angle-left Mobilidade urbana em Fortaleza: como a pandemia tem afetado o cotidiano nas ruas da capital

Qua, 24 Junho 2020 11:48

Mobilidade urbana em Fortaleza: como a pandemia tem afetado o cotidiano nas ruas da capital

Pesquisadores apontam de que forma os novos hábitos têm contribuído para manter a segurança viária diante do novo coronavírus


Circulação nas ruas da capital cearense foi afetada em razão da pandemia do novo coronavírus (Foto: Ares Soares)
Circulação nas ruas da capital cearense foi afetada em razão da pandemia do novo coronavírus (Foto: Ares Soares)

A mobilidade urbana desempenha um papel fundamental para sociedade, permitindo o deslocamento das pessoas na cidade para que seja possível desenvolver relações sociais e econômicas. Os transportes públicos coletivos, como ônibus e metrô, além de carros, motos e bicicletas, por exemplo, são soluções de mobilidade. 

Diante da pandemia causada pelo novo coronavírus (Covid-19), as cidades têm enfrentado o desafio da paralisação como forma de conter a transmissão do vírus. Em Fortaleza, as medidas vão desde o reforço na limpeza da frota de veículos do transporte público até a adequação da oferta de viagens para o período de isolamento social. 

Segundo Camila Bandeira, professora do curso de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Fortaleza e doutoranda em Engenharia de Transportes (UFC), “o retorno às atividades, que vêm sendo gradualmente liberadas pelo Governo e Prefeituras, exigirá dos gestores e operadores do transporte público uma capacidade de observação do sistema ainda maior para adequar não somente às exigências de higienização, mas também de adequação da capacidade dos veículos à demanda. É um grande desafio que se coloca à cidade, pois não somente se trata de questão de qualidade e conforto do usuário, mas também de saúde pública”, afirma. 

O alerta da pesquisadora demonstra como a pandemia tem afetado a relação das pessoas com as vias compartilhadas, sobretudo, nos grandes centros urbanos, onde os usuários de transporte público enfrentam superlotação e condições precárias de higiene. 

“Os usuários do transporte público, principalmente, estão sujeitos a condições insalubres dentro de ônibus e metrôs, tendo sido ressaltada a urgência de adaptação deste sistema às exigências de distanciamento social e minimização de contato com superfícies como catracas e barras de segurança. As empresas, por sua vez, têm pensado em horários de trabalho flexíveis, permitindo ao trabalhador deslocar sua viagem para fora do horário de pico”, destaca a professora Camila Bandeira.  

Embora algumas alternativas de repensar a circulação nos espaços urbanos tenham surgido nesse momento, a crescente demanda de serviços de entrega por meio de aplicativos se apresenta como uma nova preocupação. De acordo com Camila, esses serviços “pressionam os trabalhadores a cumprir horários e prazos apertados, incentivando o excesso de velocidade e descumprimento de regras de segurança e circulação”, destaca. 

Atentas aos problemas gerados pela pandemia, diversas cidades ao redor do mundo têm estimulado a sustentabilidade por meio do uso da mobilidade não motorizada, como bicicletas e o deslocamento a pé. Isso porque esses meios possuem natureza individual, o que diminui o risco de aglomeração e ao mesmo tempo contribui para a preservação do meio ambiente. 

Novos caminhos e soluções 

No futuro pós-pandemia, a mobilidade urbana deve ganhar mudanças significativas principalmente em relação à acessibilidade, tornando mais fácil a realização de atividades que antes da pandemia consumiam tempo de locomoção. 

“Percebem-se alterações, quem sabe, de forma definitiva, como é o caso do crescente uso do ‘home office’ para atividades de trabalho e de educação. Até atividades de lazer, atividade física e entretenimento foram afetadas e, de certa forma, alteradas pela pandemia”, ressalta a professora Camila Bandeira. 

As pesquisas na área de mobilidade também apontam soluções de inovação para os problemas enfrentados durante a pandemia de Covid-19 e para o futuro das cidades. Na Universidade de Fortaleza, o Laboratório de Pesquisa e Inovação em Cidades (LAPIN), vinculado à Diretoria de Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (DPDI), desenvolve projetos em áreas diversas como otimização do transporte coletivo, melhoria da segurança viária e compartilhamento de veículos elétricos e bicicletas. 

O professor do curso de Arquitetura e Urbanismo da Unifor e pesquisador do LAPIN, André Lopes, conta sobre os projetos voltados para o combate à pandemia nos quais o laboratório multidisciplinar tem trabalhado. “A Fundação Edson Queiroz acaba de aprovar financiamento para um projeto focado em Covid-19 e planos de restrição da mobilidade, uma parceria dos laboratórios LCDIA – Laboratório de Ciências de Dados e Inteligência Artificial e LAPIN - Lab de Pesquisa e Inovação em Cidades da Unifor”, destaca. 

Ainda segundo ele, “há também um projeto que compreende a elaboração de métodos para modelagem de matrizes de Origem e Destino a partir do uso de Big Data, facilitando a compreensão de aspectos relacionados aos deslocamentos das pessoas na cidade de forma mais atualizada, pois está havendo uma mudança muito significativa nesse padrão de não somente durante, mas também no período pós-pandemia”, explica.  

A professora Camila Bandeira observa que a pandemia se mostra também como oportunidade para o início de uma nova consciência social. “Essa seria uma oportunidade para a sociedade perceber a importância de aspectos relacionados à mobilidade urbana que precisam ser repensados, infelizmente forçados pela força de um isolamento social devido à pandemia. Essa nova consciência não será percebida por todos, mas será a oportunidade de iniciarmos uma mudança significativa na forma como nos colocamos diante da cidade e nosso papel enquanto cidadãos, conscientes que nossas escolhas afetam a sociedade como um todo”, finaliza. 

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