angle-left Unifor lança quarta edição do boletim elaborado pelo Núcleo de Pesquisas Econômicas

Qua, 9 Setembro 2020 15:09

Unifor lança quarta edição do boletim elaborado pelo Núcleo de Pesquisas Econômicas

Documento aponta retração na economia mundial no segundo trimestre de 2020 comparado ao mesmo período de 2019.


Retração das principais economias globais refletiu-se também no Brasil (-12%), na região Nordeste (-9,96%) e no estado do Ceará (-7,43%). (Foto: Getty Images)
Retração das principais economias globais refletiu-se também no Brasil (-12%), na região Nordeste (-9,96%) e no estado do Ceará (-7,43%). (Foto: Getty Images)

O Núcleo de Pesquisas Econômicas (NUPE) da Universidade de Fortaleza, da Fundação Edson Queiroz, lança quarta edição do seu Boletim Econômico – publicação que analisa o desempenho das economias, no mundo e brasileira, e em especial do Ceará. Documento aponta queda no Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre de 2020 das principais economias mundiais – Espanha, Reino Unido, França, Itália, Alemanha, Estados Unidos e Japão. A única exceção é a China, que apresentou crescimento positivo de 3,2% no período em análise. 

“Essa queda da atividade econômica está diretamente ligada à extensão da pandemia. Como a China foi uma das primeiras a restabelecer o controle da pandemia, ela se recuperou mais cedo economicamente, não teve um impacto econômico muito forte como os demais países da Europa e os Estados Unidos ou mesmo o Brasil. Quanto mais extensa a pandemia, maior é a queda na economia”, avalia o professor Francisco Alberto de Oliveira, coordenador do NUPE, setor ligado ao curso de Ciências Econômicas da Universidade de Fortaleza.   

Essa queda no crescimento econômico das principais economias globais refletiu-se também no Brasil (-12%), na região Nordeste (-9,96%) e no estado do Ceará (-7,43%). Com exceção do setor agropecuário, que reflete pouco impacto no PIB do Brasil, a economia brasileira teve forte retração nos setores industrial e de serviços, sendo este último o que abriga o comércio, o turismo e os eventos. 

Especificamente o comércio, que figura como a atividade mais importante no setor de serviços, apresentou variação negativa de -3,1% no volume de vendas do segmento varejista neste primeiro semestre de 2020 em relação ao primeiro semestre de 2019. A maior queda foi observada no Ceará (-16,3%), seguidos de Bahia (-11,3%) e Pernambuco (-7,8%). O único crescimento foi na atividade de hipermercados e supermercados: Ceará (+2,6%), Pernambuco (+2,3%) e Bahia (+1,1%).  

“Dentre os setores da economia, o de serviços foi o que sofreu o maior impacto no Ceará. Mas a expectativa é que se recupere mais rápido que os demais quando a pandemia passar. A demanda está reprimida, as pessoas ficaram presas em casa, reduziram suas compras. Mas agora estão voltando aos poucos com o afrouxamento das medidas de isolamento. Espera-se que no último trimestre no ano o setor já volte a crescer. Mas claro, tudo depende da própria evolução da pandemia”, destaca o professor Francisco Alberto (foto). 

No segmento industrial, a indústria de transformação brasileira, da região Nordeste e do Ceará obtiveram quedas de -11,9%, -9,1% e -22%, respectivamente, no primeiro semestre de 2020 em comparação ao mesmo período do ano passado. O único destaque positivo, sobretudo no Ceará (+38,3%), foi a fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis. O que explica essa atividade no Ceará é a produção da refinaria Lubnor, pertencente à Petrobrás. O foco da Lubnor é produção de asfalto, pois é uma refinaria de petróleo “ultrapesado”, cuja produção abastece todos os estados do Nordeste.

Empregabilidade 

O índice de empregabilidade apresenta sinais de melhora, com a recuperação das contratações no mês de junho de 2020 em comparação às demissões, ainda que continue apresentando saldos negativos por conta dos impactos negativos do auge da pandemia nos meses de março e abril deste ano. Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), no acumulado do saldo de janeiro de 2020 a junho de 2020 e a variação do acumulado do estoque de emprego para o mesmo período, mostram os efeitos negativos da pandemia no primeiro semestre de 2020, para o Brasil (-1.198,4; -3,1%), Nordeste (-258,9; -4,1%) e Ceará (-41,6; -3,6%), respectivamente.

Leia o Boletim Nº 04 aqui.