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Qui, 24 Setembro 2020 16:51

Conheça a Cordelteca Maria das Neves Baptispa Pimentel

Médica e cordelista Paola Tôrres dá dicas sobre a vasta coleção presente na Biblioteca Central da Unifor


Cordelteca possui diversos títulos e fica localizada na Biblioteca Central da Universidade de Fortaleza (Foto: Ares Soares)
Cordelteca possui diversos títulos e fica localizada na Biblioteca Central da Universidade de Fortaleza (Foto: Ares Soares)

Reconhecida como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro, a literatura de cordel atravessa gerações. O Ceará, por exemplo, é um grande precursor dessa arte e terra-mãe de grandes cordelistas como Cego Aderaldo, Patativa do Ceará e Arievaldo Viana Lima.

Na cena feminina da história do cordel, o destaque vai para uma paraibana responsável por ser a primeira mulher a publicar um folheto do gênero em 1938, Maria das Neves Baptispa Pimentel, cujo nome batiza a cordelteca presente na Biblioteca Central da Universidade de Fortaleza, instituição da Fundação Edson Queiroz, em sua homenagem. 

Inaugurada em 2019, a Cordelteca Maria das Neves Baptista Pimentel é um espaço dedicado às produções histórico-culturais em formato de cordel e a primeira dentro de uma instituição de ensino superior, em Fortaleza, a catalogar, indexar, e organizar com cuidados especiais os folhetos de cordéis, que são frágeis por suas características físicas, objetivando a sua maior preservação. 

O acervo soma 1.606 mil títulos, no total 3.173 exemplares localizados na Biblioteca Central e estão disponíveis para consultas locais pela comunidade em geral.

A cordelista Paola Tôrres, médica oncologista e professora do curso de Medicina da Unifor, fala sobre a Cordelteca. Confira o vídeo: 

A história da pioneira

O amor de Maria das Neves Baptista Pimentel pela literatura de cordel foi herdado de seu pai, que era poeta e editor de uma livraria e uma tipografia. “O violino do diabo ou o valor da honestidade” foi o título de sua primeira obra, publicada e vendida na livraria de seu pai, em 1938. 

A cordelista teve que usar o pseudônimo Altino Alagoano, formado pelo nome de seu falecido marido e o estado onde ele havia nascido. A época patriarcal não era favorável às mulheres, que enfrentaram preconceitos de gênero. Somente nos anos 1970 foi possível a publicação de folhetos de cordelistas mulheres.