos início as reuniões para o desenvolvimento dos diversos subprojetos e seus desfechos. Uma equipe com dez pesquisadores foi formada para analisar o desfecho ‘média do quantitativo de hospitalização’, conduzida pela Dra. Silvia Fonseca, Dr. Alexandre Wolkoff, médicos da empresa de saúde complementar, Dr. Anastácio Queiroz, da Universidade Federal do Ceará e Dr. Harvey, da Universidade de Yale, esclarece.

O estudo mostrou que o uso de hidroxicloroquina (HCQ), prednisona ou ambos causaram redução da hospitalização em 50-60%. Outros protocolos adotados (ivermectina, azitromicina e oseltamivir) não reduziram significativamente o quantitativo de hospitalização. O estudo também fortaleceu o conhecimento de que diabetes, obesidade e doenças cardíacas são fatores de risco para a internação.

“Estes achados são importantes pois o tratamento precoce tem baixo custo e representa uma possibilidade para países em desenvolvimento, neste cenário da pandemia com novas ondas em muitos países”, ressalta a pesquisadora. 

Repercussão internacional

A pesquisa foi publicada em uma das mais renomadas revistas científicas do mundo, a europeia “Travel Medicine and Infectious Disease” e traz alguns destaques, como a importância do tratamento precoce na redução das hospitalizações e na recuperação dos pacientes, ausência de eventos adversos nos pacientes submetidos ao protocolo e a análise comparativa da pesquisa que mostra melhores resultados no grupo que usou protocolo versus o grupo controle, que não usou o protocolo. 

O médico Alexandre Giandoni Wolkoff, Doutor em medicina pela USP, ressalta que a busca pela melhor abordagem para tratar uma doença até então desconhecida iniciou com reuniões clínicas sobre os inúmeros casos que a equipe recebia diariamente em mais de 40 unidades de emergência. “Este grupo de médicos logo estruturou um modus operandi contingencial abordando os diversos aspectos da doença. Todos queriam apenas uma coisa: salvar vidas. Perdemos muitas, como nunca antes. Percebemos que a literatura médica era pouca e controversa, mas queríamos entre outras coisas abordar precocemente sinais e sintomas e se possível alterar o curso da doença para alguns pacientes”, destaca. 

Com reuniões entre pesquisadores do Brasil e do exterior, em junho, o grupo de cientistas analisou os números da mortalidade. “A mortalidade de nossa rede foi metade do Brasil. As diretrizes para pacientes ambulatoriais reduziram em até 64% de hospitalizações. Fomos mais à frente e quisemos divulgar os dados que a natureza nos mostrou. Nos associamos aos melhores e levamos a frente uma publicação internacional em revista indexada. Lamentamos cada perda de cada vida, porém nos alegramos em compartilhar os achados para, se possível, beneficiar mais pacientes”, complementa Wolkoff.

De acordo com a Dra. Silvia Nunes Szente Fonseca, desde o início da pandemia, os profissionais de saúde leram e estudaram todo material publicado sobre a covid-19. À medida em que novas descobertas eram feitas, também passavam a ser implementadas nos protocolos de saúde. 

“Percebemos uma diminuição das internações e resolvemos estudar casos ambulatoriais, de grupos de risco (maiores de 40 anos), com PCR confirmado para SARS-CoV 2. Num grupo de mais de 700 pessoas, identificamos 114 que internaram, e no modelo de regressão logística os fatores de risco para internação confirmaram achados da literatura: doenças cardíacas aumentavam o risco em 1,7 vezes; diabetes, obesidade aumentavam o risco de internação em duas vezes, e a cada década de idade a partir de 40 anos, o risco de  internação também dobrava. O surpreendente foi documentar que o uso ambulatorial de cloroquina ou de prednisona ou melhor ainda, o uso das duas medicações diminuía o risco em 50-60%”, afirma Silvia. 

Ainda segundo ela, não foi detectado nenhum problema problema cardiológico nos pacientes que utilizaram a cloroquina durante o tratamento. “Estes achados são muito importantes, pois a pandemia continua no mundo todo, com novas ondas de infecção em vários países, com a esperança da vacina para meados de 2021 somente. Este tratamento precoce é barato e representa uma esperança principalmente para países em desenvolvimento, que têm poucos leitos hospitalares, principalmente de CTI. Continuamos com esta abordagem e preconizamos o uso de máscaras e higienização das mãos o tempo todo”, reitera a Dra. Silvia Nunes Szente Fonseca.