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Seg, 9 Setembro 2019 09:29

Ceará é destaque nacional em número de transplantes

O número de transplantes realizados em 2018 no Ceará já é cinco vezes maior do que no início dos anos 2000. Falar com a família sobre doação de órgãos e tecidos ainda é urgente e necessário para salvar mais vidas


O Ceará se encontra em 3º lugar no ranking, acima da média Nacional. Foto: Ares Soares.
O Ceará se encontra em 3º lugar no ranking, acima da média Nacional. Foto: Ares Soares.

Entre os estados brasileiros, o Ceará tem sido destaque na doação de órgãos, ocupando o 3º lugar do ranking em número de doações. Entre 2014 e o primeiro semestre deste ano, 1.187 famílias cearenses disseram sim à doação. Conforme dados do Registro Brasileiro de Transplantes, no primeiro trimestre deste ano, 28% das famílias cearenses entrevistadas sobre a vontade de doar órgãos de parentes falecidos recusaram a oportunidade. A porcentagem está abaixo da média nacional, que é de 39%. Em doação efetiva, o Ceará se encontra em 3º lugar no ranking, acima da média Nacional.

O gesto de solidariedade tem se transformado em números animadores. Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesa), os “sim” dados pelas famílias resultaram em 7.757 transplantes realizados nos últimos 5 anos e meio. Somente nos seis primeiros meses de 2019, o Ceará realizou 757 transplantes de órgãos. Mais que o dobro de todo o ano de 2002, quando 297 transplantes foram concluídos.

Desde o início dos anos 2000, o número de procedimentos realizados no Ceará vem numa crescente, com picos em 2003 (ano de início do Movimento Doe de Coração), quando foram registrados 420 procedimentos; e em 2016, quando houve 404 transplantes a mais que em 2015, totalizando 1.874. Em 2018, o Ceará fechou o ano com 1.535 transplantes realizados. 

Os números, entretanto, podem ser maiores. “Ainda existe muita desinformação. A gente precisa estar sempre puxando esse assunto e esclarecendo a população sobre a morte encefálica, o que é, como são feitos os testes. A gente tem feito também um trabalho com os profissionais da área de saúde para sensibilizar”, destaca a chefe da Central Estadual de Transplantes, Eliana Barbosa.

O destino de muitas pessoas pode ser transformado com uma simples conversa. Quebrar tabus e falar sobre doação de órgãos e tecidos é necessário e urgente. Somente no Ceará, 1.004 pessoas aguardam na fila por um transplante de órgão.  Conversar com a família e deixar clara a intenção de doar de órgãos é o primeiro passo para salvar várias vidas. Pela legislação brasileira atual, são os familiares do doador em potencial que darão a palavra final sobre a doação de órgãos, mesmo que o paciente tenha deixado a sua vontade expressa em documentos oficiais como o RG.

Doe de Coração 

A 17ª edição do movimento Doe de Coração teve início no último dia 2 de setembro e segue até o próximo dia 30, com ações de ações informativas e de conscientização sobre a doação de órgãos e tecidos. Realizado anualmente pela Fundação Edson Queiroz desde 2003, o movimento tem o objetivo de informar e encorajar a população para ampliar o número de doadores.

Durante o mês, a cidade vai se vestir de solidariedade. Além de panfletos, cartazes e outros materiais informativos, 5 mil camisas com a marca Doe de Coração serão distribuídas. A camiseta leva a tradicional marca do movimento, que este ano foi redesenhada pelo artista plástico Totonho Laprovitera. Com o intuito de alcançar e impactar o maior número de pessoas possível, as ações do movimento incluem também a veiculação de anúncios em jornais, portais de notícias, rádios e emissoras de televisão.