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Seg, 1 Abril 2019 17:44

Entrevista Nota 10: cineasta Armando Praça e o drama por trás da comédia

“Greta”, filme do cearense Armando Praça, marca a chegada de uma nova geração de cineastas cearenses no circuito internacional


Armando Praça é natural de Aracati, no Ceará. Em seu currículo, consta uma série de curtas e longas-metragens em ficção e em documentários. (Foto: Arquivo pessoal)
Armando Praça é natural de Aracati, no Ceará. Em seu currículo, consta uma série de curtas e longas-metragens em ficção e em documentários. (Foto: Arquivo pessoal)

O filme “Greta”, do diretor e roteirista cearense Armando Praça, estreou na 69ª edição do Festival de Berlim. A obra, exibida na Mostra Panorama, uma das mais prestigiadas do evento, é o primeiro longa-metragem do cineasta, que conta com Marco Nanini no elenco. A trama gira em torno da vida de Pedro, um enfermeiro homossexual de 70 anos, fã da atriz sueca Greta Garbo.

O festival aconteceu no início de fevereiro, na capital alemã, mas a estréia de “Greta”, na Berlinale, representa algo que perpetuará: a chegada de uma nova geração de cineastas cearenses no circuito internacional. Profissionais que fazem parte de uma recente perspectiva de formação cinematográfica no Ceará, marcada pelo Instituto Dragão do Mar de Arte e da Indústria Audiovisual (IDM). O equipamento foi referência para realizadores, entre 1996 e 2003, e inspiração para as escolas e graduações em cinema criadas, posteriormente, no estado - como a formação em Cinema e Audiovisual da Unifor, primeiro bacharelado do Estado, que completou dez anos em 2018.

Armando Praça, que se prepara para filmar o segundo longa-metragem, “Fortaleza Hotel”, nasceu em Aracati, Ceará, em 1978. Cineasta e sociólogo, é formado pelo Colégio de Dramaturgia (2000) e pelo Colégio de Realização em Cinema e Televisão (2001), do Instituto Dragão do Mar, e em Ciências Sociais pela Universidade Estadual do Ceará (2011).

Como diretor, realizou curtas e médias metragens, exibidos e premiados em festivais nacionais e internacionais, como “Parque de Diversões” (2002), “O Amor do Palhaço” (2006) e “A Mulher Biônica” (2008). Trabalhou em mais de 15 longas-metragens, com importantes nomes do cinema cearense e brasileiro, como Karim Ainouz, Marcelo Gomes, Rosemberg Cariry, Glauber Filho, dentre outros. O diretor pernambucano Marcelo Gomes, inclusive, também esteve na Berlinale, exibindo o documentário “Estou me guardando para quando o carnaval chegar” na Mostra Panorama Dokumente.

O cineasta estará na Unifor no dia 3 de abril, participando do V Encontrão de Cinema, às 19h, no Auditório da Biblioteca. Na entrevista a seguir, Armando Praça fala sobre a estreia de “Greta” e as suas compreensões e perspectivas sobre o cinema cearense e os seus futuros trabalhos.

Entrevista

“Greta” dialoga sobre existência, identidade e afetos na contemporaneidade, em que um enfermeiro gay é o protagonista. Por que você quis contar essa história?

Armando Praça - Conheci essa história através da peça “Greta Garbo, Quem Diria Acabou no Irajá”, na qual me inspirei para escrever o roteiro. O texto original é uma comédia lançada em 1972, em plena ditadura militar, acredito que falar desses assuntos com esses personagens, naquela época, só fosse possível através da comédia, rindo e debochando dos personagens. Mas quando conheci o texto, tratá-lo assim não fazia mais sentido e percebi que havia um drama muito bonito por trás da comédia, como aliás sempre há em toda boa comédia. E pensei na possibilidade de contar aquela história adaptando-a para um drama e humanizando os personagens, fugindo da caricatura do texto original. Isso foi o que me motivou.

Como ocorreu o processo de pensar e construir o filme dentro dessa perspectiva?

Armando Praça - Para mim o texto original, embora muito bem escrito, havia ficado anacrônico ao tratar os seus personagens de forma caricatural. A mudança se deu para torná-lo relevante em um contexto contemporâneo, essa foi minha escolha. Em toda comédia há um drama interno, diria que o contrário também procede. Então o processo de reescrita tem a ver em trazer o drama que está submerso na piada para a superfície, as vezes são mudanças no texto propriamente, outras vezes isso se dá na própria atuação e na maneira de filmar.

Como primeiro longa-metragem, o que significa a estreia de “Greta” no 69º Festival de Berlim?

Armando Praça - A estreia em Berlim de fato é muito significativa porque é um dos festivais mais importantes do mundo, uma plataforma para onde todo o mercado audiovisual se volta logo no começo do ano, e de onde ele se pauta. Para mim, tem essa importância mais imediata, mas também me interessa muito o que o festival proporciona em relação ao retorno do público. Eles têm audiência imensa. Todas as sessões estão sempre lotadas de um público ávido por filmes diferentes, de diversas partes do mundo. Exibir e ouvir as pessoas após as sessões me fez conhecer melhor o filme que eu fiz. Além disso, é um festival muito preocupado em promover filmes que tratem de questões importantes politicamente e isso é cada vez mais necessário.

Você é formado pelo Instituto Dragão do Mar, que é referência para realizadores e inspiração para as escolas de Cinema criadas no estado. Como você avalia esse cenário de criação que se formou?

Armando Praça - O Dragão do Mar foi o lugar onde pela primeira vez na minha vida eu me senti inserido no mundo, no sentido não só de ter encontrado meus pares e estudar o que me interessava, mas porque tudo isso acontecia de forma muito livre, transversal, aparentemente anárquica, porém muito séria. Foi uma experiência em termos de metodologia pedagógica que me transformou, me fez gostar de estudar, gosto até hoje. Lembro do professor Orlando Sena dizendo que sua intenção era provocar a nossa curiosidade e que em sala de aula nós teríamos acesso a talvez 10% do que de uma determinada matéria poderia ser visto, os outros 90% seriam de nossa responsabilidade achar e aprender. Tudo era muito provocativo e estimulante dentro de uma atmosfera de muita criação e liberdade. Portanto avalio minha passagem pelo Dragão da melhor maneira possível, lamento até hoje o final daquele momento.

Na equipe de “Greta” existem alguns nomes que estão iniciando suas carreiras dentro do cinema no Ceará. Há um tempo, você experienciou isso. Como é essa troca?

Armando Praça - Para mim parece natural. Eu passei pelo Dragão, na sequência comecei logo a trabalhar, agarrei as oportunidades que tive, afinal elas não são muitas nessa área, sobretudo aqui onde se se deu meu início de carreira. De lá para cá, passaram-se 20 anos. Eu sempre almejei construir uma carreira como roteirista e diretor, Greta é meu primeiro longa-metragem depois de ter colaborado com filmes de muitos outros diretores e de ter feito 8 curtas-metragens. É gratificante identificar em algumas pessoas que estão começando agora, eventualmente até em um filme meu, a avidez que eu tinha quando comecei, o desejo de trabalhar e aprender.

Você se prepara para filmar “Fortaleza Hotel”, uma das 22 produções contempladas pelo programa Brasil de Todas as Telas em 2016. Quais são as perspectivas para o segundo longa?

Armando Praça - Cada filme é uma experiência ao mesmo tempo similar e completamente diferente. Eu espero que tudo ocorra bem durante o processo de realização, que a gente produza algo belo e significativo do ponto de vista artística, mas que também seja divertido, leve e proveitoso para toda equipe. Em relação ao resultado final me parece cedo para especular, o que posso dizer nesse momento é que temos muito trabalho pela frente.

Molde de máscara caseira

Molde da máscara

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Como fazer uma máscara caseira - passo 1

Passo 1

Recorte o tamanho mais adequado entre os modelos ao lado e prenda-o ao tecido com um alfinete. Corte o tecido usando o papel como guia. Repita o processo para ter quatro peças iguais

Como fazer uma máscara caseira - passo 2

Passo 2

Sobreponha duas peças, com a face que ficará exposta voltada para dentro. Costure a lateral e repita o processo com as outras duas peças. Faça os pontos próximos e arremate com nó nas extremidades. Use uma máquina de costura se tiver à disposição.

Como fazer uma máscara caseira - passo 3

Passo 3

Abra uma das peças, deixando a costura e a face que ficará escondida para baixo.

Como fazer uma máscara caseira - passo 4

Passo 4

Fixe as fitas nas extremidades usando um alfinete, deixando uma pequena sobra para fora. As fitas devem ficar “apontadas” para o centro. Se preferir, é possível usar um elástico no lugar das fitas.

Como fazer uma máscara caseira - passo 5

Passo 5

Sobreponha a outra peça costurada por cima, com a costura e o lado que ficará escondido para fora. Se tiver à disposição um material hidrofóbico, como TNT, acrescente mais uma camada.

Como fazer uma máscara caseira - passo 6

Passo 6

Costure as duas peças, deixando um pequeno vão aberto em uma das laterias para a passagem das fitas. Para melhorar a vedação sobre o nariz, insira um arame sob um tira de tecido costurada.

Como fazer uma máscara caseira - passo 7

Passo 7

Puxe as fitas pelo vão para virar a máscara do avesso, expondo o lado principal para fora e escondendo as costuras.

Como fazer uma máscara caseira - passo 8

Passo 8

Finalize costurando o buraco que ficou aberto para passagem das fitas.

Como fazer uma máscara caseira - passo 9

Passo 9

Amarre as fitas atrás da cabeça. Ao colocar a máscara, certifique-se de que o nariz, a boca e o queixo estão cobertos. Para crianças, considere fazer desenhos ou usar estampas lúdicas.

Cuidados especiais com a máscara caseira - dica 1

Cuidados especiais

Não deixe a máscara ficar úmida, pois isso irá facilitar a passagem do vírus e proliferação de bactérias. Lave a máscara após cada uso ou a cada duas horas. Dê preferência à água quente e detergente. Seque à luz do sol.

Cuidados especiais com a máscara caseira - dica 2

Uso individual

As máscaras são de uso individual e não familiar. Tenha várias para sempre ter uma limpa enquanto as outras estão sendo lavadas ou secando. Não toque a máscara durante o uso. Se tocar, lave imediatamente as mãos.

A diretriz da OMS está baseada, em parte, na preocupação de que o consumo desenfreado de máscaras pela população em geral provoque a falta do produto para quem mais precisa. Ou seja, a ideia é priorizar o uso onde ele é mais importante, seja reduzindo a propagação do vírus por pessoas que já estão infectadas ou protegendo aquelas que estão muito expostas.

As lacunas não respondidas já começam a ser debatidas. Uma delas, é a impossibilidade de se identificar pessoas infectadas mas que ainda não desenvolveram sintomas ou que nunca os desenvolverão mas que mesmo assim transmitem a doença.

Propagação pode ser reduzida

No Brasil, pessoas com sintomas leves de coronavírus, como coriza e febre baixa, não fazem teste para Covid-19 e, consequentemente, também não são orientadas a usar máscara para proteger familiares. E mesmo as que fazem os exames precisam esperar dias para saber se estão infectadas ou não.

A propagação do vírus por essas pessoas poderia ser reduzida se toda a população usasse máscaras. Jornais americanos, como o New York Times e o Washington Post, e o britânico The Guardian já defendem o uso de máscaras por toda a população e estão ensinando seus leitores a fabricar suas próprias máscaras em casa.

A solução "faça você mesmo" é interessante porque impede que uma corrida desenfreada à farmácias cause uma crise de oferta e permite o acesso geral à proteção, visto que no Brasil já é praticamente impossível encontrar o produto à venda.

Redução de microrganismos expelidos

Dois estudos publicados em revistas científicas atestam a eficácias de máscaras caseiras na proteção contra a gripe, que é transmitida de forma muito semelhante ao vírus da Covid-19 . Elas não protegem tão bem quanto uma máscara cirúrgica comum, e menos ainda que a N95, mas não ficam muito atrás.

Um dos estudos, produzido por pesquisadores da Universidade de Cambridge, no Reino Unido, atesta que máscaras caseiras reduzem significativamente o número de microrganismos expelidos, embora uma máscara cirúrgica seja três vezes mais eficiente em bloquear transmissões.

O estudo também atesta diferentes graus de proteção dependendo do material utilizado. Toalhas de cozinha e saco de aspirador são mais eficientes, mas dificultam a respiração. O mais indicado é usar tecidos de algodão, como o de camisetas ou de roupas de cama. Quanto mais densa a malha, melhor.

Outro estudo, financiado pelo Ministério da Saúde da Holanda, atesta que máscaras caseiras oferecem proteção significativa, embora menos eficientes que máscaras cirúrgicas. O estudo também destaca que elas não sofrem de escassez de fornecimento, nem precisam de recursos adicionais para serem produzidas em larga escala.

Fonte: Folha de São Paulo.