angle-left Alunas de Medicina têm startup selecionada pelo Programa Centelha da Funcap

Qua, 14 Outubro 2020 10:58

Alunas de Medicina têm startup selecionada pelo Programa Centelha da Funcap

A Maho Simuladores consiste em uma empresa de produção, confecção e comercialização de simuladores médicos de baixo custo e ambientalmente ecológicos


Luiza e Larissa idealizaram a startup durante curso de cirurgia do Programa de Educação Tutorial, no qual simuladores médicos de baixo custo são confeccionados pelos próprios alunos para treinamento cirúrgico. (Foto: Ares Soares)
Luiza e Larissa idealizaram a startup durante curso de cirurgia do Programa de Educação Tutorial, no qual simuladores médicos de baixo custo são confeccionados pelos próprios alunos para treinamento cirúrgico. (Foto: Ares Soares)

As estudantes do curso de Medicina da Universidade de Fortaleza Larissa Holanda e Luiza Marques tiveram a sua proposta de empresa, a Maho Simuladores, selecionada para receber apoio e investimento financeiro da Fundação Cearense de Apoio ao Desenvolvimento Científico e Tecnológico (Funcap). A iniciativa faz parte do Programa Centelha, cujo objetivo é estimular a criação de empreendimentos inovadores. 

A Maho Simuladores consiste em uma startup que concebe simuladores médicos de baixo custo com modelos físicos que simulam o corpo humano em tamanho real e apresentam características semelhantes aos órgãos humanos. A empresa foi idealizada quando as alunas se conheceram durante curso de cirurgia do Programa de Educação Tutorial (PET Medicina), no qual simuladores médicos de baixo custo são confeccionados pelos próprios alunos para treinamento cirúrgico. 

Segundo o Anuário da Segurança Assistencial Hospitalar no Brasil, elaborado pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar, a somatória de mortes por erro de profissionais da saúde resultou em mais de 54 mil óbitos em hospitais públicos e privados no país. Contudo, esses óbitos poderiam ser evitados com o treinamento e aperfeiçoamento de técnicas em simuladores médicos. No entanto, os atuais simuladores médicos demonstram elevados valores monetários para compra e manutenção, o que restringe o poder de aquisição destes produtos por entidades educacionais de saúde e limita a universalização da capacitação de profissionais. 

Diante do contexto, os protótipos desenvolvidos pelas alunas da Unifor podem viabilizar a educação e o treinamento médico de forma mais abrangente e universal. Larissa Holanda explica que os simuladores serão fabricados localmente, o que favorece a economia e a mão de obra regional, gerando empregos e intensificando o patrimônio econômico local do Nordeste. Além disso, a proposta dos simuladores manifesta um diferencial inovador no âmbito de acessibilidade financeira, alta qualidade de materiais e compromisso ambiental, já que serão utilizados materiais recicláveis para a confecção dos equipamentos.

O uso de materiais de baixo custo promove o diferencial de menor gasto de confecção dos modelos e menor preço de venda, além da oferta de modelos inéditos e personalizados que podem ser pedidos sob demanda com especificações de acordo com as necessidades de cada curso, treinamento e capacitação de especialidades”, destaca. 

A universitária enfatiza que o apoio da Universidade de Fortaleza tem sido fundamental para o desenvolvimento da pesquisa dos simuladores, proporcionando o espaço físico para a realização de experimentos e disponibilizando maquinário para impressão de partes dos modelos. “Ressaltamos também o apoio da aceleradora ICC Biolabs que colaborou para o crescimento da startup. É de vital importância firmar parceiros estratégicos que agregam valor ao desenvolvimento dos produtos elaborados e da empresa em si”, explica Larissa. 

Fase de pré-incubação no Edetec 

Atualmente, a Maho Simuladores está em fase de pré-incubação no Espaço de Desenvolvimento de Empresas de Tecnologia (Edetec) da Universidade de Fortaleza. Ricardo Colares, coordenador do Edetec e professor do curso de Engenharia Elétrica, foi o responsável pela a orientação das alunas juntamente com Herbert Rocha, professor do curso de Engenharia de Produção, e Alexandre Rios, professor do curso de Engenharia Mecânica. Juntos, auxiliaram Larissa e Luiza durante as etapas de desenvolvimento do projeto. “A iniciativa de empreender é algo bastante pessoal e o mérito é das alunas. O interessante desta proposta é que elas estão investindo em oportunidades que vivenciaram no próprio curso, identificando a falta de modelos mais adequados para fazer as simulações dos procedimentos médicos”, diz Ricardo.

Conforme destaca o professor Ricardo Colares, a Unifor dispõe de infraestrutura de incubadoras de empresas e laboratórios para que os estudantes tenham apoio da instituição ao tomarem a iniciativa de empreender, propiciando o surgimento de novas empresas, além de contribuir na formação acadêmica. 

Sobre o Programa Centelha

Executado no Ceará pela Funcap, o Programa Centelha é promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap).

A primeira edição do programa começou no Ceará em outubro de 2019 e recebeu a submissão de 856 ideias inovadoras. Foram 2.480 participantes cadastrados em equipes de 62 municípios.