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Qua, 29 Abril 2020 10:06

Professores e a arte de reinventar-se em tempos de pandemia

Diante da reclusão social imposta pela pandemia de Covid-19, professores da Universidade de Fortaleza reinventam um novo dia a dia.


Paola Tôrres, professora do curso de Medicina da Universidade de Fortaleza (Foto: Divulgação)
Paola Tôrres, professora do curso de Medicina da Universidade de Fortaleza (Foto: Divulgação)

Novos modos de convivência. Novas maneiras de pensar e agir cotidianamente. O novo e hipercontagiante coronavírus fez da pausa um imperativo. Junto a ela, exigiu do ser humano reclusão absoluta. Professores de todas as áreas da Universidade de Fortaleza, da Fundação Edson Queiroz, estão atentos ao recado que a Covid-19 endereçou para o mundo e aqui vêm contar sobre como estão lidando com o estranho que de repente invadiu o que já parecia tão familiar. Entre desafios e estímulos, contam como inventam para si válvulas de escape e de que forma continuam a manter ligadas suas fontes de desejos.

Aprendizagem pela experiência

 

“Aceita que dói menos”. Empreendedor e professor do curso de Administração da Universidade de Fortaleza (Unifor), o professor Julio Cesar Pereira da Silva não teme cenários de crise e defende o mesmo modelo mental para a vida e o trabalho: é preciso encarar a realidade e tentar interpretar os sinais de risco que emanam dela para se antecipar na busca por soluções ou alternativas possíveis. O que ele aprendeu como administrador e quer passar adiante em tempos de coronavírus é basicamente um chamado para que a sociedade brasileira abandone uma postura meramente reativa diante da virulência da doença para adotar uma postura preditiva, aquela que não espera acontecer e passa a moldar o futuro no presente, criando oportunidades novas mesmo em ambientes aparentemente estéreis.  

Assim, tanto como docente quanto na seara doméstica, se propôs a fazer algo novo ao invés de se render à vitimização.

“Acho que como minhas pesquisas acadêmicas são justamente focadas na aprendizagem por experiência fui buscar o que eu podia fazer de diferente nesse contexto, lembrando que tudo é situacional, portanto tudo passa. Em casa, por exemplo, passei a fazer atividade física com minha esposa acompanhando vídeos no YouTube enquanto na minha empresa adotei sem titubear as reuniões online que, particularmente, já considero muito mais produtivas do que as presenciais. Basta perceber que no ambiente virtual fala um de cada vez, portanto você é forçado a ouvir. Então, o ambiente educou”, ilustra o administrador cuja afinidade com as tecnologias o levou a ser o professor convidado a virtualizar as disciplinas da pós-graduação da Unifor.

Para Julio Cesar, a crise sanitária causada pelo coronavírus deu a ver mais: “todo mundo estava operando no piloto automático”. Daí porque, além de estimular as habilidades técnicas e tecnológicas de alunos, ele percebeu a importância em investigar o estado de ânimo de quem está se preparando para enfrentar um ambiente empresarial cada vez mais complexo e agora tornado frágil. “A liderança, mais do que nunca, aparece como o grande desafio. O professor em sala de aula é um líder. Na administração, o papel do líder é empoderar o time, despertar o poder de cada um. Mas na nossa geração ainda é forte o modelo mental que chamo de Mc Donald´s. Você tem fome, paga e come. É um modelo passivo. Está tudo mastigado e na mão. O outro modelo mental é o Subway. Você escolhe e monta junto, toma parte no processo. É o perfil de protagonista, o que quer aprender e não é passivo. Na universidade, assim como na vida profissional e pessoal, temos que desenvolver o comportamento de quem constrói junto e convida a fazer a diferença, formando pessoas protagonistas”, defende. 

O professor, portanto, segundo Júlio César, tem que ter sensibilidade para ajustar métodos e identificar os líderes em potencial com os quais se pode contar para um trabalho em rede que muitas vezes disputa a atenção de quem já está no mercado de trabalho e é pressionado, como iniciante, a dar o sangue em nome do lucro e de um sucesso profissional a qualquer preço. “O momento da pandemia nos mostra bem quais são as empresas no mundo que têm responsabilidade social e não operam apenas com fins lucrativos. A Jonhson´s, por exemplo: o governo americano convidou a empresa para pesquisar a busca de uma vacina. Por que? Porque é uma empresa séria e sólida em sua quinta geração, com rentabilidade alta mas também um comprometimento social amplo. Isso amplia essa percepção de princípios e valores administrativos nos alunos: eu lucro, mas depois invisto na sociedade para lucrar de novo”, ilustra. 

Segundo Julio Cesar, ficou mais fácil em meio à maior crise sanitária do século XXI enxergar as empresas oportunistas e as perenes, aquelas que entregam valor à sociedade. “Por que a Unifor é reconhecida? Porque entrega valor à sociedade. Eis a importância da ciência e o reconhecimento de que é o conhecimento científico que gera inovação”, conclui o professor que aposta na aceleração da aprendizagem por meio da conexão entre realidade e teoria, ao mesmo tempo em que defende uma vida inteira dedicada aos estudos nas universidades. “Sou da geração da hiperinflação. Venho de uma família classe D. E já entendi que tudo passa. Mas para jovens que nunca passaram por isso é preciso lembrar os princípios cíclicos da administração: planejar, organizar, controlar, dirigir e saber aceitar. Vamos aprender com a pandemia até porque isso vai acontecer de novo, já que o desequilíbrio ecológico é grande. Então ou a gente chora ou vai buscar oportunidades. Você vai querer comprar lenço para chorar ou vender lenço?”, provoca o administrador.

A tecnologia como aliada

Sistemas de Inteligência. Raciocínio Lógico e Algoritmo. Modelagem de Problemas com Matemática. Redes Convergentes. Desenvolvimento de Plataformas Móveis. Para o professor Bruno Lopes, dos cursos de Engenharia da Computação e Ciência da Computação da Universidade de Fortaleza, a intrínseca afinidade entre sua área de pesquisa e as ferramentas online que movem a engrenagem da globalização está fazendo da quarentena algo familiar e até divertido. “A nossa rotina de trabalho e extracurricular já é naturalmente marcada por reuniões virtuais com pessoas no Brasil, Europa, Estados Unidos. Nossos alunos jogam videogames com jovens de outros países. Então, o isolamento social foi só o catalisador para continuar fazendo o que a gente já faz rotineiramente”, diz. 

Rotineiramente, no caso, não é força de expressão. O professor também se assume como um adepto inveterado dos videogamers, admitindo que, durante os dias de confinamento forçado tem que se dar um freio para não passar dos limites. É que em casa, entre “brinquedos” tecnológicos, também tem que planejar e “subir” as aulas, além de cumprir rigorosamente o horário de cada uma delas, mantendo o mesmo horário das presenciais. Hightech por vocação, Bruno conta com logística própria: na própria mesa digitalizadora, que funciona como uma lousa que pode ser compartilhada em telas de computador, ele mostra o passo a passo de cálculos matemáticos e faz valer múltiplas ferramentas de programação, incluindo softwares de simulação similares aos dos laboratórios da Unifor. “O ensino híbrido nos abriu novos horizontes. Já vínhamos lendo sobre isso. Mas agora podemos potencializar para depois incorporar formalmente no curso”, torce o professor.

Para ele, o conteúdo transmitido presencialmente sempre corre o risco de se esvair rapidamente, enquanto aulas gravadas podem ser acessadas infinitas vezes. Dúvidas agora lhes chegam por torpedo. E esse tempo e espaço expandidos dão a ele, como professor, e seus alunos, uma sensação de maior liberdade. Eis o feedback de uma ampla maioria envolvida desde o início do isolamento social com os conteúdos e as atividades reunidas no ambiente-aula do sistema Unifor Online. “A preocupação maior dos alunos é com relação ao calendário letivo: quando as aulas irão voltar e se serão ou não prejudicados. Respondo que não vamos parar e que podemos compensar qualquer possível perda, mas realmente ainda não sentimos qualquer impacto negativo em termos didáticos”, assinala o professor.

Em termos domésticos, só o filho Heitor, de 3 anos, é que por vezes quer disputar a atenção do pai professor que, para sua alegria, passou a estar 24 horas por dia em casa. 

“Antes do confinamento eu saía muito cedo com ele pela manhã para levar à escola e só voltava a vê-lo à noite para botar para dormir. Por isso que agora fica difícil desgrudar e é preciso minha esposa pegar no colo e levar para longe na hora da aula. Mas nas horas vagas a gente se esbalda. Quando não estou às voltas com as leituras para o doutorado brincamos com ele para diminuir a ansiedade: esconde-esconde, bola, triciclo e, claro, videogame. Também passamos a ter o bom hábito de passar horas conversando na cozinha enquanto preparamos as refeições. Isso não acontecia antes. E, pessoalmente, ando atualizando a leitura dos livros não técnicos, no Kindle principalmente. Li recente O Guia do Mochileiro das Galáxias e o próximo será Game of Trones. Vi a série, mas não li os três volumes que havia comprado há tempos. Essa é a hora”, anima-se Bruno.     

 Animado também fica o professor com as ações de apoio para o enfrentamento do coronavírus que vem da Universidade de Fortaleza e, particularmente, dos laboratórios afinados com sua área de pesquisa. Ele cita: por meio do Núcleo de Aplicação em Tecnologia da Informação (NATI), a Unifor fez uma doação de 45 protetores faciais (face-shields) para alunos e professores do Mestrado Profissional em Tecnologia e Inovação em Enfermagem (MPTIE) que trabalham na linha de frente da Covid-19. Posteriormente os beneficiados com o recebimento do Equipamento de Proteção Individual (EPI) foram os profissionais do Núcleo de Biologia Experimental (Nubex) da Unifor, que serão responsáveis pela realização de testes de Covid-19 na Universidade.  

O orgulho tem razão de ser: segundo o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), cerca de 2,3 milhões de profissionais de Enfermagem brasileiros atuantes nos diferentes níveis de atenção (baixa, média e alta complexidade) compõem a linha de frente no combate e controle da propagação do coronavírus. Atualmente, o número de enfermeiros e técnicos, possivelmente infectados, passou de 1.200 casos.

O que nos diz a médica-artista

O insustentável peso do isolamento social salta aos olhos da médica oncohematologista e professora do curso de Medicina da Universidade de Fortaleza (Unifor), Paola Tôrres. Para ela, em tempos de coronavírus, é ilusória a imagem ou sensação de descanso que muitos tentam atrelar à atual fase, onde uma maioria acumula trabalho a distância com demandas de ordem doméstica- tudo sob um mesmo teto e ao longo de 24 horas. “Está todo mundo exausto, mesmo confinado. Isso porque é da própria condição humana a necessidade de se reestabelecer energeticamente no humano, na coletividade, no burburinho. Somos uma colmeia humana. O que nos energiza é estar em grupo, ou seja, é com o outro que a gente se recarrega”, esclarece a também presidente do Instituto Roda da Vida, ONG que põe em prática os princípios da medicina integrativa junto a pessoas com câncer. 

E se distantes somos mais fracos, como Paola vem diagnosticar, é preciso se preparar para a volta à normalidade, dosando possíveis excessos. 

“Quando tudo isso acabar, a invenção de outros modos de vida vai exigir grandes esforços. E como não estaremos descansados, dada essa tensão subjetiva, que agora também se estende para a política em nosso país, a recarga de energia será paulatina. Teremos que voltar à vida pós-pandemia devagarzinho, como se um membro nosso tivesse sido engessado. Quando você se livra do gesso não fica com aquele braço fino que leva um tempo para se recuperar? Pois é: nossa sociedade está engessada, estamos enfraquecidos, vulneráveis e vamos precisar de uma tipóia para recuperar o pleno movimento, além de fisioterapia. A reabilitação social, moral e ética virá compassada, mas é importante que venha”, alerta.

Na sala de aula virtual, a única de que dispõe no momento, é esse foco no humano - e não na doença em si - que a professora do Curso de Medicina da Unifor procura atrelar a toda uma teoria médica embasada em práticas e rigorosos protocolos científicos. “É bem complexo o momento do isolamento, porque a Medicina exige contato, prática, ou seja, medicina só se aprende com o outro, com colegas veteranos e os demais atores envolvidos, incluindo alunos. A distância, a gente vem discutindo o panorama da Covid-19, a fisiologia do pulmão, os mecanismos imunológicos, além da questão da biossegurança, mas respeitando, claro, o nível de aprendizagem em que cada aluno se encontra”, ressalta Paola. Extracurricular – e talvez mais importante,ela acrescenta -, tem sido a ação voluntária de um grupo de professores e profissionais de saúde da Unifor que, junto aos alunos de Medicina, vem dando apoio à comunidade do Dendê. Assim, cestas básicas, máscaras e insumos de higiene estão sendo arrecadados e distribuídos emergencialmente durante a crise sanitária. 

Impedida de estar na linha de frente do combate à pandemia em hospitais locais, sobretudo por conta de sua atuação como médica oncologista às voltas com pacientes em estado grave e tratamento contínuo, a professora, que também é adepta ao budismo, encontra na medicina integrativa e nas artes suas mais potentes fontes de saúde. Destas, aliás, não se deixou afastar. Paola vem mantendo algumas atividades do Instituto Roda da Vida a distância, como meditação, musicoterapia e ioga; segue batendo papos virtuais com suas pacientes idosas interessadas em compartilhar remédios e receitas caseiras, além de boa música; está a mil com a produção de lives sobre o câncer e o coronavírus, tendo como um de seus parceiros nessa empreitada ninguém menos do que o Dr. Dráuzio Varella, e já anuncia, para breve, novos livros de sua própria lavra escritos em linguagem de cordel, rimando medicina e finitude com poesia e vitalidade.

“Estou trabalhando na verdade umas 16h por dia. Então a rotina está intensa e seguem as mudanças. Primeiro, tive que sair da minha casa. Estou em um apartamento que uma amiga cedeu porque minha mãe, de 78 anos, que é diabética e hipertensa, veio ocupar a minha casa e está sendo cuidada pelo meu filho, estudante de medicina. Além disso, minha monja budista, de 72 anos, que também morava em um mosteiro, veio para Fortaleza, porque não podia se cuidar sozinha. Semanalmente, faço então a feira dela e de minha mãe. Tenho 53 anos e uma doença autoimune. Então, tento manter o isolamento social, mas essas terapias alternativas complementares ao tratamento convencional dos pacientes oncológicos não podem parar. Aliás, na ONG, já foram produzidos 200 pares de máscaras para distribuir entre eles”, anima-se a pernambucana que está há 24 anos em Fortaleza às voltas com práticas integrativas em saúde, literatura de cordel e rodas de cantoria ao som de violão, rabeca e viola.

Direitos e deveres de um confinado

São seis em um mesmo apartamento, cumprindo rigorosamente a quarentena. O promotor de justiça e professor do curso de Direito da Universidade de Fortaleza (Unifor), Emanuel Girão, já morava com a esposa, o casal de filhos e a sogra quando o isolamento social imposto pelo novo coronavírus trouxe para o convívio familiar a namorada do filho advogado. Assim é que não há espaço para tédio na rotina doméstica de quem, a preços de hoje, precisa se trancar no quarto da filha para conseguir dar aulas online, ministrar cursos e gravar suas lives de trabalho, deixando da porta para trás, pelo menos por algumas horas, as preocupações relativas à saúde de quem também é asmático e responsável pelos cuidados de uma idosa, sendo ambos, portanto, do chamado grupo de risco da doença. 

“Não tem sido fácil a adaptação a uma vida bem mais regrada e cercada de cuidados de higiene que antes não chamavam a nossa atenção. Mas estamos cumprindo tudo à risca e um acaba cuidando do outro quando estamos sob o mesmo teto. Aprendemos também a dividir espaço e tarefas domésticas. E isso é algo que devemos aderir porque antes deixávamos tudo por conta de uma diarista. Quanto ao trabalho, eu já atuava como professor gravando aulas e usando ferramentas interativas. Então, a aula híbrida, presencial e virtual, pelo menos no meu caso, já veio para ficar. Mas ainda é preciso atentar para a logística necessária e disponibilizar tecnologias adequadas a professores e alunos a fim de que ganhemos em qualidade. Porque, por mais que eu tenha um bom laptop, com uma boa câmera e microfone, fica difícil interagir a contento com o cachorro latindo lá na sala”, diverte-se o professor.    

Confinado no menor dos quartos da casa e acossado pelo tempo cronometrado, o professor ainda assim dá o seu melhor, compartilhando conteúdos, gravando aulas em vídeo e atento às dúvidas que lhes chegam ao longo de 24 horas via whatsapp. Particularmente, elogia uma ferramenta que vem possibilitando visualizar quem da turma de fato fez a atividade por ele proposta, aqueles que iniciaram, mas não concluíram a tarefa e os que nem chegaram, por algum motivo, a iniciar. “É útil e necessário esse tipo de recurso porque o professor identifica quem dispersou e aí já pode chamar atenção de imediato. As aulas online, portanto, nos fazem enxergar melhor o nível de participação dos alunos, já que lidamos com turmas de 50 e às vezes até mais alunos. Era difícil acompanhar o rendimento de cada um presencialmente”, ilustra.

A distância, ele também tem reservado tempo para compartilhar incertezas, cenários de instabilidade e opiniões sobre como o direito sido convocado a agir no país em tempos de coronavírus. Respondendo pela disciplina Direito Eleitoral, vem buscando respostas de bate-pronto para questões espinhosas: se vai ou não haver eleição no Brasil pós pandemia, como serão as campanhas, ou como os eleitores vão se organizar para votar sem se aglomerar. “Parece que estamos vivendo um estado de sítio. Todas as liberdades foram tolhidas. Ao mesmo tempo, o judiciário mandou soltar os presos, inclusive os de alta periculosidade. A OAB, por sua vez, entrou com uma ação para garantir que o judiciário continue determinando a expedição de alvarás. O alvará é o documento pelo qual o advogado recebe o dinheiro ganho em uma causa no banco. Se a Justiça parasse a expedição dos alvarás prejudicaria a subsistência de muita gente. E por aí vai... são muitas mudanças e os estudantes trazem dúvidas diárias”, relata o professor.

A partir de sua atuação no Ministério Público, o também promotor narra para os alunos como têm sido pensadas ações para fiscalizar políticos em relação às medidas adotadas no combate à pandemia. “Por exemplo: foi criado um grupo de trabalho para acompanhar as obras do hospital de campanha do PV, inclusive contratos e pagamentos. Há muitos vídeos relatando corrupção naquela obra emergencial, mas pouca gente ouve falar no trabalho de fiscalização do Ministério Público. E, por incrível que pareça, tem muita gente procurando levar vantagem e até ganhar dinheiro em cima da crise. Isso é uma realidade que gera entre nós e os alunos um debate ético”, ressalta. 

Para ele e seus pares, no entanto, a preocupação maior em tempos de coronavírus tem sido mesmo em relação às pessoas vulneráveis atingidas com as medidas de isolamento social. “Acho que falta uma ação coordenada do governo federal com estados e municípios”, critica Girão. Ao mesmo tempo, o promotor comemora a decisão judicial que suspendeu o pagamento dos empréstimos do programa Minha Casa Minha Vida. “Bom saber que as pessoas não vão precisar pagar as parcelas do financiamento de suas casas por um tempo. Mas o principal debate desde já deveria ser o que fazer quando a pandemia acabar”, observa, tentando pensar isso junto a autoridades do Direito, professores e alunos ainda atordoados que, por enquanto, tentam dizer a si mesmos que a vida continua e essa fase vai passar. De fato e de direito.