Doe de Coração Um movimento pela doação de órgãos

Jovens vestindo a camisa da campanha Doe de Coração em um cenário de árvores

Movimento Doe de Coração ajuda o Ceará a expandir o índice de transplantes

 

O Movimento Doe de Coração, projeto da Fundação Edson Queiroz, estimula a doação de órgãos e tecidos no Ceará desde 2003, contribuindo anualmente com avanços fundamentais para transplantes de órgãos e tecidos no estado.

Entre os anos 2003 e 2017 houve um aumento de 261,19% em transplantes, o que representa a marca de mais de 15 mil no estado desde que teve início a campanha da Fundação Edson Queiroz, segundo dados da Central Estadual de Transplantes do Ceará.

Em 2018, até 3 de setembro, são 954 transplantes, sendo 147 transplantes de rim, um de rim/ pâncreas,  21 de coração, 150 de fígado, 2 de pulmão, 64 de medula óssea (46 autólogos e 18 alogênicos), 569 de córnea e um de esclera.

Além do elevado nível de especialização e excelência das equipes transplantadoras no Ceará e do trabalho das comissões intra-hospitalares, um dos principais fatores que contribuem para o crescimento no número de transplantes é a solidariedade.

Compreender a importância de doar órgãos diminui as chances de recusa. Para ser um doador, não precisa deixar mais nada por escrito. Basta avisar à família sobre a vontade de doar e ajudar a salvar vidas.

Este ano a campanha será lançada oficialmente pela vice-presidente da Fundação Edson Queiroz, Manoela Queiroz Bacelar, e pelo médico cancerologista Drauzio Varella, em solenidade que acontecerá dia 5 de setembro, na Praça Central do campus da Unifor. 

Histórias de superação

Em 2002, o empresário José Wilter, descobriu que era portador do vírus da Hepatite C, em meio a descoberta da doença e das mudanças do corpo eram recorrentes as idas ao médico para realização de exames. Em uma dessas visitas foi diagnosticado com cirrose hepática, e a única saída possível era o transplante de fígado. Na época, somente dois haviam sido realizados em Fortaleza. “Era uma pessoa normal, jogava bola, parecia saudável, mas os sintomas foram aparecendo, olhos amarelados, dores nas pernas”, relata.

Segundo Wilter, atual presidente da Associação Cearense dos Pacientes Hepáticos e Transplantados (ACEPHATE), foram sete meses e sete dias na fila de espera para realizar o transplante.

“Passei por duas tentativas de transplante antes de conseguir um doador compatível. Existem critérios que precisam ser atendidos e eu não conseguia me adequar. Por exemplo, uma vez o fígado era pequeno para mim. Tive que perder sete quilos para o transplante. Felizmente em 9 de janeiro de 2003 aquela família disse ‘sim’ à doação e consegui e hoje tenho 15 anos como transplantado”, declara.

A vontade de começar a Associação cresceu dentro de Wilter ainda na fila de espera. “Não havia condições dignas de atendimento naquela época, faltava cobertor, ventilador, até mesmo poltronas para os acompanhantes sentarem, morreram muitos amigos na fila de espera, a doença agredia e a sociedade dizia ‘não’ para a doação de órgãos, por medo e ignorância. Hoje vejo que melhorou muito, existem campanhas que foram fundamentais para a conscientização da população, como a Doe de Coração. Hoje as famílias dizem ‘sim’ para a doação de órgãos”, destaca.  

Por meio da associação e com a ajuda de pacientes transplantados e de doações foram constantes as contribuições que José Wilter conseguiu realizar e segue fazendo.

Margarete Pinheiro da Silva, descobriu após o parto do seu segundo filho que tinha miocardiopatia periparto, doença rara que apareceu no terceiro mês após a gestação. “Comecei a sentir os sintomas e tive que vir de Solonópole, interior do estado, para o Hospital do Coração”, conta.

Foram três paradas cardíacas até a equipe médica decidir substituir o coração de Margarete por um artificial, que substitui as duas câmaras inferiores do coração, chamadas de ventrículos.

Com o coração artificial, foram 42 dias até o transplante. Esse ano faz cinco anos do transplante, como é do interior do Ceará e os retornos ao médico são trimestrais, Margarete se filiou à Associação dos Transplantados Cardíacos do Estado do Ceará (ATCC).

“Soube da associação por meio da assistente social do hospital, fui encaminhada para lá e sempre que preciso vir fazer os exames de rotina fico um dia. Essa casa é fundamental para nós que moramos no interior. Eles conhecem como funcionam o hospital, estão sempre presentes, mas infelizmente sobrevivem de doações, de suporte da sociedade. A alimentação é uma questão”, ressalta ela.

Buscando ajuda

Doar órgãos representa amor a vida, é um exemplo grandioso de altruísmo, mas para que esse ato aconteça da melhor forma é preciso uma corrente de apoio e de solidariedade aos familiares e pacientes. Para isso existem no Ceará, e mais fortemente em Fortaleza, associações de apoio aos transplantados, que também são responsáveis pelo aumento do índice de transplantes. Conheça algumas:

 

Associações de apoio aos transplantados

Fundada em 2001, é uma entidade sem fins lucrativos, criada única e exclusivamente com o objetivo de defender os interesses dos candidatos a transplantes e transplantados cardíacos.

A ATCC disponibiliza para os seus associados uma casa de apoio que hospeda pacientes que vêm de outras localidades para fazerem tratamentos médicos relacionados ao coração, onde aguardam também por um transplante, ou transplantados que ficam a espera de alta para voltarem às cidades de origem após alta hospitalar.

Telefone: (85) 3101.4161 / 3274.7337

Endereço: Rua Domingos Rayol, 216 - Messejana, Fortaleza - CE

E-mail: atcc.tx@bol.com.br

O GAPO é uma associação civil sem fins lucrativos, fundada em 2007 por pacientes portadores de doenças onco hematológicas e seus familiares, que buscam amparar, e defender os direitos dos pacientes, sensibilizando parceiros para que o melhor tratamento esteja disponível em tempo hábil a todos os pacientes com câncer na medula óssea.

Oferece aos seus associados apoio para esclarecer dúvidas e informá-los a respeito de seus direitos por meio de um atendimento humanizado e pleno, auxiliando-os a entender o funcionamento do sistema de saúde disponível no Brasil.

Telefone: (85) 3223.2624 / (85) 98822.7700

Endereço: Rua José Monteiro dos Santos, 1388 - Bairro Rodolfo Teófilo, Fortaleza - CE

E-mail: gapoapoioavida@yahoo.com.br

A ACEPHATE é uma associação formada por voluntários que buscam sensibilizar a sociedade sobre a importância da doação de órgãos. Além de dar apoio aos pacientes transplantados e que esperam pelo transplante de fígado, prestando também apoio psicológico.

Segundo o presidente da ACEPHATE, José Wilter, muitos pacientes são do norte e nordeste do Brasil. “Muitos deles são de outros estados, como Maranhão e Bahia, quando é realizado e transplante e eles voltam para casa mediamos a entrega de medicação, eu pessoalmente vou deixar nos correios e renovo as receitas de três em três meses”, ressalta.

A associação também oferece apoio jurídico uma vez que alguns dos assistidos  precisam ficar afastados do trabalho em razão do tratamento. “Temos um advogado mediando, fazemos palestras para tirar dúvidas sobre problemas jurídicos e sobre a doença”, informa José Wilter.

A associação também é responsável por realizar ações de cidadania nas comunidades de Fortaleza, ao mesmo tempo em que busca sensibilizar a população sobre a importância da doação de órgãos por meio de panfletos informativos.

Endereço: Rua Coronel Nunes de Melo, 1010 - Rodolfo Teófilo, Fortaleza - CE

Telefone: (85) 3393.5709 / (85) 99943.0460

E-mail: acephet@oi.com.br