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Seg, 21 Outubro 2019 13:44

Gabriel O pensador fala sobre a importância do rap nacional no âmbito social

Durante o workshop “Ouvindo e Construindo Rap”, o artista contou ao público sobre sua trajetória no cenário musical


O cantor e compositor ministrou o workshop “Ouvindo e Construindo Rap”, na última sexta-feira (18), parte da programação do Mundo Unifor 2019. Foto: Ares Soares.
O cantor e compositor ministrou o workshop “Ouvindo e Construindo Rap”, na última sexta-feira (18), parte da programação do Mundo Unifor 2019. Foto: Ares Soares.

A palavra como álibi para mudanças sociais caracteriza a trajetória musical de Gabriel O pensador. O cantor e compositor ministrou o workshop “Ouvindo e Construindo Rap”, na última sexta-feira (18), parte da programação do Mundo Unifor 2019.

Desde sua juventude, Gabriel Contino, ou Gabriel O pensador, filho da jornalista Belisa Ribeiro e do médico Miguel Contino, utilizou a música como artefato para expressar suas concepções sobre causas sociais e humanas. O artista iniciou a palestra explanando diversos momentos de sua trajetória no cenário musical, que traduzem sua vontade, desde cedo, em mostrar através do hip hop sua revolta sobre questões sociais, como desigualdade entre classes e racismo.

Gabriel, destacou que em sua canção “Sobreviventes”, pertencente ao novo álbum de mesmo nome, abordou questões como a depressão e insensibilidade humana. “Nesta música, veio naturalmente o desabafo sobre a insensibilidade humana diante do outro. Falo sobre um suicida que quer pular e as pessoas estão mais preocupadas em registrar o momento através de fotos. Foco em nossa insensibilidade diante das atrocidades vistas pelo instagram e televisão”, destacou o cantor ao público.

A importância do jovem em estar inserido em causas sociais, perseverança, coragem e autocrítica são pilares que compuseram seu discurso durante a palestra. Aos 17 anos, Gabriel O Pensador iniciou suas primeiras composições até o lançamento de seus primeiros discos, “Gabriel O pensador” e “Ainda é só o Começo”. 

Formou-se em Comunicação Social, na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro ( PUC-Rio). Gabriel, também destacou o retorno que recebe de suas composições e o prazer em tocar o coração das pessoas através da música. “Um jovem, me contou que uma vez me ligou e me mandou uma carta sobre ouvir a canção Lavagem Cerebral, pela primeira vez. Então, ele me pediu a letra dessa música na carta, e eu o mandei, chegou na cela da prisão onde ele estava. Na carta que ele me enviou, contou que nunca tinha ouvido rap, que queria sair do crime e fazer rap. Eu o disse que ele escrevia bem, e que ia conseguir. O apelidei de Jovem Cerebral, e hoje, é um cara que faz trabalhos com garotos de comunidades, retira os meninos do tráfico, conta a sua história como presidiário e agora ativista cultural”, relatou. 

Ao final da palestra, Gabriel falou sobre suas participações em projetos sociais. Entre elas, o Pensando Junto, seu projeto social educativo e cultural, dedicado às crianças e jovens da comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro. “Neste projeto, incentivamos os jovens a aprender a fazer rap, a dançar break, fazer grafites, dentre outras atividades artísticas. Vimos como essa pequena oportunidade mudou a visão de mundo dessas crianças e jovens e sua autoestima”, enfatiziou o cantor.

Além de cantor e compositor, Gabriel também é autor de três livros. Em Diário Noturno, o cantor mostra seu ponto de vista sobre problemas sociais e vida, através de poemas e crônicas. A obra Meu Pequeno Rubro Negro, expressa sua paixão pelo clube de Futebol Flamengo. Já em Um Garoto Chamado Rorbeto, a obra consiste em uma fábula sobre um menino que se descobre diferente dos outros. O livro foi escolhido o melhor livro infantil do prêmio Jabuti.