angle-left Aluna de Design de Moda faz sucesso com máscaras de tecido bordadas à mão

Qui, 30 Abril 2020 18:39

Aluna de Design de Moda faz sucesso com máscaras de tecido bordadas à mão

Ana Sicília deixou a segurança de um emprego de arquiteta para realizar um sonho de vida.


Mesmo em tempos de pandemia de Covid-19, as pessoas estão sabendo tirar lições positivas do isolamento social imposto pelo combate ao novo coronavírus. É o caso, por exemplo, da aluna Ana Sicília Dantas Oliveira, do curso de Design de Moda da Universidade de Fortaleza, da Fundação Edson Queiroz.

Abalada emocionalmente por crises de ansiedade, falta de ar e insônia provocadas pela quarentena forçada, Ana Sicília deu a volta por cima e hoje se diz feliz ao bordar e costurar máscaras de tecido, expostas à venda em perfil no Instagram. O sucesso lhe garante renda extra e, mais do que isso, ânimo para enfrentar as agruras emocionais.

Mas nem sempre foi assim, embora desde criança tenha demonstrado gosto pela costura. E, claro, influenciada que foi pelas avós e tias costureiras. Tanto que o presente desejado ao completar 16 anos foi exatamente uma máquina de costura, desejo prontamente atendido pelos pais.

“Eu sempre gostei de criar moldes, sempre tive paixão pela costura. Minhas avós e tias diziam que eu tinha uma aptidão natural para o corte e costura”, complementa.

Tempo vai, tempo vem, a máquina de costura foi sendo deixada de lado para dar lugar às pranchetas e mesas digitais do curso de Arquitetura da Unifor, concluído em 2012. Detalhe: nesse ínterim, a abandonada máquina de costura foi doada a uma costureira, moradora de uma comunidade carente na Praia do Futuro.

E como a vida segue, Ana Sicília acabou ocupando cargo de gerência executiva em um escritório de Arquitetura, em meio a projetos comerciais e residenciais. No entanto, prestes a completar 33 anos, em abril do ano passado, resolveu abandonar o emprego e o salário para voltar à universidade. A saudade bateu mais forte.

E, como não poderia deixar de ser, o curso escolhido foi Design de Moda. Desempregada, mas com o apoio financeiro e moral dos pais e pelo fato de ter desconto com a segunda graduação na Unifor, Ana Sicília logo se encontrou em seu mundo de estampas, tecidos e, claro, máquina de costura, que logo tratou de comprar e colocar em um canto privilegiado de sua casa.

“Nas primeiras aulas, vi que tinha tomado a decisão certa ao trocar a Arquitetura pelo curso de Design de Moda. É muito puxado, exige muito da gente, mas é algo que me deixa muito feliz e realizada. E de certa forma a Arquitetura, com seus estudos de espaços e ambientes, acabou por ampliar a minha percepção de moda. Na minha visão, a roupa é a nossa segunda pele e a casa uma espécie de terceira pele. De certa forma, é um ciclo natural que se completa”, ressalta.

Tudo ia bem. Estava fazendo o que sempre sonhara fazer, estava em uma das melhores universidades do Brasil e já tinha até arranjado estágio em uma marca de t-shirts. Mas aí vieram a pandemia do novo coronavírus e, com ela, o medo, a ansiedade e a redução no salário, por conta da queda brusca nas vendas da empresa.

Foi quando teve a ideia de costurar e bordar as máscaras de tecidos. Criou a primeira com estampa exclusiva e logo teve uma boa receptividade, a ponto de estimulá-la a idealizar 14 outras estampas. E novas ideias de estampas vão surgindo a cada dia. A cabeça fervilha enquanto as encomendas só crescem. Já está pensando até em criar uma linha para crianças.

Atualmente, além das aulas online do curso de Design de Moda e da criação e costura das máscaras de tecido, Ana Sicília tem que “cuidar” da mãe, dona Milta, enfermeira do Programa Saúde da Família (PSF) de São Gonçalo do Amarante. Por pertencer ao grupo de risco, dona Milta teve que se afastar do trabalho e também da outra filha, que é dentista e trabalha em outra unidade do PSF de São Gonçalo do Amarante.

“A repercussão no Instagram é imediata assim que posto as novidades. Estou até pensando em fazer um curso de corte e costura para poder ter um diálogo de igual para igual com as costureiras quando eu estiver desenvolvendo outros produtos no futuro. Mas tudo tem seu tempo. No momento, a idealização e confecção das máscaras são feitas apenas por mim, do início ao fim. Por isso, não posso meter os pés pelas mãos, porque eu também tenho que ter um tempo para mim e para minha família, né?”, diz, entre risos. 

E olhe que a exigência de uso de máscaras de tecido mal começou...