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Qui, 27 Agosto 2020 12:05

Atual contexto de pandemia é o principal desafio da Doe de Coração 2020

Campanha terá uma programação mensal de atividades presenciais e virtuais sobre a doação de órgãos e tecidos.


Polianna Lemos, professora do curso de Medicina da Unifor é a embaixadora da iniciativa este ano. (Foto: Ares Soares)
Polianna Lemos, professora do curso de Medicina da Unifor é a embaixadora da iniciativa este ano. (Foto: Ares Soares)

A médica nefrologista Polianna Lemos, professora do curso de Medicina da Universidade de Fortaleza, da Fundação Edson Queiroz, é a coordenadora da campanha Doe de Coração 2020, cujo objetivo é ampliar a doação de órgãos. 

Como embaixadora da iniciativa, ela alerta que o principal desafio este ano será conscientizar as famílias e os próprios receptores de órgãos, que estão temerosos de receberem um órgão contaminado pelo novo coronavírus. 

Apesar dos impactos da Covid, o Ceará nunca parou com as ações de transplante, destacando-se nacionalmente. Desde junho, com a pandemia mais controlada, as doações já apresentam sinais de melhora e todos os transplantes já voltaram a acontecer.

Confira a seguir entrevista com a professora Polianna Lemos.

UNIFOR - Professora, uma matéria recente do Portal G1 mostra que o número de doações de órgãos caiu 6,5% no Brasil durante o primeiro semestre de 2020 em decorrência da pandemia de Covid-19. Diante do contexto, qual a importância de falarmos sobre doação nesse momento?

Durante a pandemia de Covid-19, todo o cenário da saúde foi afetado devido ao enorme quantitativo de pacientes graves requererem pronto atendimento e cuidados intensivos. Muitos desafios surgiram no contexto da doação de órgãos: (1) A ocupação dos leitos de terapia intensiva por pacientes graves com insuficiência respiratória secundária à Covid-19, (2) as restrições dos potenciais doadores pelo risco de contaminação dos receptores pelo vírus, (3) menor número de potenciais doadores causado pela diminuição de causas externas de óbito devido ao isolamento social, (4) queda das notificações de potenciais doadores pelo fato dos serviços estarem voltados para resolução da pandemia, (5) dificuldade de acesso às famílias de possíveis doadores por medo de se deslocarem aos hospitais e (6) prejuízo da logística de transporte de órgãos pela suspensão de voos.

UNIFOR - Sabemos que o Ceará é referência em transplante de órgãos e tecidos, mas também teve seu índice afetado. Como essa situação tem sido conduzida?

O Ceará sempre teve um papel de relevância na doação de órgãos no país. Porém, o Estado foi muito atingido pela pandemia e muitos potenciais doadores testavam positivo para o Covid-19 – 27% destes potenciais doadores, segundo registro brasileiro de transplantes e Secretaria de Saúde do Estado. Contudo, o Ceará foi o primeiro a estabelecer a testagem para Covid-19 (RT-PCR) em potenciais doadores, medida posteriormente estabelecida pelo Ministério da Saúde.

UNIFOR - Para quem tem interesse, o que é preciso para se tornar um doador?

O mais importante é conversar sobre o assunto com a família, manifestando seu desejo de doar. A família tende a respeitar o desejo do doador, sendo este o maior obstáculo que limita a doação (cerca de 50% dos casos). 

UNIFOR - De que forma o Movimento Doe de Coração tem mostrado seu compromisso com a saúde da sociedade, ao longo dos anos de realização?

Desde o início do Movimento a discussão aberta com as famílias e a conscientização da sociedade vem rompendo o principal tabu: DESINFORMAÇÃO. A doação de órgãos só será feita com a autorização da família.

UNIFOR - Sobre a campanha deste ano de 2020, quais ações estão previstas para o Movimento Doe de Coração?

A campanha visa informar e encorajar a doação em um momento tão crítico como este que estamos enfrentando durante a pandemia de Covid-19. Em junho, 40.740 pessoas aguardavam um órgão, sendo o rim a maior demanda. Ações estratégicas acontecerão em diversos pontos de Fortaleza, atividades virtuais variadas como “lives”, vídeos, self points, seguindo todas as recomendações de segurança. O movimento distribuirá 5 mil blusas e máscaras entre alunos, professores e colaboradores firmando este compromisso em ampliar a doação de órgãos. Dia 27 de setembro será celebrado o Dia Nacional de Doação de Órgãos que contará com o apoio do Movimento.

UNIFOR - Enquanto coordenadora da Campanha Doe de Coração 2020, quais são suas expectativas para esta 18ª edição?

A campanha este ano conta com desafios ainda maiores devido ao contexto atual da Covid-19, pois não só precisamos conscientizar as famílias, mas também os próprios receptores de órgãos, que estão temerosos de receberem um órgão contaminado pelo vírus. Diante de tudo isso, muitos infelizmente morreram aguardando um órgão durante a pandemia, por fazerem parte do grupo de risco para quadros de maior gravidade.