angle-left Mestre pela Unifor representa o Ceará na 2ª etapa do Laboratório de Inovação em Enfermagem

Sex, 7 Fevereiro 2020 08:26

Mestre pela Unifor representa o Ceará na 2ª etapa do Laboratório de Inovação em Enfermagem

Velma Dias teve sua técnica RIOS selecionada como uma das experiências mais inovadoras em enfermagem do Brasil.


Velma Dias, aluna graduada e mestre em Tecnologia e Inovação em Enfermagem pela Universidade de Fortaleza. Foto: Ares Soares.
Velma Dias, aluna graduada e mestre em Tecnologia e Inovação em Enfermagem pela Universidade de Fortaleza. Foto: Ares Soares.

Velma Dias, aluna graduada e mestre em Tecnologia e Inovação em Enfermagem pela Universidade de Fortaleza representará o Ceará na segunda etapa do Laboratório de Inovação em Enfermagem. Promovido pelo Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) e pela Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) no Brasil, a iniciativa seleciona as experiências mais inovadoras em enfermagem por todo o país. Ao todo foram escolhidas 39 experiências das 329 inscritas.

Das práticas aprovadas, 17 pertencem ao eixo “Ampliação do escopo de práticas” e 22 ao tema “Valorização da Enfermagem”. Os autores dos trabalhos desenvolveram as práticas em instituições do Sistema Único de Saúde (SUS), e irão apresentá-las presencialmente no seminário que acontece em Brasília, nos dias 16 a 18 de março, para a comissão de avaliação que escolherá as experiências que serão visitadas “in loco” pela equipe a partir de abril.

Velma desenvolveu, durante o Mestrado, a implantação da técnica de Recuperação Intraoperatória de Sangue (RIOS) em serviço público de atendimento ao trauma, no Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará – HEMOCE.

Em entrevista, ela explica como funcionou o processo de criação da técnica, o papel da Universidade nesta conquista e como esta posição influi em seu crescimento profissional e para as pesquisas sobre a enfermagem no estado do Ceará.

UNIFOR - O que é a técnica RIOS? Quais os benefícios traz para população e como foi a sua implementação?

Trabalhar em dois serviços de referência do estado, como o Centro de Hematologia e Hemoterapia do Ceará - HEMOCE, responsável em promover a política estadual do sangue no Ceará, e o Instituto Dr. José Frota – IJF, referência no atendimento a pacientes vítimas de grandes traumas no estado, me trouxe a oportunidade de buscar os melhores recursos disponíveis no Sistema Único de Saúde (SUS), para uso de tecnologias assistenciais de conservação do sangue no intraoperatório, que podem ser desenvolvidos e empregados no manejo do sangramento maior. São dois grandes serviços que atuam simultaneamente em prol do atendimento seguro e de qualidade ao paciente com hemorragia grave.

No ano de 2015, aconteceu a implantação da Recuperação Intraoperatória de Sangue (RIOS) para procedimentos eletivos no hospital. Essa técnica envolve a coleta e reinfusão de sangue autólogo obtido através da aspiração do campo cirúrgico, com uso de equipamento apropriado, apresentando-se como uma alternativa eficaz à transfusão. Traz vários benefícios ao paciente que faz uso da técnica, dentre eles a diminuição de transfusões homólogas e suas complicações, como risco de transmissão de doenças infectocontagiosas, edema pulmonar, hemólise ou anafilaxia, alterações imunológicas induzidas pela transfusão, além da redução na demanda de bolsas de sangue, de uma forma geral.

A partir da divulgação dos benefícios da técnica de RIOS para pacientes cirúrgicos, foi possível o desenvolvimento de um protocolo de indicação que permitiu a construção de um projeto de Mestrado voltado à recuperação de sangue no cenário de pacientes politraumatizados graves, pois a RIOS no cenário emergencial do trauma ainda é pouco utilizada e desconhecida por parte de algumas equipes cirúrgicas.

Pensando em introduzir essa tecnologia especialmente no grande trauma, em pacientes com risco de choque e hemorragia grave, foi pensado na criação de um Protocolo de Gerenciamento e Manuseio da Hemorragia Grave, chamado de Protocolo MHEG, pioneiro no Brasil. Esse projeto teve como objetivo incluir a tecnologia RIOS no atendimento emergencial para pacientes vítimas de grandes traumas com necessidade cirúrgica e estimativa de perda sanguínea importante, sendo parte do escopo do Protocolo MHEG, sendo um procedimento realizado pela equipe de Enfermeiros do Trauma.

Nesse contexto, tive a oportunidade de ser agraciada com a bolsa CAPES COFEN que possibilitou o meu ingresso no Mestrado Profissional em Tecnologia e Inovação em Enfermagem (MPTIE) da Universidade de Fortaleza (UNIFOR), e desenvolver essa temática que favoreceu a validação do Protocolo MHEG, contribuindo para o meu crescimento como aluna do Mestrado e percurso profissional.

UNIFOR - Qual a sensação de estar representando o Ceará?

É uma grande satisfação e não deixa de ser um convite à conscientização e extensão da importância de um trabalho sério e de grande impacto na vida dos pacientes que necessitam dessa tecnologia. Saber que estou “representando” o meu estado, traz a sensação de prazer e me faz compreender que não estou sozinha, mas exemplificando um cenário de esforços compartilhados, profissionais dedicados e um trabalho científico de qualidade que o nosso Hemocentro Coordenador (HEMOCE), vem produzindo há algum tempo.

Levar a representatividade de experiências bem sucedidas na Hemoterapia do nosso Ceará e ainda sendo protagonizada pela Enfermagem, me deixa sem dúvidas, muito feliz e lisonjeada.

UNIFOR - O que esse momento representa para você e quais os planos futuros?

É um momento de extrema satisfação, mas também um grande chamado à responsabilidade. Espero poder levar nossa experiência ao alcance dos grandes serviços que assistem o paciente com hemorragia grave. Trabalhar em uma área que envolve novas metodologias é sempre um desafio que traz a necessidade de constante aprimoramento e a oportunidade de compartilhar experiências a partir dos resultados obtidos. Esse tem sido, com certeza, um momento de grande aprendizado e aprofundamento profissional.

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