Espaço Cultural Unifor Museu

Esculturas e pinturas do Espaço Cultural Unifor estão em destaque.

Exposições

 

Dividida em oito módulos, a exposição “Da Terra Brasilis à Aldeia Global - 2ª Edição”, compreende seis séculos de arte, com artistas de renome nacional e internacional. Do primeiro módulo, “Terra Brasilis”, que vai de 1500 a 1637, constam as obras “Primeira Missa”, de Victor Meirelles, e “Primeira Missa em São Vicente”, de Rugendas, além de quatro óleos de Frans Post (1612-1680) e “Vista do Recife e seu porto”, de Gillis Peeters (1612-1653).

Do módulo dois, “Reais Mudanças”, de 1808 a 1821, constam, entre outras, as obras “Retrato de D. Pedro I”, 1829, óleo de Simplício de Sá Rodrigues, que tem um similar no Museu Imperial de Petrópolis (RJ), e “Juramento da Regência Trina”, de Araújo Porto Alegre, 1831, que retrata, em proporções murais e riqueza de detalhes, a cerimônia de posse da Regência Trina, realizada no Paço Imperial.

Quase todos os integrantes da Missão Francesa estão representados no grupo “A Presença Francesa”, destacando-se as obras “São João”, 1799, de Nicolas Antoine Taunay, e “Cascatinha da Tijuca”, 1840, de Félix-Emile Taunay. O módulo 2 encerra-se com o conjunto “O Olhar Estrangeiro” que inclui ainda pinturas, gravuras e álbuns de viagens, destacando-se obras de Adolphe D'Hastrel, August Müller, Durand-Brager, Conde de Clarac, Arnaud Julian Pallière e Johann Moritz Rugendas.

No módulo três, “Uma Academia nos Trópicos”, que vai de 1826 a 1922, a exposição mostra obras de artistas influenciados pela Academia Imperial de Belas Artes (AIBA). A Coleção da Fundação Edson Queiroz reúne os mais importantes artistas acadêmicos brasileiros desse período. Segundo Denise Mattar, o conjunto é surpreendente pois traça panorama dos caminhos da arte brasileira, da AIBA a meados do século XX, mostrando que muitos já antecipavam a modernidade. Fazem parte do núcleo obras de Belmiro de Almeida, Eliseu Visconti, Almeida Junior, Rodolpho Amoedo, Vicente Leite e Raimundo Cela.

O quarto módulo, “Modernidade”, é dividido em dois núcleos (“A Virada” e “Moderno, mas não tanto”) e abrange o período de 1917 a 1950. Neste módulo, está a principal diferença da mostra em relação à 1ª edição, pois foram incorpradas importantes obras que estavam sendo apresentadas em exposições na Europa. A Coleção da Fundação Edson Queiroz tem obras dos principais artistas do Primeiro Modernismo, dentre os quais, Di Cavalcanti, Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Ismael Nery, Gomide, entre outros. 

A criação dos Museus de Arte Moderna em São Paulo e Rio, entre 1947 e 1948, encerra o ciclo do Segundo Modernismo, abrindo espaço para a chegada do Abstracionismo. Obras de Pancetti, Guignard, Segall, Volpi, Bruno Giorgi, Flávio de Carvalho, Ceschiatti, Aldemir Martins e Silvio Pinto completam o módulo, que prestará homenagem especial a três artistas brasileiros, com salas em separado: Di Cavalcanti, Milton Dacosta e Candido Portinari.

O quinto módulo destaca “A Força da Abstração”, indo do final dos anos 1940 aos dias atuais. Dele fazem parte artistas abstrato-informais da Coleção da Fundação Edson Queiroz: Vieira da Silva, Antonio Bandeira, Manabu Mabe, Tomie Ohtake, Iberê Camargo e Frans Krajcberg. Dos grupos Concreto e Neoconcreto integram a exposição: Ivan Serpa, Lygia Pape, Abraham Palatnik, Franz Weissmann, Hélio Oiticica e Lygia Clark. Sem fazer parte dos grupos citados, outros artistas desenvolveram, ao longo dos anos, sua pesquisa no abstracionismo geométrico, e por isso merecem destaque na exposição: Aldo Bonadei, Heloísa Juaçaba e Mira Schendel.

O sexto módulo, denominado “Tempos Difíceis” (1960 a 1970), faz alusão ao período da Ditadura Militar. Entre os artistas deste período a Coleção da Fundação Edson Queiroz está representada na exposição por obras de Antonio Dias, Wesley Duke Lee, Sérvulo Esmeraldo, Lygia Pape, Cildo Meireles e Waltércio Caldas.

O sétimo oito, denominado “Chuvas de Verão”, agrupa os artistas da chamada “Geração 80” (1980 a 1990), reunindo obras dos principais artistas desse período: Beatriz Milhazes, Adriana Varejão, Daniel Senise, João Câmara Filho, Leda Catunda e Leonilson.

No oitavo e último módulo, “A Aldeia Global” (de 1990 aos dias atuais), Denise Mattar selecionou obras significativas da Arte Contemporânea presentes na Coleção da Fundação Edson Queiroz. Dentre esses artistas, estão presentes Adriana Varejão, Mariana Palma, Henrique Oliveira, Vik Muniz, José Tarcísio, Luiz Hermano e Efrain Almeida.

Serviço

Da Terra Brasilis à Aldeia Global - 2ª Edição
Abertura oficial: 10 de outubro, às 19h
Local: Espaço Cultural Unifor
Período de apresentação: A partir de 11 de outubro de 2019
Horário de funcionamento: 9h às 19h (terça a sexta-feira) e de 10h às 18h (sábado e domingo)
Aberto ao público

 

Empregada esporadicamente ao longa história, a palavra foi utilizada em pinturas, tapeçarias, sendo incorporada às artes plásticas no início do século XX, a partir das vanguardas modernistas, futurismo, cubismo, surrealismo e dadaísmo.

A partir desse olhar, a curadora da 20ª Unifor Plástica, Denise Mattar, percebeu o uso da palavra como característica marcante nas obras dos artistas cearenses, sendo o elemento delimitou o tema desta exposição: “20ª Unifor Plástica: Simultaneidades – A Arte com a Palavra”.

“Percebi uma recorrência do uso da palavra na produção de artes visuais cearenses, da palavra filmada, escrita, gravada ou meramente como suporte da obra. Esse foi o fio condutor inicial para escolha das obras que iriam compor a exposição. Teremos vinte e cinco artistas, sendo que um deles, Francisco de Almeida, terá uma sala especial”, explica Denise.

Nesta edição comemorativa a mostra voltará às suas origens, apresentando apenas artistas cearenses ou radicados no estado, de diferentes faixas etárias e percursos, reafirmando a importância institucional da Unifor Plástica na construção da visualidade brasileira.

“Embora hoje exista uma intensa hibridação entre as diferentes estratégias artísticas, pintura, fotografia, vídeo, instalação, e um predomínio da conceituação sobre a forma, processo no qual a palavra adquiriu grande presença nas artes visuais, parece-me que a produção contemporânea cearense incorporou, com densidade particular, essa relação da arte com a palavra. Credito essa presença há algumas peculiaridades da cultura local, como a tradição do cordel, das histórias contadas, cantadas e bordadas, e da presença de um imaginário nordestino que permeia a fala, até do dia a dia, em expressões poéticas que se perderam em outros lugares”, destaca Denise Mattar.

A 20ª Unifor Plástica reúne o trabalho de 25 artistas, com uma mescla de obras inéditas e outras produzidas anteriormente. “Há artistas que haviam realizado trabalhos em pequeno formato e que agora serão apresentados em um formato maior, mas apenas porque esse já era um desejo dos artistas. Outros aumentaram séries que já existiam, também estimulados pela proposta. Houve uma grande colaboração dos artistas para mostrar seus trabalhos da melhor maneira”, confessa Denise.

A Sala Especial de Francisco Delalmeida também terá obras já realizadas e algumas especialmente criadas para a exposição. Delalmeida é um artista que usa a xilogravura, uma técnica difícil e em grandes formatos, onde o artista vem encontrando soluções inesperadas e criativas para continuar produzindo.

Para selecionar os artistas da Unifor Plástica, Denise Mattar contou com o suporte de Cecília Bedê, além de recorrer a outras pessoas da área como o curador Bitu Cassundé, que indicou alguns artistas.

Denise Mattar fala sobre a importância da exposição para a arte local. “A Unifor Plástica é uma exposição tradicional, cujo formato foi se adaptando aos novos tempos, até chegar a ser uma mostra com curadoria. Fiquei bastante contente com o convite para fazer esse trabalho que me deu a oportunidade de conhecer melhor a cena artística da cidade. Pude ver que há artistas cuja obra tem fôlego para ter uma circulação maior, nacional e internacional. Embora no mundo todo o momento não seja dos mais propícios à produção artística, vejo vigor na produção cearense e um processo de evolução do seu circuito artístico local, que está ocorrendo vagarosamente, mas felizmente não está parado”, declara a curadora.

Os visitantes da “20ª Unifor Plástica: Simultaneidades – A Arte com a Palavra” terão a oportunidade de visitar uma exposição poética, que discute assuntos da atualidade, como a inserção da mulher na sociedade, a presença indígena, a especulação imobiliária, além de questões eternas do ser humano: a dor, o amor, a perda, o isolamento e a religiosidade.

Francisco Delalmeida, Crateús/CE, 1962

Xilogravurista. Filho de pai ourives e mãe bordadeira e neto de avó rendeira, começou a desenhar cedo observando o pai. Mudou-se para Fortaleza aos 15 anos e estudou xilogravura com Sebastião de Paula. Posteriormente, frequentou cursos de pintura na Universidade Federal do Ceará e na Universidade de Fortaleza (Unifor). Participou de exposições em Fortaleza, em Sobral, em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Porto Alegre, na Argentina e na Espanha, com destaque para sua participação no Panorama da Arte Brasileira do MAM, em São Paulo (2005), na Bienal de Valência, em 2007, e na VII Bienal do Mercosul, em Porto Alegre (2009). Embora tenha produzido pinturas no início de sua carreira, especializou-se posteriormente na xilogravura, inclusive realizando experimentos técnicos, como aqueles orientados para a produção de obras de grandes dimensões e para a elaboração de xilogravuras fragmentadas, permitindo a realização de inúmeras obras usando variações de uma mesma matriz. Sua produção se debruça principalmente sobre a religiosidade nordestina. Sobre o artista, afirmou o crítico Pedro Costa: “Desenho e pintura foram [...] submetidos à hierarquia da produção da gravura. O desenho anunciando o rastro das goivas e a escala incomum de suas pranchas. A entintagem das matrizes tornou-se pintura, provindo daí as matrizes objetos, as matrizes pintadas. O trato com essas matrizes; seus infinitos efeitos de gravação, entintagem e impressão; sua permanente reutilização e arranjos vão fazer de Francisco Delalmeida um pesquisador-artesão, um gravador por excelência”.
(Fonte: Museu Afro Brasil, São Paulo)

Artistas participantes da 20ª Unifor Plástica

  • Ana Cristina Mendes
  • Andrea Dall’Olio
  • Azuhli
  • Célio Celestino
  • Diego de Santos
  • Fernando Catatau
  • Francisco Delalmeida
  • Haroldo Saboia
  • Henrique Viudez
  • Herbert Rolim
  • Iago Barreto
  • José Guedes
  • Julia Debasse
  • Leo Ferreira
  • Lia de Paula
  • Maíra Ortins
  • Marilia Oliveira
  • Marco Aurélio Ribeiro
  • Mario Sanders
  • Nil Roque
  • Nivardo Victoriano
  • Raísa Christina
  • Rian Fontenele
  • Totonho Laprovitera
  • Virginia Pinho

Serviço

20ª Unifor Plástica: Simultaneidades – A Arte com a Palavra
Abertura oficial:
10 de outubro, às 19h
Local: Espaço Cultural Unifor
Período de apresentação: 11 de outubro de 2019 a 1º de março de 2020
Horário de funcionamento: 9h às 19h (terça a sexta-feira) e de 10h às 18h (sábado e domingo)
Aberto ao público

 

 

A poética casa, repleta de imagens afetivas, aporta no espaço museológico. Eis o “leimotiv” que conduz o desenrolar da memória na exposição dedicada à vida de Yolanda Queiroz (1928-2016), matriarca de uma das famílias mais tradicionais e de destaque no ramo dos negócios no Ceará, construída a partir de sua união com o empresário Edson Queiroz (1925-1982). Parte importante do acervo pessoal fará parte da exposição “Yolanda Vidal Queiroz - Momentos”, que será aberta oficialmente dia 10 de outubro, às 19h, no Espaço Cultural Unifor, sob curadoria de Denise Mattar.

Trabalho, educação e arte. Sobre esse tripé de valores simbólicos, dona Yolanda construiu o seu mundo de sentidos. Dele, fazem parte pinturas de artistas brasileiros modernistas; objetos e peças representativas da religiosidade barroca, adquiridas em suas inúmeras viagens pelo mundo; uma vasta iconografia afetiva com fotos de época, álbuns de família, manuscritos íntimos, vestuário e mobiliário próprios, além de todo um acervo de documentos e registros que dão conta da trajetória empresarial ascendente da família Queiroz.

“Um grande destaque da coleção de D. Yolanda é a arte sacra, indo da escultura barroca erudita, na qual se destacam imagens de Sant’Anna, São Pedro e São José, ao barroco popular. Há pinturas barrocas brasileiras e pinturas da Escola Cuzquenha. Muito religiosa, D. Yolanda era ecumênica, assim sua coleção inclui divindades indianas, vietnamitas, tailandesas, e um conjunto excepcional de ícones russos”, detalha a curadora Denise Mattar, que pinçou da casa da matriarca todo o acervo agora em exposição. Mãe de seis filhos e principal conselheira do criador do Grupo e da Fundação Edson Queiroz, foi ela a corresponsável inclusive por encorajar o marido a investir na criação da Universidade de Fortaleza. 

Um arquivo pessoal que promete revelar nuances de uma personagem capaz de surpreender o senso comum: dona Yolanda como a empreendedora que, longe de ser apenas figura decorativa, assumiu as rédeas dos negócios do marido após seu falecimento, chegando a ganhar o prêmio Personalidade do Ano, em Nova Iorque; a mãe de pulso forte mas doce o bastante para manter unida a numerosa família que se reunia pelo menos uma vez por semana em sua casa; a avó Landa, que mantinha o hábito amoroso de escrever bilhetinhos para os netos; a moçoila que, quando noiva, rendeu-se aos encantos de um Edson romântico capaz de oferecer-lhe diariamente buquês de bugaris, até ouvir o esperado “sim”; a esposa amantíssima que se casou aos 16 anos e guardou enternecida e a sete chaves o véu e a grinalda originais de seu casamento; a dona de casa caprichosa que não economizava nos tons de azul-turquesa, sua cor predileta, e nem na variedade de ornamentos afixados nas paredes e dispostos por ela mesma como verdadeiras instalações.

Inestimável, o relicário de Yolanda Queiroz ganha os contornos de exposição de arte a partir de uma montagem que acabou por dividir a galeria em núcleos, partindo de uma cronologia familiar para chegar à coleção particular de uma também “dama das artes”. “A mostra terá algumas características em comum com as exposições recentemente apresentadas no Espaço Cultural da Unifor, como a Coleção Airton Queiroz e Da Terra Brasilis à Aldeia Global, sendo complementar a elas e trazendo, como diferencial, peças ligadas à religiosidade barroca. Dessa forma, cria-se uma trilogia de exposições dessas importantes coleções cearenses, que também se somam à mostra Pioneiros & Empreendedores, alusiva a Edson Queiroz, realizada em São Paulo”, anuncia a curadora.

Entre os recursos cenográficos da exposição, vídeos, fotografias, cartões postais, músicas e roupas conduzem o olhar de quem também vai conhecer a própria história do Ceará e do Brasil a partir da trajetória de vida de dona Yolanda. Amalgamados, passado e presente surgem ainda em imagens plotadas nas paredes ou digitalizadas e projetadas em monitores. Além da recriação de ambientes domésticos, tal e qual se vê na casa da homenageada, o barroco é assumidamente vedete. Não à toa. “A coleção de D. Yolanda reúne santos, pinturas, pratarias, e elementos ornamentais singulares”, adianta.

Cores e nomes. De encher os olhos, a coleção da matriarca privilegia majoritariamente o Modernismo brasileiro: Di Cavalcanti, Ismael Nery, Portinari, Milton Dacosta, Guignard, Anita Malfatti,  Inimá de Paula, Eliseu Visconti, Antonio Bandeira, Pancetti, Frans Post, Cícero Dias, Volpi, Djanira, Vicente do Rego Monteiro, entre outros, constituem a espinha dorsal da exposição com fins igualmente educativos e didáticos.

“Uma das obras mais antigas da coleção de D. Yolanda é um belíssimo Frans Post. O artista veio ao Brasil com Mauricio de Nassau, ainda no século XVII, e realizou os mais importantes registros do Brasil recém-descoberto. Há também um conjunto de algumas obras clássicas, entre elas, pinturas de Eliseu Visconti e esculturas de Emilio Fiaschi, em mármore e alabastro, e de Charles Collet, em bronze”, elenca a curadora.

Há ainda o retrato de D. Yolanda assinado por Albery, obra pela qual, segundo Denise, ela nutria especial afeto. Outro patrimônio afetivo vindo à tona é um retrato de família, realizado por Lazlo Burjan, em 1970, onde se veem D. Yolanda e as quatro filhas, ainda solteiras. Assim, recriado com imaginação, o espaço vivido de Yolanda Queiroz se apresenta ao público como um elogio à memória individual e coletiva, tornando equivalentes em importância a casa e o mundo.

Obras comentadas, por Denise Mattar

 “A coleção de dona Yolanda reúne, majoritariamente, obras do Modernismo brasileiro. Di Cavalcanti ocupa lugar de flagrante destaque e é representado pelo seu tema favorito, as mulheres. De Guignard, destaca-se a obra Jardim Botânico, pintada no Rio de Janeiro, quando da volta do artista para o Brasil, e um trabalho da série que ficou conhecida como ‘Paisagens Imaginantes’, na qual o artista mistura referências da paisagem mineira com cidades imaginárias, nuvens coloridas, flores tropicais e uma verticalização que lembra a pintura chinesa”.

“Em suas melhores fases, Portinari também marca presença. ‘Despejados’ aponta para um tema caro ao artista: uma família despejada e desvalida, com seus parcos pertences, esperando à beira de uma estrada de ferro. Já ‘Retrato de João Candido’ retrata o filho do artista quando criança, com uma roupa arlequinada, numa festa junina, tema de uma série pequena e extremamente importante na obra do artista. Há ainda um casamento e um delicioso retrato da neta Denise”.

“Também vale destacar as obras de Cícero Dias, Milton Dacosta, Pancetti e um conjunto especial de Antônio Bandeira, em suas diferentes fases: do início de sua produção, ainda figurativa, trabalhos da série ‘Cidades’, obras tachistas e um trabalho incomum, de rara beleza, no qual o artista traça uma espécie de rede sobre sua tela”.

Yolanda Vidal Queiroz – Biografia 

Yolanda Vidal nasceu a 12 de novembro de 1928, em Fortaleza. Faleceu na mesma cidade, em 17 de junho de 2016. Era filha de Luiz Vidal e Maria Pontes. Ele era comerciante de tecidos e fazia negócios com João Pontes, irmão de Maria. Casaram-se em 1916 e tiveram 5 filhos: Dagmar, Zilmar, Yolanda, Vidalzinho e José Maria. O pai faleceu precocemente, aos 50 anos, mas deixou a família em boa situação financeira. Yolanda herdou do pai o interesse por tecidos e nutria especial paixão por bordados e rendas. Sua mãe fazia álbuns de fotografias para todos os filhos e esse hábito ela também incorporou à própria vida.

Divertida, animada e ótima estudante. A jovem Yolanda foi aluna no colégio das Dorotéas e lá foi sempre a primeira da classe. Estudava francês, inglês e seus cadernos, impecáveis, não à toa estão em exposição. Era uma memorialista nata. Fazia álbuns de fotografia de toda família e, posteriormente, das empresas Edson Queiroz. Foi aluna de piano do compositor Mozart Ribeiro. Guardou objetos de sua infância, sua roupa de batizado, bonecas, recortes de jornal com os sonetos de Padre Antonio Tomaz, cadernos e boletins escolares.

Conheceu Edson Queiroz no dia 28 de março de 1945, quando tinha apenas 16 anos, e ele ia fazer 20. Paixão fulminante e no dia 18 de abril ficaram noivos. Casaram-se no dia 8 de setembro do mesmo ano, na Igreja do Carmo. Apesar da pouca idade, Edson já era sócio do pai quando se conheceram e foi expandindo seus negócios.

Yolanda participava muito das decisões que Edson tomava na constituição dos negócios. O crescimento empresarial dele, portanto, deve muito a ela. E cada conquista marcou época. Entre elas, a Loteria Estadual do Ceará, 1947; Loteria Estadual de Pernambuco, 1948; a criação do Abrigo Central, 1949; a Companhia de Gás, 1951; a Rádio Verdes Mares AM, 1961; a Esmaltec, 1963; a Tecnorte, 1963; a Cascaju, 1968; a TV Verdes Mares, 1969; a Universidade de Fortaleza, 1971; o Troféu Sereia de Ouro, 1971; a Água Indaiá, 1979; o jornal Diário do Nordeste, 1981.

O casal teve intensa vida social e a casa reflete até hoje a ampliação desse círculo afetivo, em almoços e jantares memoráveis, sempre organizados por dona Yolanda. Foi dela a ideia para criar a Universidade de Fortaleza e até o final de sua vida acompanhou de perto a realização do prêmio Sereia de Ouro, organizando o evento e preparando convites.

O casal teve seis filhos, na seguinte ordem: Airton, Myra Eliane, Edson Filho, Renata, Lenise e Paula. A morte de Edson Queiroz em um acidente aéreo, em 1982, foi um choque, mas a matriarca não esmoreceu e foi trabalhar no grupo, junto aos filhos Airton e Edson. Yolanda Queiroz não era uma figura decorativa, acompanhava de perto os negócios e quando dizia “não” era acatada prontamente pelos demais. Interessante observar que Yolanda foi mãe de Airton quando tinha apenas 17 anos. Sua proximidade com ele, portanto, era grande. Era uma mãe e uma avó exemplar, do tipo que mandava bilhetinhos carinhosos para todos, filhos, netos e bisnetos. Sofreu extremamente com a morte precoce de sua filha Myra, em 2006, e de Edson Filho, em 2008. Outro aspecto conhecido apenas dos seus familiares era a beleza com que decorava sua casa, dando a tudo um toque absolutamente especial e particular. Cercava-se de belas obras de arte e fazia verdadeiras “instalações” em ambientes diversos.

Em 20 de maio de 2008, foi a primeira mulher agraciada com o Título de Personalidade do Ano, pela Brazilian- American Chamber of Commerce, New York. Ao receber o prêmio, Yolanda fez questão de atribuí-lo ao seu marido, observando, entretanto, que sentia nele uma homenagem a todas as mulheres.

Faleceu em Fortaleza, em 17 de junho de 2016. No dia de sua morte, receberia da Federação do Comércio, Bens e Serviços do Estado do Ceará (Fecomércio-CE) a medalha Clóvis Arrais Maia.

Na exposição, o público visitante terá a oportunidade de conhecer alguém excepcional e à frente de seu tempo, que deixou obras de arte, uma universidade, um clã e progresso para o Ceará.

Comendas e homenagens

Yolanda Queiroz recebeu inúmeras homenagens, comendas e diplomas, entre os quais destacam-se:

  • 1989 - Medalha Mérito Mauá (Grau Cruz Mauá) do Ministério dos Transportes. Brasília.
  • 1990 - Honra ao mérito da Prefeitura Municipal de Fortaleza, por meio da Fundação Cultural de Fortaleza pelo Dia Nacional da Cultura.
  • 1997 - Homenagem da Ordem dos Advogados do Brasil, seção Ceará, pelo destaque em prol do desenvolvimento social cearense. Fortaleza.
  • 1998 - Troféu Carnaúba da Associação Comercial do Ceará, em seu 132º aniversário de fundação. 
  • 1998 - Comenda Benfeitor da Criança da Cidade. Prefeitura Municipal de Fortaleza.
  • 2001 - Medalha Virgílio Távora, da Federação das Associações do Comércio, Indústria e Agropecuário do Ceará (Facic). Fortaleza.
  • 2001 - Ordem do Mérito Cívico. Brasília.
  • 2007 - Ordem do Mérito Industrial da Confederação Nacional da Industria (CNI), Fortaleza.

Serviço

Exposição “Yolanda Vidal Queiroz - Momentos”
Abertura oficial:
10 de outubro, às 19h
Local: Espaço Cultural Unifor
Período de apresentação: 11 de outubro de 2019 a 1º de março de 2020
Horário de funcionamento: 9h às 19h (terça a sexta-feira) e de 10h às 18h (sábado e domingo)
Aberto ao público

De 21 de março a 18 de agosto de 2019, a Fundação Edson Queiroz, de Fortaleza, apresenta  exposição com 77 obras de sua coleção no Espaço Cultural Unifor. A exposição “Arte Moderna na Coleção Fundação Edson Queiroz” reúne algumas das mais expressivas obras de arte moderna criadas por artistas brasileiros ou radicados no Brasil das décadas de 1920 a 1960.

Com curadoria de Regina Teixeira de Barros, a exposição “Arte Moderna na Coleção Fundação Edson Queiroz” esteve em itinerância pelo Brasil e Europa desde 2015. Agora o público cearense terá a oportunidade de apreciar essa exposição viajante, gratuitamente. A mostra tem o patrocínio da Valgroup, do Banco Safra e da Ticket.

A coleção na mostra

Ao longo dos últimos 30 anos, a Fundação Edson Queiroz vem constituindo uma das mais sólidas coleções de arte brasileira do país. Das imagens sacras do período colonial à arte contemporânea, a coleção percorre cerca de quatrocentos anos de produção artística, com obras significativas de todos os períodos.

A exposição “Arte Moderna no Brasil – Coleção da Fundação Edson Queiroz” apresenta um recorte desse precioso acervo, destacando um conjunto de obras produzidas entre as décadas de 1920 e 1960, por artistas brasileiros ou estrangeiros residentes no país.

A mostra inicia-se com trabalhos dos chamados anos heroicos do Modernismo brasileiro – década de 1920 – em que as tentativas de renovação formal estão na ordem do dia. Muitos dos artistas da primeira geração modernista residiram por algum tempo em Paris, onde entraram em contato com as vanguardas históricas e delas se alimentaram.

Paralelamente à modernização da linguagem, alguns artistas dessa geração também se interessaram pela busca de imagens que refletissem ideias de “brasilidade”. Nesse momento, o debate nacionalista girava em torno da recuperação de elementos nativos, anteriores à colonização portuguesa, somados à miscigenação racial, fator que passara a ser considerado decisivo na formação do povo brasileiro.

As décadas de 1930 e 1940 foram marcadas por uma acomodação das linguagens modernistas. As experimentações cedem lugar a um olhar para a arte do passado e, nesse momento, surgem “artistas-professores”, como Ernesto de Fiori, Alberto da Veiga Guignard e Alfredo Volpi, que se tornariam referenciais para os seus contemporâneos e para pintores de gerações vindouras.

Desse período, merecem destaque os trabalhos de Alfredo Volpi e José Pancetti, que, além de estarem presentes com um número significativo de obras na Coleção da Fundação Edson Queiroz, estabelecem uma transição entre a pintura figurativa e a abstração.

O núcleo da exposição dedicado à abstração geométrica – tendência que desponta nos últimos anos da década de 1940 e que se consolida na década de 1950 – abrange pintores do grupo Ruptura, de São Paulo, e artistas dos grupos Frente e Neoconcreto, ambos do Rio de Janeiro.

A exposição reúne ainda uma seleção de artistas que não aderiram a grupo algum, mas adotaram uma linguagem abstrato-geométrica singular, mesclando-a, muitas vezes, com certo lirismo. O último segmento da mostra é consagrado à abstração informal, que ganha espaço na década de 1960, e a artistas que conceberam a tela como um campo para experimentações com materiais diversos, apontando para práticas que se multiplicariam nas décadas seguintes.

Exposição itinerante

Em 2015, a Fundação Edson Queiroz começou exposição itinerante por todo o Brasil, passando por São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba e Rio de Janeiro, e chegou à Europa, inicialmente em Lisboa e, depois, em Roma. A itinerância da exposição oferece a oportunidade para que mais pessoas conheçam e tenham acesso a um dos acervos de artes visuais mais importantes do Brasil, uma forma de disseminar e democratizar o acesso às artes.

Sobre a itinerância na Europa, a presidente da Fundação Edson Queiroz, Lenise Queiroz Rocha, destacou a importância da exposição para a arte e a cultura brasileiras. “Eu sinto que esta exposição, inicialmente em museu brasileiros e depois em Lisboa e Roma, foi de muita importância não só para a Unifor e para a Fundação Edson Queiroz, mas para o Estado do Ceará e de uma certa forma para o Brasil porque levamos 77 importantes obras do modernismo brasileiro para um continente que transpira arte”, destacou.

O chanceler da Universidade de Fortaleza (Unifor), Edson Queiroz Neto, destaca que a internacionalização da coleção da Fundação Edson Queiroz foi um projeto sonhado por vários anos pelo seu pai, Airton Queiroz, um dos maiores colecionadores do Brasil, falecido em julho de 2017. “Uma das maiores alegrias dele foi saber que a exposição iria para Lisboa”, lembra o chanceler, acrescentando que a realização desse sonho contribuiu para a divulgação da arte moderna brasileira na Europa. “Agora, os cearenses vão poder também usufruir desse privilégio”, ressalta.

O tema da exposição proporciona uma aproximação com as diversas vertentes, influências e movimentos da arte brasileira do início do século XX. “O recorte escolhido pela curadora possibilita fazer as mais diversas associações entre a trajetória de nossos artistas e o contexto histórico e artístico internacional. Essas foram décadas marcadas por profundas mudanças políticas, econômicas, sociais e culturais em todo o mundo”, frisa o vice-reitor da Unifor, professor Randal Pompeu.

Artistas participantes

Abraham Palatnik, Alfredo Volpi, Amilcar de Castro, Anita Malfatti, Antonio Bandeira, Antonio Gomide, Bruno Giorgi, Candido Portinari, Cícero Dias, Danilo Di Prete, Emiliano Di Cavalcanti, Ernesto de Fiori, Flávio de Carvalho, Frans Krajcberg, Franz Weissmann, Alberto Guignard, Hélio Oiticica, Hércules Barsotti, Hermelindo Fiaminghi, Iberê Camargo, Ione Saldanha, Ismael Nery, Ivan Serpa, José Pancetti, Judith Lauand, Lasar Segall, Lothar Charoux, Luiz Sacilotto, Lygia Clark, Maria H. Vieira da Silva, Maria Leontina, Maria Martins, Maurício Nogueira de Lima, Milton Dacosta, Mira Schendel, Rubem Valentim, Samson Flexor, Sérgio Camargo, Sérvulo Esmeraldo, Tomie Ohtake, Vicente do Rego Monteiro, Victor Brecheret, Willys de Castro.

Sobre a Fundação Edson Queiroz

Como poucas instituições no Brasil fora do eixo Rio-São Paulo, a Fundação Edson Queiroz construiu amplo acervo de arte brasileira, sobretudo do século 20, com obras de artistas do porte de Lygia Clark, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Lasar Segall, Hélio Oiticica, Candido Portinari, Alfredo Volpi, entre outros. A articulação entre a educação superior e as artes faz parte da essência da Fundação Edson Queiroz, mantenedora da Universidade de Fortaleza (Unifor), onde a comunidade acadêmica convive em harmonia com as artes visuais, o teatro, a música e a dança, por meio da realização de exposições, espetáculos e do apoio permanente a seus grupos de arte – Big Band, Camerata, Cia. de Dança, Coral, Grupo Mirante de Teatro e Grupos Infantis de Sanfona, Flauta, Violino e Piano. 

Serviço

Exposição "Arte Moderna na Coleção da Fundação Edson Queiroz"
Abertura: 21 de março de 2019, às 19h
Período expositivo: 22 de março a 18 de agosto de 2019
Horário de visitação: de terça a sexta: 9h às 19h – Sábados e domingos: 10h às 18h
Mais informações: (85) 3477.3319

 

Em comemoração aos 45 anos da Universidade de Fortaleza, a Fundação Edson Queiroz realiza a exposição “Da Terra Brasilis à Aldeia Global”, reunindo 250 obras dos principais artistas brasileiros e de estrangeiros que retrataram o Brasil, abrangendo arco temporal que se estende do século XVI ao século XXI, iniciando com o livro America Tertia Pars, publicado na Europa em 1592, e finalizando com obras contemporâneas.

Com a curadoria de Denise Mattar, a exposição reúne parte do acervo da Fundação Edson Queiroz e acontece de março de 2018 a agosto de 2019, no Espaço Cultural Unifor.

A presidente da Fundação Edson Queiroz, Lenise Queiroz Rocha, ressalta que, além de ser uma mostra de arte, “Da Terra Brasilis à Aldeia Global” relembra a participação da instituição no fomento artístico não só no Ceará mas no Brasil. “Ao optarmos por uma abordagem que contempla a História do Brasil por meio de seus movimentos artísticos, a exposição se torna, por si só, uma homenagem e uma linha do tempo ilustrada pelos principais artistas de suas épocas. Essa transfiguração da Arte em História é algo especial que a Fundação Edson Queiroz pensou para, mais uma vez, presentear seu público em um ano tão importante para nós”.

“Foi apaixonante escolher a exposição que celebra os 45 anos da Universidade de Fortaleza. E, desde então, a cada dia descubro algo mais sobre essa bela coleção, que me dá inspiração para continuar o crescimento da Fundação Edson Queiroz, nesta área de valor inestimável para a formação das civilizações”, complementa Lenise Queiroz Rocha.

O vice-reitor de Extensão da Universidade de Fortaleza, o professor Randal Pompeu lembra que a arte e a cultura fazem parte da atuação da Instituição desde sua inauguração, em 1973, com a realização de sua primeira mostra. “Desde então, a Unifor realizou sucessivas exposições e, em paralelo, a Fundação Edson Queiroz constituiu uma das coleções de artes visuais mais importantes do país, hoje reconhecida e exposta nacional e internacionalmente”, destaca.

Randal Pompeu ressalta que a mostra “Da Terra Brasilis à Aldeia Global” apresenta um recorte significativo da coleção da Fundação Edson Queiroz, “habilmente selecionado e organizado pela curadora Denise Mattar, que incorporou a vocação das exposições realizadas no Espaço Cultural Unifor de aliar a arte ao conhecimento, em consonância com seu respectivo contexto histórico”.  

Abordagens histórica e didática

A curadora Denise Mattar optou por uma abordagem histórica e didática, contextualizando os principais movimentos da arte brasileira. “Além disso, procuramos mostrar para o público que cada um desses movimentos reflete um momento histórico, político e social e que a arte acaba por transcender todos esses marcos”, salienta. Como novidade, a exposição reúne também livros raros, pertencentes à coleção da Biblioteca Acervos Especiais, da Unifor.

Subordinada durante séculos às correntes artísticas internacionais, a arte brasileira, segundo explica Denise Mattar, sempre viveu constante processo de cópia/repetição, adaptação/transformação, conseguindo algumas vezes imprimir à sua produção um sabor nacional. Barroco, Academia, Modernismo, Abstracionismo, Concretismo, Nova Figuração, Conceitualismo, Transvanguarda e Neoexpressionismo foram se sucedendo de forma cada vez mais veloz. “Somente a partir do final da década de 1980, esse quadro começou a se reverter, abrindo maior espaço para a internacionalização e integração ao circuito de arte mundial – para o bem e para o mal...”, frisa.

Além de traçar esse roteiro com o exterior, a exposição “Da Terra Brasilis à Aldeia Global” aponta como a questão centro-periferia se repetiu internamente no Brasil, sempre privilegiando os centros econômicos. No início da colonização, até então situados nas regiões Norte e Nordeste, esses centros deslocaram-se para o Rio de Janeiro, em função da descoberta do ouro – até a absoluta predominância do eixo Rio-São Paulo.

“Dessa dinâmica resulta o fato de que alguns artistas significativos, por viverem fora dessa área, não chegaram a integrar o chamado circuito de arte, enquanto que outros alcançaram essa meta ao preço de sair de sua terra natal. O foco para ilustrar essa questão será a produção de artistas cearenses de vários períodos, apresentados na mostra integrados aos fluxos artísticos aos quais pertencem”, ressalta a curadora. Segundo ela, “a excepcionalidade da coleção da Fundação Edson Queiroz permite contar essa história, quase sem lacunas, pois seu acervo excede em qualidade e quantidade a de muitos museus do eixo Rio-São Paulo, acentuando sua importância dentro da discussão proposta”.

Serviço

Exposição “Da Terra Brasilis à Aldeia Global – Coleção Fundação Edson Queiroz”
De 20 de março de 2018 a 18 de agosto de 2019
Visitação de terça a sexta-feira, de 9h às 19h e aos sábados e domingos, de 10h às 18h
Local: Espaço Cultural Unifor (Av. Washington Soares, 1321, Edson Queiroz. Fortaleza, CE)
Acesso gratuito
Mais informações: (85) 3477.3319 | espacocultural@unifor.br

 

 

Nos livros escolares, ele é um herói nacional. Inventor do aparelho aéreo mais pesado que o ar, primeiro a alçar voo sem a necessidade de rampa para lançamento. Nas “fotos oficiais”, um homem sisudo, de colarinho alto e chapéu panamá amassado.

Mas Alberto Santos-Dumont foi muito mais que isso. Um bon vivant risonho, que conviveu com nobres, artistas e grandes inventores. Um inventor determinado, que inovou em áreas além da aviação. Um homem melancólico e com destino trágico, profundamente desapontado com os usos bélicos de seu maior invento.

Estes e outros aspectos da personalidade de Alberto Santos-Dumont, praticamente esquecidos pela repercussão do aeroplano 14 Bis – cujo primeiro voo acaba de completar 110 anos – serão exibidos ao público cearense na Mostra Santos-Dumont – Coleção Brasiliana Itaú. A exposição fica em cartaz até 9 de dezembro de 2018, no Espaço Cultural Unifor, localizado no prédio da Reitoria da Universidade de Fortaleza.

“Orgulhosamente, um brasileiro concretizou o sonho de milhões de pessoas pelo mundo. Não do modo poético, com asas de Ícaro, mas por meio de modelos que envolvem muito mais engenharia. E foi com a mente nas nuvens e as mãos firmes na terra que Santos-Dumont projetou, construiu e fez voar o primeiro avião do mundo”, destaca Lenise Queiroz Rocha, presidente da Fundação Edson Queiroz.

Com mais de 500 peças, a curadoria é da jornalista Luciana Garbin e do Itaú Cultural. A linha curatorial se sustenta em pilares que marcam a trajetória do inventor, como inovação, ciência e empreendedorismo. Um dos destaques da mostra é a réplica, em tamanho original, da aeronave Demoiselle, considerada sua obra-prima. 

“A mostra sobre Santos-Dumont identifica-se profundamente com a Universidade de Fortaleza não só pelo aspecto cultural, mas sobretudo em vista da trajetória desse grande inventor brasileiro, pautada pela ciência, inovação e empreendedorismo, pilares que também fazem parte da atuação da Unifor. Esperamos que o público visitante, em especial crianças, adolescentes e nossa comunidade acadêmica, inspire-se nos ideais e realizações de Santos-Dumont, cujo legado permanece em nossa sociedade até hoje”, afirma o prof. Randal Pompeu, vice-reitor de Extensão da Unifor.

Como ocorre em toda abertura de exposição da Unifor, a curadora fará uma palestra no Teatro Celina Queiroz, no dia 3 de agosto, 9h30, no Teatro Celina Queiroz. Direcionada para todos os públicos, a apresentação se estende sobre a mostra, detalhando os espaços, a cronologia e a escolha dos arquivos, documentos, objetos e fotos. A exposição foi apresentada em São Paulo, em 2016, e em Cuiabá, no ano passado, antes de chegar a Fortaleza.

Perfil múltiplo

Além de “pai da aviação”, Santos-Dumont foi esportista, designer e um criador de tendências no modo de vestir e usar o chapéu, uma de suas marcas registradas. Também serão expostas criações até hoje pouco conhecidas do público, como o Conversor Marciano, que servia para ajudar esquiadores a subir as montanhas nevadas. O nome vem de sua ideia de reproduzir a gravidade de Marte e reduzir o peso.

São de sua invenção ainda um dispositivo de tração para o coelhinho que serve de chamariz em corridas de galgos – raça de cães considerada a mais rápida do mundo. E o Canhão Paradoxal, uma espécie de catapulta para lançar boias salva-vidas para banhistas que estivessem em perigo no mar. Entre as fotos exibidas, duas são do criador testando o Canhão Paradoxal em uma praia. 

Muitas dessas imagens eram transformadas em cartões-postais, um dos modismos da época, ao qual o próprio Dumont aderiu com fervor e cuja coleção será apresentada. Entre eles, o visitante pode ver uma série de cartões carinhosos e saudosos enviados para uma moradora de Fortaleza, Hersilia Burlamaqui Freire, moradora da Rua Formosa, 59, por um admirador, identificado como Heitor.

A exposição 

Entrando no espaço expositivo, o público encontra documentos, objetos e imagens conservadas por ele próprio e herdadas por membros de sua família, organizados na curadoria compartilhada de Luciana, em parceria com os núcleos Itaú Cultural de Inovação, Acervo e Enciclopédia, Artes Visuais, Produção e Centro de Memória, Documentação e Referência (CMDR). 

Além de peças originais e pessoais, a exposição resgata fotografias históricas. São registros de voos dos balões e aeroplanos, retratos pessoais tirados pelos maiores fotógrafos do mundo ou publicadas nas tiragens originais guardadas no arquivo pessoal do homenageado. Alguns objetos pessoais completam o acervo, como um binóculo, uma luneta e outros instrumentos científicos usados por Santos-Dumont. 

Há também um grande número de cartas, documentos pessoais, correspondências, patentes originais de alguns inventos, publicações da época, livros de sua biblioteca pessoal ou de sua autoria, oferecidos com dedicatória. Entre os documentos, encontram-se telegramas da princesa Isabel, felicitando a mãe de Santos-Dumont pelos feitos do filho, e uma carta escrita por ele a um parente sobre um telegrama que recebeu de Alberto, rei da Bélgica. 

A mostra apresenta, ainda, um desenho feito pelo inventor um mês e cinco dias antes de seu suicídio. O sobrinho Jorge Dumont Villares escreveu que foi o último e anotou a data de 18 de junho de 1932. É importante porque mostra que ele seguia preocupado com a mecânica poucas semanas antes de sua morte, em um hotel no Guarujá.

Acessibilidade

Uma das preocupações da mostra é garantir o acesso pleno a pessoas com necessidades especiais. Ao entrar, o visitante encontra uma porta de hangar, onde faz o check-in, responde a três perguntas sobre seus conhecimentos a respeito de Santos-Dumont e recebe uma espécie de cartão de embarque, com uma gravura extraída de um antigo jornal com o retrato dele. O “passageiro” pode levar o bilhete para casa, que também tem impressão em braile.

Tablets, adaptados tanto para videntes quanto para cegos, disponibilizam capas de jornais e reportagens nacionais e estrangeiras, da própria coleção de Dumont para que o visitante possa folheá-los eletronicamente. O material impresso, como livros e documentos, ficará também disponível em braile. Um funcionário com deficiência visual orienta o público e auxilia os leitores. Ainda sobre os recursos de acessibilidade, todos os audiovisuais possuem tradução simultânea em Língua Brasileira de Sinais (Libras).

Serviço

Mostra Santos-Dumont – Coleção Brasiliana Itaú
Com exibição em tamanho natural da aeronave Demoiselle
Abertura: 2 de agosto de 2018, às 19h
Visitação: 3 de agosto de 2018 a 13 de janeiro de 2019
Aberto de terça a sexta-feira, de 9h às 19h e aos sábados e domingos, de 10h às 18h
Local: Espaço Cultural Unifor (Av. Washington Soares, 1321, Edson Queiroz. Fortaleza, CE)
Acesso gratuito

Mais informações: (85) 3477.3319 | espacocultural@unifor.br

A Universidade de Fortaleza promove a XIX Unifor Plástica, com o tema “Uma constelação para Sérvulo Esmeraldo”. A exemplo da última edição, esta também será curatorial, portanto, será composta por obras selecionadas pelo curador Ivo Mesquita.

Nesta edição, a exposição reúne artistas cearenses ou residentes no Ceará e outros artistas do Nordeste. Também estarão presentes na exposição obras de Sérvulo Esmeraldo.

Participam da XIX Unifor Plástica os seguintes artistas: Sérvulo Esmeraldo, Eduardo Frota, José Guedes, José Albano, Carlos Macedo, Tiago Santana, Eduardo Eloy, Rafael Vilarouca, Ícaro Lira, Cadeh Juaçaba, Márcio Távora, Jared Domício, Luiza Veras, Waléria Américo, Marco Ribeiro, Sabyne Cavalcanti e Rodrigo Frota..

Ivo Mesquita, curador da Unifor Plástica, fala da escolha do artista Sérvulo Esmeraldo para ser tema desta exposição. “Para um profissional de fora da região, é notável a presença da obra e da figura de Sérvulo no meio artístico cearense. Pensei que esta seria uma potente homenagem a ele: ter sua obra em vivo contato com as produções de artistas, seus contemporâneos”, explica Ivo.

“Sérvulo foi um artista de muitas artes: escultura, desenho, gravura, pintura, design e gráfica, com trabalhos que vão de um rigor absoluto na concepção da forma ao espírito mais livre e lúdico com os limites que esta impõe ao seu programa plástico, ao seu projeto estético, sempre em expansão e afirmativo da dimensão humana e transformadora da experiência criativa e artística”, afirma Mesquita.

O curador fala ainda sobre a seleção das obras para esta mostra. “A exposição aborda sua obra, vinculada à tradição construtivo/concreta brasileira, com um grupo de trabalhos escolhidos para, por um lado, oferecer uma perspectiva dos meios empregados na construção do objeto, assim como as diversas etapas e questões que puseram em marcha a sua produção. Por outro lado, o conjunto de obras propicia encontros, provoca fricções, aponta diferenças ou similitudes, promovendo relações pontuais com as produções de 18 artistas cearenses convidados, de diferentes gerações, trabalhando com suportes e estratégias que envolvem fotografia, desenho, escultura, pintura, vídeo e instalação. Com esse partido curatorial, a mostra busca construir um panorama da produção artística cearense em torno da figura central de Sérvulo Esmeraldo” relata Ivo Mesquita.

O artista plástico Marco Ribeiro, um dos artistas a expor na XIX Unifor Plástica, fala sobre sua relação com a arte e a importância da mostra. “Essa é a primeira vez que eu participo da Unifor Plástica. Eu sou designer, trabalhei por 18 anos em agência de propaganda como diretor de arte e comecei a carreira artística em Fortaleza. Sempre me interessei por desenho, meu avô era gráfico, então eu passava minhas férias na gráfica dele montando blocos, formando palavras. Em 2015 eu decidi me afastar da Publicidade e fui para as artes plásticas, mergulhando de cabeça”, relata Marco.

“Em 2016 o Sérvulo Esmeraldo esteve na minha casa para conhecer meu trabalho, e de lá pra cá muita coisa melhorou na minha vida. Ele me orientou e foi uma aproximação muito importante para mim, quase definitiva para o que eu queria”, confessa.

Sabyne Cavalcanti, outra artista que participa da Unifor Plástica, fala que ficou surpresa com a seleção do seu trabalho para a exposição e aborda a importância do evento. "Essa é a primeira vez que fui selecionada para essa mostra. Duas obras minhas serão exibidas: Ruínas da Prainha e a Ilha um Vídeo. Quanto à XIX Unifor Plástica, acho magnífica a contribuição que a instituição tem dado ao longo dos anos à arte. A mostra é essencial na formação artística, conecta com a arte contemporânea e beneficia o conhecimento e o entretenimento. A cada dia vem criando uma relação afetiva com a cidade e o mundo” ressalta Sabyne.

 

Sobre a Unifor Plástica

A mostra surgiu em 1973, por iniciativa da Fundação Edson Queiroz, mesmo ano de fundação da Universidade de Fortaleza. Ao longo deste período, essa tradicional exposição – antes um salão, agora uma mostra bienal de arte contemporânea – tem promovido sucessivas gerações de artistas cearenses e nacionais, constituindo uma importante referência para a formação e a difusão da visualidade contemporânea brasileira. Desde sua primeira edição, quando Sérvulo Esmeraldo participou, passaram por ela José Albano, Eduardo Eloy, José Tarcísio, Carlos Macedo, Eduardo Frota, José Guedes, Waleria Américo, Jared Domício e Rodrigo Frota. Desta edição participam pela primeira vez Thiago Santana, Marcio Távora, Ícaro Lira, Luiza Veras, Sabyne Cavalcanti, Marco Ribeiro, Rafael Vilarouca e Cadeh Juaçaba, abrindo um novo capítulo na história desta organização.

Sobre Sérvulo Esmeraldo

Sérvulo Esmeraldo, nascido no Crato em 1929 e falecido em Fortaleza em fevereiro deste ano,, foi um artista brasileiro de escultura, gravura, ilustração e pintura, conhecido por seu rigor geométrico-construtivo e suas incursões no campo da arte cinética. Iniciou a carreira artística na adolescência, com xilogravuras. No ano de 1951, se mudou para São Paulo, onde estudou Arquitetura. A partir de então, dedicou-se à xilogravura, realizando sua primeira exposição individual no Museu de Arte Moderna de São Paulo. Na mesma época de sua primeira exposição individual no MAM, ganhou bolsa de estudos do governo francês, residindo no país até 1979. Em Paris, frequentou o ateliê de litogravura da École Nationale des Beaux-Arts e estudou com Johnny Friedlaender.

Na década de 1960, iniciou suas criações no campo da arte cinética, trabalhando como materiais como com ímãs, eletroímãs e por gravidade. Em 1974 participou da exposição L'idée et La Matière, na Galeria Denise René, em Paris. Retornou definitivamente a Fortaleza no ano de 1980. Em 1983, recebeu o Prêmio Melhor escultor do ano da Associação Paulista de Críticos de Arte. Em 2011, a Pinacoteca do Estado de São Paulo fez uma retrospectiva da obra do artista com publicação de livro coordenado por Aracy Amaral.

Resumo

XIX Unifor Plástica: “Uma constelação para Sérvulo Esmeraldo”.  De 17 de outubro de 2017 a 28 de janeiro de 2018.

Exposição Antônio Bandeira: um abstracionista amigo da vida

O pintor, desenhista e gravador cearense Antonio Bandeira trilhou um caminho único na arte brasileira. Averso ao academicismo, abandonou a arte figurativa de seus anos iniciais e tornou-se pioneiro do abstracionismo do país. A partir de 10 de agosto, o Espaço Cultural Unifor, localizado no campus da Universidade de Fortaleza, apresenta um pouco da trajetória deste artista ímpar na exposição Antonio Bandeira: um abstracionista amigo da vida. Com a realização da Fundação Edson Queiroz e organização da Base7 Projetos Culturais, a mostra tem curadoria de Regina Teixeira de Barros e Giancarlo Hannud.

A exposição reúne um conjunto de 91 obras que abarca diferentes momentos de sua produção artística, das primeiras pinturas figurativas, de caráter social, às grandes telas com densas tramas, tão comuns em seus últimos anos.

"Os delicados guaches e aquarelas, nos quais a sutileza e a poesia imperam, pontuam a trajetória do artista e se contrapõem, na década de 1960, aos trabalhos mais experimentais, realizados com materiais não tradicionais como miçangas, fitas adesivas e tinta automotiva", aponta Regina. “Bandeira permaneceu sempre à margem de escolas e estilos, jamais emprestando seu nome às declarações de fé estética tão em voga naquele momento”, completa Giancarlo, que também coordenou todo o levantamento de obras do artista e a pesquisa para o catálogo raisonné parcial.

“Seguindo sua missão de apoiar e difundir a produção de artistas cearenses, a Fundação Edson Queiroz realiza uma exposição inédita de Antonio Bandeira, que reúne alguns de seus trabalhos mais importantes. Um marco da mostra será o lançamento do catálogo raisonné de Bandeira, patrocinado pela Fundação Edson Queiroz, a ser lançado no Espaço Cultural Unifor. Ao apresentar exposições e ao mesmo tempo apoiar publicações da relevância de um catálogo raisonné, a exemplo do que realizou com Leonilson no primeiro semestre deste ano, a Universidade de Fortaleza, mantida pela Fundação Edson Queiroz, cumpre seu papel de aliar arte e educação como forma de promover o conhecimento, alcançando não só sua comunidade acadêmica, mas toda a sociedade”, afirma o vice-reitor de extensão da Unifor, prof. Randal Pompeu.

Definido por seus pares como um artista sério, lacônico e metódico, Bandeira deixou como legado uma produção surpreendente pela qualidade e sensibilidade de suas obras. Parte das obras apresentadas nesta exposição é pouco conhecida do público e até mesmo pelo circuito da arte, pois muitas foram localizadas graças às pesquisas para o catálogo raisonné parcial do artista.

O artista é expoente de uma vertente abstrata que privilegia a gestualidade e a expressão da experiência poética. Em seus trabalhos, traços, cores, tramas, manchas e respingos, todos aparentemente abstratos, na verdade estampam o mundo interior que o artista abrigava dentro de si. Por meio deles, Bandeira sugere a seu espectador uma infinidade de lembranças e emoções. Não por acaso, os títulos de suas obras evocam paisagens urbanas e cenas do cotidiano, abrindo caminho para interpretação lírica dessas composições.

Nas palavras do próprio artista, seus traços retratam “paisagens, marinhas, árvores, portos marítimos, cidades, enfim, apontamentos de viagem. Parto do realismo e, depois, vou aparando a ramaria até chegar ao ponto que minha sensibilidade exige. (...) A natureza foi e será, sempre, o meu celeiro”, dizia. Esse compromisso alegre com a vida pautou sua aproximação e assimilação da linguagem internacional da arte abstrata.

 

Perfil de Antonio Bandeira

Antonio Bandeira nasceu em Fortaleza, em 1922. Iniciou-se na pintura com a professora Mundica, bastante conhecida na cidade de Fortaleza, cujo método de ensino era a cópia. Em 1941, participou da criação do Centro Cultural de Belas Artes, entidade que nos anos seguintes deu origem à Sociedade Cearense de Artes Plásticas.

Em 1945, mudou-se para o Rio de Janeiro, cidade que recebeu sua primeira exposição individual. Contemplado pelo governo francês com bolsa de estudos, mudou-se para Paris em 1946, onde frequentou a École Nationale Supérieure des Beaux-Arts e a Académie de la Grande Chaumière.

Em Paris, o jovem artista entrou em contato com o abstracionismo lírico. A partir dessa aproximação, a gestualidade, já reconhecida nas suas primeiras figurações expressionistas, ganhou destaque ainda maior quando ele passou a se dedicar à abstração.

Bandeira participou das duas primeiras edições da Bienal de São Paulo, em 1951, ano que retornou ao Brasil, e em 1953. A segunda edição lhe rendeu um Prêmio Fiat, motivo que o levou novamente à Europa em 1954. Lá, permaneceu até 1959, passando pela Itália e Inglaterra.

Ao retornar ao Brasil, dedicou-se a uma atividade artística intensa, participando de importantes exposições, no Brasil e no exterior. Bandeira voltou a Paris em 1965, onde permaneceu até sua morte, dois anos depois.

 

Catálogo raisonné

Com patrocínio da Fundação Edson Queiroz, mantenedora da Universidade de Fortaleza (Unifor) e do Espaço Cultural Unifor, e coordenação da Base7 Projetos Culturais, a catalogação será editada e publicada como Catálogo Raisonné Parcial, em dois volumes com cerca de 500 páginas.

Valioso material de pesquisa e estudo colocado à disposição do público, o catálogo constitui uma ferramenta de acesso à abrangência e profundidade da obra do artista, de toda sua trajetória. O projeto contribuirá ainda para a disseminação e permanência do legado Bandeira a gerações futuras, funcionando como documento relevante para consultas de críticos de arte, historiadores, pesquisadores, estudantes público de arte e interessados em geral.

Com a publicação, Bandeira se junta ao seleto grupo de artistas brasileiros que já tiveram suas obras catalogadas em raisonné: Alfredo Volpi, Candido Portinari, Iberê Camargo, Tarsila do Amaral e, mais recentemente, Leonilson. Atualmente, a obra de Bispo do Rosário também tem sido revisitada e catalogada.

 

Resumo:

Antonio Bandeira: um abstracionista amigo da vida.  De 11 de agosto a 10 de dezembro de 2017.

 

Informações para contato

Espaço Cultural Unifor | De terças às sextas, de 9h às 19h; e sábados e domingos ,de 10h às 18h | Entrada gratuita | Estacionamento no local

  • E-mail de contato: espacocultural@unifor.br
  • Fone de contato: (85) 3477.3319
  • Endereço de contato: Av. Washington Soares, 1321. Edson Queiroz