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Sex, 7 Agosto 2020 16:55

Pesquisadores da Unifor vão realizar atendimento psicológico às vítimas de violência doméstica durante a pandemia

No contexto de isolamento social, além da pandemia do novo coronavírus, diversas mulheres enfrentam em casa a violência doméstica.


Com o confinamento, a violência contra a mulher cresce porque as vítimas precisam conviver a maior parte de seu tempo com seus agressores. (Foto: Getty Images)
Com o confinamento, a violência contra a mulher cresce porque as vítimas precisam conviver a maior parte de seu tempo com seus agressores. (Foto: Getty Images)

Em um levantamento sobre a violência doméstica, durante o mês de abril, quando o isolamento social imposto pela pandemia durava mais de um mês, o número de denúncias de violência contra a mulher feitas pela Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 cresceu cerca de 40% em relação ao mesmo período de 2019, segundo dados do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMDH), ao qual o serviço é vinculado.

Motivados por essa situação, pesquisadores da Universidade de Fortaleza , apoiados pela Fundação Edson Queiroz, por meio da Diretoria de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (DPDI), foram em busca de soluções que possam minimizar os impactos causados pelo problema.

O projeto tem o objetivo de oferecer apoio psicológico às mulheres vítimas de violência doméstica, em parceria com o Núcleo de Enfrentamento à Violência Contra a Mulher (Nudem), da Defensoria Pública do Ceará.

Sobre o Projeto

O projeto, intitulado “Violência de gênero no isolamento social da pandemia da Covid-19: Uma proposta de intervenção em urgência subjetiva com mulheres em situação de vulnerabilidade e risco”, faz parte de 10 projetos escolhidos para financiamento científico da Fundação Edson Queiroz no combate à Covid-19. 

O estudo é um trabalho de intervenção em urgência subjetiva para mulheres que estão submetidas à situação de vulnerabilidade e risco de violência na pandemia do novo coronavírus. As vítimas serão atendidas por meio de atendimento psicológico online ou por telefone, em uma situação de acolhimento para que as mulheres possam falar do seu sofrimento e da sua angústia.

O pesquisador Leonardo Danziato, professor do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Unifor e coordenador do projeto, informa que a violência doméstica contra a mulher aumentou de 30 a 50% em todo o país durante a pandemia, e que o número de feminicídios cresceu de 22 à 27% no mesmo período. O professor Danziato salienta que, além da violência física, a psicológica é uma das violências domésticas mais corriqueiras. 

“O nosso atendimento é importante para que essas mulheres possam falar das suas angústias e serem acolhidas psicologicamente. Em alguns casos, elas não se dão conta de que estão em alguma situação de vulnerabilidade e violência, e isso seria uma forma delas perceberem o que estão passando. A violência contra a mulher é tão sistêmica, que muitas vezes é banalizada”, frisa o professor Leonardo Danziato. 

Os atendimentos terão início ainda em agosto e serão feitos pela equipe da pesquisa, composta por professores da Unifor e psicólogas voluntárias. O professor explica que o órgão atende as mulheres e conta com uma equipe de atendimento psicossocial formada por psicólogos e assistentes sociais.

Os casos serão encaminhados pelo Nudem ao grupo de pesquisa, que fará o atendimento psicológico com as vítimas via internet ou por ligação. Danziato enfatiza que, caso seja necessário, será disponibilizado um chip de celular para que as mulheres não precisem arcar com as despesas de uma ligação telefônica durante o atendimento psicológico. 

Edital contribui para fomento à pesquisa científica

“Com esse projeto, professores da Unifor e profissionais da saúde tentam visibilizar a problemática que é a violência de gênero durante o período de confinamento, oferecendo atendimento psicológico a mulheres que infelizmente, estão isoladas junto de seus agressores”, afirma o professor Vasco Furtado, diretor de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação da Fundação Edson Queiroz. 

Segundo ele, o incentivo dado aos pesquisadores comprova como a Fundação Edson Queiroz e a Universidade de Fortaleza consideram importante o fomento à pesquisa científica.

A Universidade de Fortaleza, da Fundação Edson Queiroz, investiu, no total, R$ 400 mil em projetos de pesquisa de enfrentamento à Covid-19 e suas consequências. A instituição selecionou dez projetos elaborados por sua equipe de pesquisadores nas áreas de saúde mental, aspectos virológicos, violência de gênero no isolamento social, ações de prevenção em saúde coletiva, entre outras.

As equipes de pesquisadores trabalharão até o fim de 2020 para entregar os resultados da produção científica proposta. A iniciativa é mais uma ação da Fundação Edson Queiroz no enfrentamento da pandemia no estado e no país como um todo, a exemplo do apoio às autoridades sanitárias na análise de amostras dos exames de Covid-19 e o desenvolvimento do capacete de respiração assistida para pacientes de média complexidade (Elmo).

Os trabalhos foram selecionados por um comitê de especialistas externos à Universidade de Fortaleza, tendo como premissa a escolha de pesquisas que tragam resultados em curto e médio prazos. “Essa é uma iniciativa inédita: uma universidade privada, com recursos próprios, lançando edital de pesquisa em combate ao coronavírus. Investir na sociedade é uma preocupação nossa”, destaca o professor Vasco Furtado.

O que é o Ligue 180

A Central de Atendimento à Mulher – Ligue 180 presta uma escuta e acolhida qualificada às mulheres em situação de violência. O serviço registra e encaminha denúncias de violência contra a mulher aos órgãos competentes, bem como reclamações, sugestões ou elogios sobre o funcionamento dos serviços de atendimento.

O serviço também fornece informações sobre os direitos da mulher, como os locais de atendimento mais próximos e apropriados para cada caso: Casa da Mulher Brasileira, Centros de Referências, Delegacias de Atendimento à Mulher (Deam), Defensorias Públicas, Núcleos Integrados de Atendimento às Mulheres, entre outros.

A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. São atendidas todas as pessoas que ligam relatando eventos de violência contra a mulher.

O Ligue 180 atende todo o território nacional e também pode ser acessado em outros 16 países.