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Seg, 11 Outubro 2021 09:47

Daniel Camurça, professor do CCJ, é gente que muda o mundo

Ao longo da semana do Dia do Professor, uma série de entrevistas apresenta docentes da Universidade de Fortaleza que contam como ensinar e aprender estão intrinsecamente relacionados às próprias vidas 


Daniel Camurça leva a paixão pelos quadrinhos para a sala de aula (Foto: Ares Soares)
Daniel Camurça leva a paixão pelos quadrinhos para a sala de aula (Foto: Ares Soares)

"Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo"
Paulo Freire

A Universidade de Fortaleza começa, nesta semana do Dia do Professor, a série de entrevistas Gente que muda o mundo. Por meio delas, é possível conhecer melhor a diversidade de docentes dos quatro centros de ciências da Unifor, instituição da Fundação Edson Queiroz. Cada professor entrevistado conta quem é, para além da sala de aula, e como suas ideias, leituras e hobbies contribuem para o exercício da profissão e para a formação de graduandos.
 
Esse grupo de homens e mulheres representa parte dos cerca de 1.300 docentes que diariamente estão ensinando e aprendendo na melhor universidade privada do Brasil, segundo o ranking Times Higher Education. O trabalho de cada professor e professora é fundamental para cumprir a missão de “contribuir para o desenvolvimento socioeconômico, científico e cultural, por meio da formação de profissionais de excelência, da pesquisa e da extensão universitária”

Em uma das aulas de Daniel Camurça, estudantes discutem imagem de HQ do Homem Aranha e como ela se relaciona com a Filosofia Romana (Foto: Ares Soares)

A série tem início com Daniel Camurça, historiador e professor do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ). Urbano, ele adora andar pelas ruas, praças e cidades. É fã de séries e animações da cultura pop. Nas horas vagas gosta de cuidar de plantas e animais de estimação. O professor é um dos palestrantes do Colóquio Justiça em Quadrinhos e Filosofia do Direito, que faz parte da programação do Mundo Unifor 2021.

"O papel do mestre é destruir a escuridão que está dentro do discípulo!" 
Ur, a professora de Gray Fullbuster, na animação japonesa Fairy Tail

 O que o inspirou a se tornar professor? 
Sempre gostei do ambiente escolar. Desde criança era um entusiasta na sala de aula. Tinha grande sede de saber e adorava os diferentes conteúdos. Me sentia empolgado com as matérias. Antes de concluir o ensino médio, sabia que queria ser professor. Passei o último ano desejando estudar Letras. Mas, um mês antes da inscrição do vestibular, optei pela História - a melhor escolha da minha vida.
 
O que mais gosta de fazer no cotidiano fora da sala de aula e como isso se relaciona com o seu trabalho de educador?
Fora da sala de aula tenho predileção, entre outros afazeres, pela cultura pop. As animações me fascinam. Seja pela linguagem, pela temática da narrativa, os dramas dos personagens e a forma como resolvem problemas. Acho este universo discursivo empolgante. São histórias de fácil compreensão e que podem ensinar muito para crianças e adolescentes. Desde antes de concluir meu curso de graduação me imaginava trabalhando com animações em sala aula - via ampla relação dos episódios com os conteúdos. Intrigante como fui desestimulado por muitos. Acreditavam que seria bobagem. Afirmavam que as animações não agregavam valor, assim como não ensinavam nada importante. Nunca concordei com isso!
 
Por favor, conte para a gente sobre uma aula diferente e empolgante para a turma, na qual trouxe um pouco das suas vivências/ saberes para abordar o conteúdo de forma inovadora.
Na verdade, diariamente, eu faço isso. Filmes, animações, séries e HQs são constantemente mencionadas em aulas. Episódios, falas e comportamento dos personagens geram importantes reflexões sobre conceitos filosóficos, sociológicos, jurídicos, econômicos... Pelo menos uma vez por semestre levo para minhas diferentes turmas do Curso de Direito da Unifor imagens de animações e seriados, por exemplo, para analisar o comportamento do Batman, Superman, Homem Aranha, Hulk, entre outros. A meta da aula é entender o que os quadrinistas e roteiristas tentaram transmitir e, da mesma forma, relacionar com os conteúdos abordados no Plano de Ensino. Os estudantes realmente gostam muito. Torna a aula mais atual, divertida e reflexiva a partir de cânones conhecidos pela maioria. A metodologia de trabalho é inovadora, pois exige compreensão do universo das produções midiáticas. E mais do que isso, exige capacidade de separar o olhar do fã em relação ao olhar do pesquisador. Afinal de contas, não se trata de mera análise de discurso. Mas de compreender a realidade do produto com a realidade social e jurídica que os estudantes de graduação precisam entender, a partir do Direito.
 
O que mais gosta na sua profissão?
Duas coisas: 1. O ambiente da sala de aula. Me sinto muito à vontade dentro da sala. Cada livro lido e relacionado com o conteúdo oferece um mundo de possibilidades. É estimulante verificar, em aulas, os estudantes entendendo algo novo. Adoro ouvir suas impressões e tirar dúvidas. A cada dia eles trazem novas perguntas, novos questionamentos e, por isso, novas reflexões. Apesar do planejamento feito antes de cada aula, ela nunca se desenvolve integralmente como elaborada. Ou seja, a aula, por ser dinâmica, plural e repleta de reflexões e contribuições dos estudantes, constantemente sou desafiado a rever conceitos e métodos, resultando em grande aprendizagem para mim. 2. A pesquisa científica. Me sinto diariamente estimulado a fazer pesquisa na área da filosofia do direito e justiça em quadrinhos. São temas complexos, mas também atuais e necessários. Cada pesquisa, cada artigo, cada debate junto aos estudantes apontam interpretações diversas sobre a realidade jurídica e política, dentro e fora do Brasil.


 
Como atuar na educação dialoga com seu desejo de contribuir para um mundo melhor?
Por meio da transformação dos indivíduos. A sala de aula é um importante local de aprendizagem. Para o mundo mudar, verdadeiramente, é preciso estar aberto ao novo, ao pensamento racional, às possibilidades interpretativas. A ciência tem importante papel na melhoria da sociedade. Por isso, os diferentes saberes acadêmicos devem ser estimulados. Da mesma forma, é importante que o corpo docente e discente estejam abertos para revisitar ideias e opiniões. A universidade é a casa do saber. Logo, ao ensinar como pensar juridicamente, dentro dos espectros da sociedade, contribui para uma atuação profissional mais humana, mais preocupada com as questões sociais da justiça.
 
Qual é seu maior sonho em relação ao seu trabalho?
Ampliar minha atuação na pesquisa e no ensino, dentro da universidade. Realizar diferentes pesquisas, junto aos estudantes e colegas de trabalho. Aprender, cada vez mais, as diferentes esferas da realidade social que nos cerca. 
 
Conte-me sobre uma aula inesquecível (pode ser do ponto de vista de professor ou de você como aluno que viria a se tornar professor).
Uma aula que marcou minha carreira profissional ocorreu na disciplina de Filosofia Geral, no Curso de Direito da Unifor, em 2019. Trouxe para os estudantes impressões coloridas do Homem Aranha. A meta era entender o comportamento do herói, analisar se ele agia por meio da ética, para relacionar a imagem com a ideia de obediência às leis de Sócrates. Muitos estudantes compreenderam rapidamente a proposta. Souberam fazer a análise e entenderam os riscos do vigilantismo. Mas, alguns estudantes tiveram dúvidas, pois, se prenderam ao olhar do fã, imaginando que heróis não cometem erros - o que não é verdade. Foi um debate instigante pelo fato de os estudantes presentes em sala conhecerem a obra e, principalmente, o multiverso do personagem. Aprendemos muito!
 
Que professor(a), autor(a), personalidade o inspira? Por quê?
Na verdade, são muitos aqueles que me inspiram: em minha graduação estava muito atento aos professores e aos seus métodos de ensino. Incorporei várias ações que permitiram grandes realizações profissionais. São inegáveis as contribuições de Paulo Freire, ele nos ensina a nos admirarmos com o mundo para ensinar e aprender, simultaneamente - em franco ato de humildade e justiça. Intelectuais como Michel Foucault demonstram como é preciso entender a realidade que nos cerca, principalmente dentro das origens da modernidade. Ou Sidney Chalhoub, historiador social, que nos ensina sobre os desafios do passado e do presente, na conquista de direitos. Além dos meus diversos colegas de trabalho, que diariamente me ensinam os caminhos do saber jurídico.
 
Há alguma frase, verso, música ou citação que tem muito significado para você? Qual?
Sim, claro. Existem muitas afirmativas que norteiam minhas reflexões profissionais. Quero destacar uma muito especial: "O papel do mestre é destruir a escuridão que está dentro do discípulo!". Ur, a professora de Gray Fullbuster, na animação japonesa Fairy Tail, diz isso pouco antes de se sacrificar. Ela tentou mostrar ao seu jovem aprendiz que ela era exigente, não por raiva, ou por desgosto. Mas, por acreditar que seus alunos poderiam ser grandiosos, e por isso, ela seria intensa, próxima, presente, no intuito de ensiná-los, mas também protegê-los contra o mal - inclusive contra a angústia e a raiva que eles carregavam ao sofrerem na infância. Acredito que esse é o nosso papel: mostrar aos jovens que toda dor, agonia, ansiedade e desespero é passageira. E que, ao se libertarem dos grilhões da culpa e do ressentimento, assim como também da desinformação, poderão ser grandiosos. Acredito em cada um deles!
 
Como se imagina quando não estiver mais dando aulas?
Ainda não consegui visualizar isso, confesso! Sempre me imaginei de cabelos brancos, carregando livros, em direção a sala de aula. Os registros afirmam que Sérgio Buarque de Holanda, no dia de sua morte, tentou se levantar em direção a sua escrivaninha, sem forças. Ele tentou aprender até o último dia - isso sim, sempre consegui visualizar!

Gente que muda o mundo - diversidade de aprendizados e saberes



 Daniel Camurça, historiador e professor do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ). Urbano, ele adora andar pelas ruas, praças e cidades. É fã de séries e animações da cultura pop. Nas horas vagas gosta de cuidar de plantas e animais de estimação. Veja a entrevista completa e o vídeo aqui.

Daniela Araújo Costa (CCT) é graduada em Engenharia Civil e mestre em Administração de Empresas. Começou na docência ministrando aulas de inglês para crianças e preparando adultos para certificações internacionais como testes da Universidade de Cambridge. Desde 2003 atua no ensino superior. Daniela se considera muito comunicativa e “alto astral”. Ler e ver filmes estão entre os principais passatempos. Leia a entrevista na íntegra e veja o vídeo aqui.



O professor do Centro de Ciências da Comunicação e Gestão da Universidade de Fortaleza, Landsberg Costa, destaca “o poder transformador que a educação tem na vida das pessoas e como os professores podem ter o efeito catalisador dessa transformação”. Ele é o terceiro docente da série de entrevistas Gente que muda o mundo. Graduado em Administração de Empresas, Landsberg vibra ao ver os alunos demonstrando desenvoltura e aprendizado durante momentos do cotidiano, como em uma aula de campo.  Veja toda a entrevista aqui.



Os movimentos ágeis das agulhas de crochê e os procedimentos delicados da Fisioterapia Dermatofuncional são comandados pelas mesmas mãos, as da docente do Centro de Ciências da Saúde, Cristina Santiago. Graduada em Fisioterapia e mestre em Saúde Coletiva, Cristina tem colorido a vida com as linhas utilizadas em trabalhos manuais.  Leia a entrevista na íntegra e assista ao vídeo aqui.



A banda Inimputáveis traz no vocal um advogado criminalista. Seja ao cantar as letras de bandas como Charlie Brown Jr,  participar do Tribunal de Júri ou lecionar, o professor Armando da Costa Júnior atua com intensidade. “Por causa dos meus dois metros, as pessoas costumam me chamar de Armandão. Além de professor, sou advogado criminalista. São duas profissões que exerço com enorme paixão”, conta. Veja a entrevista inteira aqui.



O arquiteto e urbanista Pedro Boaventura dá aulas há quase três décadas. Também gosta de desenhar, fazer maquetes e objetos, cuidar das plantas e dedilhar no teclado. Pedro ama ser ponte para o aprendizado e possibilitar que os alunos caminhem em direção à descoberta de talentos e à consolidação de saberes. Leia mais aqui.



As palavras e as imagens perpassam o fazer da professora Mariana Fontenele, do Centro de Ciências da Comunicação e Gestão (CCG), dentro e fora da sala de aula. Com os alunos das graduações em Jornalismo e em Publicidade e Propaganda, a literatura e o cinema também são inspirações para o processo ensino-aprendizagem. Os livros também são uma “paixão” quando Mariana está fora da Universidade de Fortaleza.  Leia toda a entrevista e veja o vídeo aqui.