angle-left Alessandra Oliveira, uma professora nota 10

Qui, 8 Outubro 2020 16:45

Alessandra Oliveira, uma professora nota 10

Professora do curso de Publicidade e Propaganda da Unifor aposta na inovação dos processos educativos de forma humanizada


Alessandra Oliveira usou a criatividade para realizar a avaliação final de seus alunos com uma nova metodologia. A Expedição Internet incentivou o trabalho em equipe interativo e inovador (Foto: Arquivo pessoal)
Alessandra Oliveira usou a criatividade para realizar a avaliação final de seus alunos com uma nova metodologia. A Expedição Internet incentivou o trabalho em equipe interativo e inovador (Foto: Arquivo pessoal)

O século XXI tem produzido sucessivas provas de fogo para educadores. Tão veloz quanto inconstante, ele exige que a educação se reinvente, amplie as formas de conhecimento, proponha experiências inovadoras de aprendizagem. Mas, afinal, como ensinar e aprender em meio aos novos cenários culturais, digitais e relacionais que invadem o educativo? Que habilidades se fazem urgentes para educar em uma sociedade hiperconectada, mas ainda pouco inclusiva?

Sem medo de errar, a professora do curso de Publicidade e Propaganda da Universidade de Fortaleza, Alessandra Oliveira, tem apostado no saber que se constrói junto com o aluno, lição freiriana capaz de humanizar e retirar peso dos processos educativos. O clássico que se aplica ao contemporâneo vai ao encontro de uma proposta de educação midiática que também lança mão do lúdico e da criatividade para experimentar novas metodologias e ferramentas digitais de ensino-aprendizagem. Assim é que, frerianamente, a sagitariana inovou, inventando uma sala de aula onde games e podcasts se aliam a quebra-cabeças e jogos interativos de perguntas e respostas para passar a limpo - sem dor - teorias densas.

Conexão Internet é o nome da aventura virtual por último experimentada e que causou frisson entre os discentes, valendo como nota de prova final. Por meio de um vídeo gravado no estúdio da TV Unifor, a professora vestida de alpinista explicou as regras do jogo remoto, tendo como pano de fundo a montanhosa Machu Picchu: a ordem era subir uma montanha parando em diferentes pontos até chegar ao cume. A cada pausa, um conceito ou autor vinha provocar reflexões e somente quando o montanhista aprendiz refletia sobre o tema demandado é que ele poderia acessar o nível acima. Detalhe: ninguém chega ao topo individualmente, mesmo com 100% de acertos. É que, além de interativo, o dispositivo inventado por Alessandra evoca a política da cooperação, ou seja, enquanto houver um montanhista que seja perdido e sem respostas pelo caminho nenhum outro impera, avançando até o alto. 

“Estudamos brincando toda a História da Comunicação: da prensa de Gutemberg à Internet. Tudo porque os alunos se sentem incentivados à participação. No AVA – Ambiente Virtual de Aprendizagem, utilizei recursos do moodle para criar esse jogo interativo e eles piraram ao perceberem que enquanto subiam a montanha poderiam trocar ideias com pensadores como Zygmunt Bauman e Byung-Chul Han, entre outros. Foram três dias de prova e todos chegaram até o fim, cumprindo o objetivo de fazer um trabalho reflexivo profundo de forma divertida e colaborativa. Inclusive o princípio da Internet, que é todos-todos, foi usado como critério de avaliação”, esclarece Alessandra.

Para a professora, os novos possíveis para a educação só podem mesmo brotar da relação implicada e empática entre docentes e discentes. “Acho que a gente se renova muito ao ouvi-los e quando buscamos saber quais os seus interesses. Estudei e estudo muito sobre o ensino híbrido, AVA, linguagem da internet. E desde que terminei o doutorado e voltei da licença-maternidade senti necessidade de materializar essa teoria na sala de aula. No semestre passado, assumi a disciplina que tem como objetivo final a escrita do TCC – Trabalho de Conclusão de Curso – no curso de Publicidade. Até então, era alta a taxa de evasão. Foi quando optei por trabalhar com os alunos a metodologia das histórias de vida. Passei a ouvir e ler sobre como eles se tornaram os estudantes que são hoje e o que projetam para o futuro. Também compartilhei a minha trajetória, relacionando com as deles. A partir daí, os alunos conseguiram construir seus projetos de TCC. Uma construção no hoje, rememorando o que aconteceu para ter a compreensão da experiência e, aí sim, poder identificar de modo claro e objetivo o que se vê fazendo futuramente. O resultado é que ninguém mais trancou a disciplina”, comemora Alessandra.